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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu119848
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Um homem de 30 anos é trazido ao pronto-socorro vítima de ferimento por arma branca. O orifício de entrada localiza-se no 9o espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular. À admissão, ele está taquicárdico (FC: 120 bpm), hipotenso (PA: 85 x 50 mmHg) e taquipneico (FR: 28 irpm). O abdome está doloroso e timpânico à percussão. A ausculta cardíaca revela bulhas hipofonéticas. Foi instalado um dreno de tórax no 5o EIA, linha axilar média, com drenagem inicial de 1.500 mL de sangue.Diante do quadro de instabilidade hemodinâmica e da localização do ferimento, qual a conduta imediata mais adequada?
  1. ALaparotomia exploradora urgente.
  2. BToracotomia lateral esquerda urgente.
  3. CPericardiocentese ecoguiada.
  4. DToracotomia anterolateral esquerda.
  5. ELaparoscopia diagnóstica.
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GabaritoD — Toracotomia anterolateral esquerda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma toracoabdominal penetrante: conduta na instabilidade hemodinâmica

Gabarito: letra D. Diante de ferimento por arma branca no 9º espaço intercostal esquerdo (zona de transição toracoabdominal), com instabilidade hemodinâmica, abdome timpânico e drenagem torácica inicial de 1.500 mL de sangue, a conduta imediata mais adequada é a toracotomia anterolateral esquerda — a via de acesso que permite abordar simultaneamente as cavidades torácica e abdominal, controlar o sangramento e identificar a lesão cardíaca suspeitada pelas bulhas hipofonéticas. A alternativa D é a única que contempla essa abordagem combinada e urgente.

O ferimento penetrante na região toracoabdominal esquerda é um cenário clássico de trauma que exige raciocínio rápido e decisão cirúrgica. A localização do orifício de entrada no 9º espaço intercostal, na linha hemiclavicular, situa-se abaixo do nível do 4º-5º espaços intercostais — o limite superior do diafragma durante a expiração. Isso significa que o trajeto da arma pode ter lesado tanto estruturas torácicas (pulmão, pericárdio, coração, vasos mediastinais) quanto abdominais (baço, fígado, estômago, cólon, diafragma). O abdome doloroso e timpânico sugere lesão de víscera oca, enquanto as bulhas hipofonéticas e a hipotensão levantam a suspeita de tamponamento cardíaco ou hemotórax maciço.

A instabilidade hemodinâmica (FC 120 bpm, PA 85x50 mmHg) é o sinal de alerta máximo: o paciente está em choque hipovolêmico ou obstrutivo, e a prioridade absoluta é o controle da fonte de sangramento. A drenagem torácica de 1.500 mL de sangue imediato já configura indicação formal de toracotomia de urgência, pois representa perda volêmica significativa e sugere lesão de grande vaso ou de órgão sólido. Nesse contexto, a toracotomia anterolateral esquerda é a via de acesso de escolha porque permite, em um único campo operatório, explorar o tórax (coração, pulmão, vasos) e, se necessário, estender a incisão para o abdome (toracofrenolaparotomia), tratando as lesões combinadas sem perder tempo com abordagens sequenciais.

A alternativa A (laparotomia exploradora) seria insuficiente, pois não acessa o tórax, onde há forte suspeita de lesão cardíaca ou de grande vaso. A alternativa B (toracotomia lateral esquerda) é uma via limitada, que não permite a extensão abdominal necessária. A alternativa C (pericardiocentese ecoguiada) é um procedimento diagnóstico/terapêutico temporário, indicado em casos de tamponamento cardíaco com estabilidade relativa, mas não resolve o sangramento abdominal e não é a conduta definitiva em paciente instável. A alternativa E (laparoscopia diagnóstica) é contraindicada em instabilidade hemodinâmica, pois o pneumoperitônio pode agravar o choque e o procedimento não permite controle rápido de sangramento.

A regra de ouro no trauma penetrante toracoabdominal com instabilidade é: não perder tempo com exames complementares — ir direto à cirurgia. A toracotomia anterolateral esquerda é a via que oferece o acesso mais rápido e versátil para o controle de danos, permitindo a abordagem das duas cavidades e a identificação das lesões que ameaçam a vida. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais: a necessidade de acesso combinado tórax-abdome em paciente instável.

  1. 1Ferimento na transição toracoabdominal
  2. 2Instabilidade hemodinâmica
  3. 3Toracotomia anterolateral esquerda
  4. 4Acesso combinado tórax + abdome
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A laparotomia exploradora urgente abordaria apenas a cavidade abdominal, mas o quadro apresenta forte suspeita de lesão torácica (bulhas hipofonéticas, drenagem de 1.500 mL de sangue). Em ferimento na transição toracoabdominal, a lesão pode estar em ambas as cavidades, e a laparotomia isolada não permitiria o controle de um possível sangramento cardíaco ou de grande vaso torácico. A conduta correta exige acesso que contemple o tórax.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A toracotomia lateral esquerda é uma via de acesso limitada ao hemitórax, utilizada para lesões pulmonares ou de vasos intercostais, mas não permite a extensão para o abdome. No ferimento toracoabdominal com abdome timpânico e doloroso, há indicação de explorar também a cavidade abdominal, o que essa via não oferece. A toracotomia anterolateral é superior por permitir a extensão da incisão para o abdome quando necessário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A pericardiocentese ecoguiada é um procedimento temporário para alívio do tamponamento cardíaco, indicado em pacientes com suspeita de derrame pericárdico e instabilidade, mas não trata o sangramento abdominal nem a lesão de víscera oca. Em paciente com abdome timpânico e drenagem torácica maciça, a pericardiocentese isolada não resolve o quadro — ela pode ser um passo diagnóstico, mas não é a conduta definitiva. A toracotomia permite o tratamento definitivo de todas as lesões.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A toracotomia anterolateral esquerda é a via de acesso de escolha no trauma penetrante toracoabdominal com instabilidade hemodinâmica. Ela permite: (1) acesso rápido ao coração e grandes vasos para controle de sangramento e tratamento de tamponamento; (2) exploração da cavidade torácica; (3) extensão da incisão para o abdome (toracofrenolaparotomia) para tratar lesões de vísceras ocas ou sólidas. É a abordagem que oferece o controle de danos mais eficiente em paciente crítico, sem perder tempo com exames ou procedimentos temporários.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A laparoscopia diagnóstica é contraindicada em paciente com instabilidade hemodinâmica, pois o pneumoperitônio pode agravar o choque (diminui o retorno venoso) e o procedimento não permite controle rápido de sangramento maciço. Além disso, não acessa a cavidade torácica, onde há suspeita de lesão cardíaca. Em trauma penetrante com instabilidade, a cirurgia aberta é a única opção segura.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as vias de acesso cirúrgico. O candidato pode ser tentado a escolher a laparotomia (A) por causa do abdome timpânico, ou a toracotomia lateral (B) por causa do hemotórax. Mas o ferimento na transição toracoabdominal exige uma via que aborde ambas as cavidades — e é exatamente isso que a toracotomia anterolateral oferece. Lembre-se: em paciente instável com ferimento penetrante nessa região, o acesso combinado é a regra.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de trauma penetrante, monte um fluxo mental: (1) o ferimento está acima ou abaixo do diafragma? (2) o paciente está instável? (3) qual via de acesso permite tratar todas as lesões possíveis? Se a resposta à segunda pergunta for "sim", a conduta é cirúrgica imediata, e a via deve ser a mais ampla possível. A toracotomia anterolateral é a resposta quando há suspeita de lesão cardíaca ou toracoabdominal combinada.

Gabarito: letra D

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