Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu119853
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Paciente do sexo feminino, 35 anos, chega ao pronto-socorro relatando que bocejava profundamente quando sentiu um “estalo” e incapacidade de fechar a boca, irreversível espontaneamente, acompanhados de dor intensa na região anterior aos ouvidos. Ao exame físico, observa-se assimetria facial.Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta imediata mais adequada?
AFratura do côndilo mandibular; imobilização rígida e encaminhamento para cirurgia.
BLuxação anterior da articulação temporomandibular (ATM) direita; redução manual.
CEspasmo muscular do masseter; aplicação de calor local e relaxantes musculares.
DNeurite do nervo auriculotemporal; prescrição de gabapentina e repouso.
ELuxação posterior da ATM direita; redução cirúrgica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Luxação da articulação temporomandibular (ATM)
Gabarito: letra B. O quadro descrito — bocejo profundo, "estalo", incapacidade de fechar a boca, dor pré-auricular e assimetria facial — é a apresentação clássica da luxação anterior da ATM, e a conduta imediata é a redução manual da articulação. O diagnóstico diferencial com fratura de côndilo, espasmo muscular ou neurite é o ponto central da questão.
A articulação temporomandibular é a articulação entre o côndilo da mandíbula e a fossa mandibular do osso temporal. Na luxação, o côndilo sai da fossa articular e fica preso anteriormente ao tubérculo articular, impedindo o movimento de fechamento da boca. Isso ocorre porque o côndilo "pula" o tubérculo e não consegue retornar espontaneamente à posição normal. O mecanismo típico é um movimento de abertura ampla, como um bocejo profundo, um grito ou uma intervenção odontológica prolongada.
O diagnóstico é essencialmente clínico. O paciente chega com a boca aberta, incapaz de fechá-la, com dor na região pré-auricular e assimetria facial — a mandíbula fica desviada para o lado oposto ao da luxação. No caso descrito, a luxação é à direita, então a mandíbula desvia para a esquerda. A palpação da região pré-auricular revela uma depressão (a fossa vazia) e o côndilo pode ser palpado anteriormente ao tubérculo articular.
A conduta imediata é a redução manual fechada, que consiste em aplicar pressão para baixo e para trás sobre os molares inferiores, com o paciente sentado e a cabeça apoiada. O procedimento geralmente é realizado sem anestesia ou com anestesia local, e costuma ser bem-sucedido. Após a redução, orienta-se dieta pastosa, repouso articular e uso de anti-inflamatórios por alguns dias. A redução cirúrgica é reservada para casos de luxação irredutível ou recorrente, que não respondem ao tratamento conservador.
A distinção crucial é entre luxação e fratura. Na fratura do côndilo, o mecanismo é um trauma direto (não um bocejo), e o paciente geralmente consegue fechar a boca, embora com dor e oclusão alterada. Na luxação, a boca fica aberta e o paciente não consegue fechá-la. Essa diferença é o que separa a alternativa correta das demais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre luxação e fratura. Na fratura do côndilo, o mecanismo é trauma (queda, soco, acidente), e o paciente consegue fechar a boca, embora com dor e mordida desalinhada. Na luxação, o mecanismo é um movimento amplo (bocejo, grito) e o paciente fica com a boca aberta, incapaz de fechá-la. Guarde essa diferença: é ela que separa a letra B das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A fratura do côndilo mandibular é causada por trauma direto (queda, agressão, acidente), não por um bocejo. Além disso, na fratura o paciente geralmente consegue fechar a boca, embora com dor e alteração da oclusão. A imobilização rígida e a cirurgia são condutas para fraturas desviadas, não para luxação. O mecanismo do trauma e a incapacidade de fechar a boca apontam claramente para luxação, não fratura.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O quadro é a apresentação clássica da luxação anterior da ATM: bocejo profundo (movimento de abertura ampla), "estalo" (o côndilo ultrapassa o tubérculo articular), incapacidade de fechar a boca (o côndilo fica preso anteriormente), dor pré-auricular e assimetria facial (desvio da mandíbula para o lado oposto). A conduta imediata é a redução manual fechada, que consiste em pressionar a mandíbula para baixo e para trás, reposicionando o côndilo na fossa articular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O espasmo muscular do masseter causaria trismo (dificuldade de abrir a boca), não incapacidade de fechá-la. O paciente com espasmo consegue fechar a boca, mas tem dificuldade para abri-la. Além disso, o espasmo não causa o "estalo" nem a assimetria facial descrita. O quadro é de luxação articular, não de contratura muscular.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A neurite do nervo auriculotemporal causaria dor na região temporal e pré-auricular, mas não impediria o fechamento da boca nem causaria assimetria facial. O nervo auriculotemporal inerva a região temporal e a glândula parótida, mas não controla os músculos da mastigação. A incapacidade de fechar a boca é um sinal mecânico de luxação, não neurológico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A luxação posterior da ATM é extremamente rara e geralmente associada a trauma de alta energia (acidente automobilístico), podendo causar lesão do meato acústico externo. O mecanismo descrito (bocejo) e o quadro clínico são de luxação anterior, que é a forma mais comum. Além disso, a redução cirúrgica é reservada para luxações irredutíveis ou recorrentes, não para o primeiro episódio, que responde bem à redução manual.
Gabarito: letra B — luxação anterior da ATM direita, com redução manual como conduta imediata.