Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu119854
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Paciente do sexo masculino, 55 anos, obeso, com diagnóstico de adenocarcinoma de reto baixo localmente avançado, submetido à quimiorradioterapia neoadjuvante. É levado à cirurgia para ressecção anterior baixa do reto. O procedimento é tecnicamente difícil devido à obesidade e à significativa quantidade de gordura visceral. Durante a liberação lateral do mesorreto direito, próximo à asa sacral, há sangramento súbito e vigoroso, controlado com compressão e aplicação de ligadura direta do vaso. Após a conclusão da cirurgia, nota-se que o membro inferior direito está pálido e frio. Os pulsos poplíteo, pedioso e tibial posterior estão ausentes. O membro contralateral apresenta perfusão normal.Considerando o quadro de isquemia aguda, qual vaso sanguíneo foi mais provavelmente lesionado durante a cirurgia?
AArtéria femoral.
BArtéria ilíaca interna.
CArtéria ilíaca externa.
DArtéria obturatória.
EArtéria hipogástrica.
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GabaritoC — Artéria ilíaca externa.
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Isquemia aguda de membro inferior pós-cirurgia pélvica
Gabarito: letra C. A lesão da artéria ilíaca externa durante a liberação lateral do mesorreto direito, próximo à asa sacral, é a causa mais provável da isquemia aguda do membro inferior direito, caracterizada por palidez, frialdade e ausência de pulsos distais. A artéria ilíaca externa é o principal vaso que supre o membro inferior, e sua ligadura ou lesão leva à interrupção do fluxo sanguíneo para o membro, quadro compatível com o descrito no enunciado.
A cirurgia de ressecção anterior baixa do reto, especialmente em pacientes obesos com grande quantidade de gordura visceral, é tecnicamente desafiadora. Durante a dissecção lateral do mesorreto, próximo à asa sacral, estruturas vasculares importantes podem ser lesadas. A artéria ilíaca externa, que emerge da artéria ilíaca comum e segue ao longo da borda medial do músculo psoas maior, passando sob o ligamento inguinal para se tornar a artéria femoral, é um vaso de grande calibre que pode ser facilmente confundido com outras estruturas ou lesado durante a dissecção, especialmente em um campo cirúrgico difícil.
A isquemia aguda de membro inferior é uma emergência cirúrgica que se manifesta com os "6 Ps": dor, palidez, ausência de pulso, parestesia, paralisia e poiquilotermia (frialdade). No caso descrito, o paciente apresenta palidez, frialdade e ausência de pulsos poplíteo, pedioso e tibial posterior, o que confirma a interrupção do fluxo sanguíneo arterial para o membro. A artéria ilíaca externa é o vaso que, quando lesado, causa exatamente esse quadro, pois é a principal via de suprimento sanguíneo para o membro inferior.
É importante distinguir a artéria ilíaca externa de outros vasos pélvicos. A artéria ilíaca interna (ou hipogástrica) e seus ramos, como a artéria obturatória, irrigam estruturas pélvicas e glúteas, e sua lesão geralmente causa sangramento pélvico, mas não isquemia aguda do membro inferior, pois o fluxo para o membro é mantido pela artéria ilíaca externa. A artéria femoral, por sua vez, é a continuação da ilíaca externa após o ligamento inguinal, e sua lesão também causaria isquemia, mas o sangramento descrito ocorreu durante a dissecção pélvica, proximal ao ligamento inguinal, o que aponta para a lesão da ilíaca externa.
A compreensão da anatomia vascular pélvica é fundamental para o cirurgião. A artéria ilíaca comum bifurca-se em ilíaca externa e ilíaca interna. A ilíaca externa segue para o membro inferior, enquanto a ilíaca interna irriga a pelve. A lesão da ilíaca externa durante a cirurgia pélvica, como a ressecção anterior baixa do reto, é uma complicação grave que exige reconhecimento imediato e reparo vascular para evitar a perda do membro. A ligadura inadvertida desse vaso, como ocorreu no caso, leva à isquemia aguda, exigindo intervenção urgente.
Vasos pélvicos e isquemia de membro
1Ilíaca externa
Supre o membro inferior
Lesão → isquemia aguda (6 Ps)
2Ilíaca interna (hipogástrica)
Irriga a pelve
Lesão → sangramento, sem isquemia
3Obturatória
Ramo da ilíaca interna
Lesão → sangramento, sem isquemia
4Femoral
Continuação da ilíaca externa
Lesão → isquemia, mas fora da pelve
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A artéria femoral é a continuação da artéria ilíaca externa após o ligamento inguinal. Sua lesão também causaria isquemia do membro inferior, mas o sangramento descrito ocorreu durante a dissecção pélvica, proximal ao ligamento inguinal, na região da asa sacral. A lesão da artéria femoral seria mais provável em cirurgias na região inguinal ou proximal da coxa, não durante a liberação lateral do mesorreto. Portanto, embora a artéria femoral seja um vaso que supre o membro inferior, a localização do sangramento e o contexto cirúrgico apontam para a artéria ilíaca externa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A artéria ilíaca interna (também chamada de hipogástrica) irriga as estruturas pélvicas, incluindo bexiga, reto, órgãos genitais e região glútea. Sua lesão pode causar sangramento pélvico significativo, mas não leva à isquemia aguda do membro inferior, pois o fluxo sanguíneo para o membro é mantido pela artéria ilíaca externa. A ausência de pulsos distais e a palidez do membro inferior direito são incompatíveis com uma lesão isolada da ilíaca interna, que não comprometeria a perfusão do membro.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A artéria ilíaca externa é o principal vaso que supre o membro inferior. Sua lesão ou ligadura durante a dissecção pélvica, como na liberação lateral do mesorreto, interrompe o fluxo sanguíneo para o membro, causando isquemia aguda. O quadro clínico apresentado — palidez, frialdade e ausência de pulsos poplíteo, pedioso e tibial posterior — é exatamente o esperado após a lesão desse vaso. A localização do sangramento, próximo à asa sacral, durante a dissecção do mesorreto direito, é consistente com a lesão da artéria ilíaca externa, que passa por essa região.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A artéria obturatória é um ramo da artéria ilíaca interna e irriga estruturas pélvicas, como o músculo obturador interno e a cabeça do fêmur. Sua lesão pode causar sangramento, mas não leva à isquemia aguda do membro inferior, pois não é responsável pelo suprimento sanguíneo principal do membro. A ausência de pulsos distais e a palidez do membro inferior direito não são explicadas pela lesão da artéria obturatória.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A artéria hipogástrica é outro nome para a artéria ilíaca interna. Como discutido, sua lesão causa sangramento pélvico, mas não isquemia aguda do membro inferior, pois o fluxo para o membro é mantido pela artéria ilíaca externa. O quadro clínico do paciente, com ausência de pulsos distais e palidez do membro, é incompatível com uma lesão isolada da artéria hipogástrica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo vasos pélvicos que, embora possam sangrar durante a cirurgia, não causam isquemia do membro inferior. A artéria ilíaca interna (hipogástrica) e a obturatória são ramos que irrigam a pelve, e sua lesão não compromete a perfusão do membro. O candidato deve lembrar que a artéria ilíaca externa é a via de suprimento para o membro inferior, e sua lesão é a única que explica o quadro de isquemia aguda descrito.