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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu119850
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Paciente de 65 anos, sexo masculino, é admitido com história de obstipação progressiva há 4 semanas, evoluindo para parada total da eliminação de gases e fezes há 3 dias, associada à dor abdominal em cólica e distensão. Mantém-se estável clinicamente e sem peritonite. Ao toque retal, identifica-se uma massa endurecida e estenosante e intransponível a 5 cm da margem anal. A tomografia de abdome confirma um tumor retal extraperitoneal inferior causando obstrução, com distensão de todo o cólon (da região retossigmoide ao ceco), mas com alças delgadas sem dilatação. Sem pneumoperitônio. Não há evidências de metástases à distância.Qual é a conduta cirúrgica imediata de escolha?
  1. ARetossigmoidectomia anterior com anastomose primária.
  2. BRessecção anterior do reto com colostomia terminal (Hartmann).
  3. CColostomia derivativa em alça sigmoide.
  4. DIleostomia em alça.
  5. EInstalação de sonda retal para descompressão.
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GabaritoC — Colostomia derivativa em alça sigmoide.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Obstrução intestinal por neoplasia colorretal: conduta cirúrgica

Gabarito: letra C. Em obstrução colônica aguda por tumor retal extraperitoneal inferior, com paciente estável e sem peritonite, a conduta cirúrgica imediata de escolha é a colostomia derivativa em alça sigmoide — procedimento que descomprime o cólon proximal sem ressecar o tumor, permitindo posterior tratamento oncológico eletivo. A ressecção primária com anastomose (A) e a cirurgia de Hartmann (B) são opções em outros cenários, mas não na obstrução aguda por tumor retal baixo, em que a derivação fecal é preferível.

A obstrução intestinal colônica é uma emergência cirúrgica que ocorre quando há interrupção do trânsito de gases e fezes ao nível do cólon. As causas mais comuns são neoplasias, volvo de sigmoide, diverticulite com estenose e fecalomas. No caso descrito, o tumor retal extraperitoneal inferior (a 5 cm da margem anal) causa obstrução completa, com distensão de todo o cólon proximal, mas sem dilatação de delgado — o que indica válvula ileocecal competente, situação que pode evoluir para obstrução em alça fechada e perfuração.

O princípio fundamental do tratamento da obstrução colônica aguda é a descompressão do cólon proximal. Quando o tumor é ressecável e o paciente está estável, pode-se realizar ressecção com anastomose primária (em tumores de cólon direito ou esquerdo, em casos selecionados). Porém, em tumores retais baixos (extraperitoneais), a ressecção imediata é tecnicamente difícil e arriscada, pois a anastomose ficaria muito próxima do esfíncter e o preparo intestinal não é possível. Nesses casos, a conduta clássica é a colostomia derivativa em alça, que desvia o trânsito fecal, descomprime o cólon e permite planejar a ressecção oncológica em um segundo tempo, após otimização clínica e estadiamento adequado.

A escolha entre as opções cirúrgicas depende de vários fatores: localização do tumor, presença de peritonite, viabilidade intestinal, estabilidade hemodinâmica e experiência do cirurgião. No cenário de obstrução aguda por tumor retal baixo, sem peritonite e com paciente estável, a derivação fecal é a conduta mais segura e recomendada. A colostomia em alça sigmoide é preferível à ileostomia (D) porque descomprime diretamente o cólon obstruído, enquanto a ileostomia não alivia a distensão colônica e pode até piorar o quadro. A sonda retal (E) é ineficaz, pois o tumor é intransponível e impede a passagem da sonda.

A pegadinha desta questão está em considerar a ressecção imediata (A ou B) como conduta de escolha. Embora a ressecção com anastomose primária seja o tratamento definitivo do câncer colorretal, na vigência de obstrução aguda, especialmente em tumor retal baixo, a cirurgia imediata com anastomose é de alto risco (fístula, deiscência) e não é a conduta inicial recomendada. A cirurgia de Hartmann (B) é uma opção quando há peritonite, isquemia ou instabilidade, mas não é a primeira escolha em paciente estável. Portanto, a colostomia derivativa em alça sigmoide é a conduta imediata de escolha.

  1. 1Avaliar estabilidade e peritonite
  2. 2Tumor retal extraperitoneal baixo
  3. 3Colostomia derivativa em alça
  4. 4Ressecção oncológica em 2º tempo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A retossigmoidectomia anterior com anastomose primária é o tratamento definitivo do câncer retal, mas não é indicada na obstrução aguda, especialmente em tumor retal extraperitoneal inferior. A anastomose primária em cólon obstruído e sem preparo tem alto risco de fístula anastomótica. Além disso, a ressecção imediata de tumor retal baixo é tecnicamente complexa e não permite margens adequadas sem planejamento oncológico. A conduta correta é a derivação fecal inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ressecção anterior do reto com colostomia terminal (Hartmann) é uma opção em casos de obstrução com peritonite, isquemia ou instabilidade hemodinâmica, quando não se pode realizar anastomose. No paciente descrito, estável e sem peritonite, a cirurgia de Hartmann é mais agressiva que o necessário e não é a conduta de escolha. A derivação em alça é menos mórbida e permite tratamento oncológico posterior.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A colostomia derivativa em alça sigmoide é a conduta cirúrgica imediata de escolha na obstrução colônica aguda por tumor retal extraperitoneal inferior, em paciente estável e sem peritonite. Ela descomprime o cólon proximal, alivia a distensão, previne perfuração e permite planejar a ressecção oncológica em um segundo tempo, com preparo intestinal e estadiamento adequados. É o procedimento mais seguro e recomendado nesse cenário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ileostomia em alça descomprime o intestino delgado, mas não alivia a obstrução colônica, pois o conteúdo fecal continua acumulando no cólon proximal à obstrução. Em obstrução colônica com válvula ileocecal competente, a ileostomia pode até piorar a distensão colônica. A derivação deve ser feita no cólon, proximal à obstrução, como a colostomia em alça sigmoide.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A instalação de sonda retal para descompressão é ineficaz, pois o tumor é estenosante e intransponível, impedindo a passagem da sonda. Além disso, a sonda não descomprime o cólon proximal. A descompressão deve ser cirúrgica, com colostomia derivativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a escolher a ressecção imediata (A ou B), que é o tratamento definitivo do câncer colorretal, mas não é a conduta na obstrução aguda. Lembre-se: em obstrução por tumor retal baixo, a prioridade é descomprimir, não ressecar. A cirurgia de Hartmann (B) é para casos com peritonite ou instabilidade, não para paciente estável.

PEGA ESSA DICA!

Na obstrução colônica aguda, pergunte-se: "O paciente está estável? Há peritonite? O tumor é ressecável com anastomose segura?" Se a resposta for "não" para a anastomose, a conduta é derivação fecal (colostomia em alça). Para tumores retais baixos, a derivação é quase sempre a primeira escolha.

Gabarito: letra C

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