Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu119855
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Paciente de 72 anos, com histórico de hérnia umbilical conhecida há anos e obesidade grau I, foi recentemente diagnosticado com adenocarcinoma gástrico do terço inferior do corpo do estômago. Iniciou quimioterapia sistêmica. Ele procura o pronto-socorro queixando-se de um aumento progressivo do volume na região umbilical nas últimas 3 semanas, associado a um desconforto local contínuo e leve edema ao redor. Negava náuseas, vômitos ou parada de eliminação de gases e fezes. Ao exame, abdome globoso, e na região umbilical era palpável uma massa nodular, firme, fixa, não redutível a compressão e não dolorosa à palpação superficial.Considerando o quadro apresentado, a hipótese diagnóstica mais provável para o nódulo umbilical é:
Alinfonodomegalia metastática de cadeia paraumbilical.
Bsinal de carcinomatose peritoneal.
Cextensão direta do tumor gástrico primário até a parede abdominal.
Dhérnia umbilical encarcerada com inflamação/reação local.
Eonfalite por leucopenia pela quimioterapia.
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GabaritoB — sinal de carcinomatose peritoneal.
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Nódulo umbilical em paciente com adenocarcinoma gástrico: carcinomatose peritoneal
Gabarito: letra B. O quadro descrito — massa nodular, firme, fixa e não redutível na região umbilical, em paciente com adenocarcinoma gástrico avançado — é a apresentação clássica do sinal de Sister Mary Joseph, que representa metástase peritoneal implantada no umbigo, ou seja, um sinal de carcinomatose peritoneal. A presença de neoplasia gástrica, o crescimento progressivo e as características físicas do nódulo (firme, fixo, indolor) afastam as demais hipóteses, como hérnia encarcerada ou onfalite.
O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia que se dissemina por várias vias, sendo a disseminação peritoneal uma das mais importantes e de pior prognóstico. As células tumorais, ao se desprenderem da serosa gástrica, podem se implantar em diversas superfícies peritoneais, incluindo o omento, o mesentério e o peritônio parietal. O ligamento redondo do fígado (ou ligamento falciforme) e o uraco são estruturas embriológicas que conectam o peritônio à região umbilical, servindo como vias anatômicas para a migração das células neoplásicas até o umbigo. Quando isso ocorre, forma-se um nódulo palpável, geralmente firme, irregular e fixo, conhecido como sinal de Sister Mary Joseph.
Este sinal é um marcador de doença avançada e disseminada, indicando carcinomatose peritoneal. Na prática clínica, sua presença em um paciente com câncer gástrico (ou de outros órgãos abdominais, como pâncreas, cólon e ovário) sugere que a doença já não é mais localizada, o que impacta diretamente o estadiamento e o prognóstico. O diagnóstico é essencialmente clínico, pela inspeção e palpação do abdome, e pode ser confirmado por exames de imagem (como tomografia computadorizada) ou biópsia do nódulo.
É fundamental distinguir o sinal de Sister Mary Joseph de outras condições que podem acometer a região umbilical, como hérnias, linfonodos aumentados ou infecções. A hérnia umbilical encarcerada, por exemplo, geralmente apresenta dor, pode ser redutível em fases iniciais e está associada a um defeito da parede abdominal (anel herniário). Já a onfalite é uma infecção do umbigo, mais comum em recém-nascidos, e cursa com sinais flogísticos (rubor, calor, dor) e frequentemente secreção purulenta. A linfonodomegalia paraumbilical é uma possibilidade, mas é menos comum que a implantação peritoneal direta e, no contexto de um adenocarcinoma gástrico, a carcinomatose é a hipótese mais provável.
A extensão direta do tumor gástrico até a parede abdominal é uma via de disseminação menos frequente e geralmente ocorre em tumores muito avançados que invadem localmente as estruturas adjacentes, mas o padrão de apresentação como nódulo umbilical isolado, sem outras massas ou sinais de invasão local extensa, favorece a disseminação peritoneal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o sinal de Sister Mary Joseph (metástase peritoneal no umbigo, indicando carcinomatose) e uma hérnia umbilical encarcerada. A chave está nas características do nódulo: na carcinomatose, ele é firme, fixo e indolor, enquanto na hérnia encarcerada há dor, tensão e frequentemente sinais de obstrução intestinal (náuseas, vômitos, parada de eliminação de gases e fezes), que estão ausentes no caso. Além disso, o paciente tem um câncer gástrico conhecido, o que torna a hipótese metastática muito mais provável.
Nódulo umbilical em CA gástrico
1Sinal de Sister Mary Joseph
Metástase peritoneal no umbigo
Carcinomatose peritoneal
Firme, fixo, indolor
2Diagnósticos diferenciais
Hérnia encarcerada
Dor, tensão
Sinais obstrutivos
Onfalite
Sinais flogísticos
Secreção purulenta
Linfonodomegalia
Menos comum
Extensão direta
Tumor localmente avançado
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Embora linfonodos paraumbilicais possam estar aumentados em doenças malignas, a apresentação como uma massa nodular única, firme e fixa no umbigo, em um paciente com adenocarcinoma gástrico, é muito mais característica de uma implantação peritoneal (metástase) do que de uma linfonodomegalia isolada. A carcinomatose peritoneal é a via de disseminação mais comum nesse cenário, e o sinal de Sister Mary Joseph é a manifestação clínica típica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve exatamente o sinal de Sister Mary Joseph, que é a presença de um nódulo umbilical metastático, indicando carcinomatose peritoneal. O paciente tem adenocarcinoma gástrico, que é uma das neoplasias que mais comumente se dissemina pelo peritônio. As características do nódulo (firme, fixo, não redutível, indolor) e a ausência de sintomas obstrutivos são compatíveis com essa hipótese. Este sinal é um marcador de doença avançada e tem importância prognóstica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A extensão direta do tumor gástrico até a parede abdominal é uma via de disseminação possível, mas menos comum e geralmente associada a tumores localmente avançados que invadem as estruturas adjacentes. No caso, o nódulo umbilical isolado, sem outras massas ou sinais de invasão local extensa, é mais sugestivo de disseminação peritoneal (carcinomatose) do que de extensão direta. Além disso, a extensão direta costuma cursar com uma massa contígua ao tumor primário, o que não é descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hérnia umbilical encarcerada é uma complicação de uma hérnia preexistente, na qual o conteúdo herniário fica preso no saco herniário, tornando-se irredutível. No entanto, o quadro típico de encarceramento inclui dor, frequentemente intensa, e pode evoluir com sinais de obstrução intestinal (náuseas, vômitos, parada de eliminação de gases e fezes). No paciente descrito, o nódulo é indolor e ele nega sintomas obstrutivos, o que torna essa hipótese menos provável. Além disso, a presença de um adenocarcinoma gástrico conhecido e o crescimento progressivo do nódulo em poucas semanas favorecem a hipótese metastática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A onfalite é uma infecção do umbigo, mais comum em recém-nascidos, e cursa com sinais flogísticos (rubor, calor, dor local) e frequentemente secreção purulenta. No caso, o nódulo é indolor e não há descrição de sinais inflamatórios agudos, apenas um leve edema ao redor. Embora a quimioterapia possa causar leucopenia e aumentar o risco de infecções, a apresentação como uma massa nodular firme e fixa, sem sinais claros de infecção, é muito mais sugestiva de uma metástase peritoneal do que de uma onfalite.
Gabarito: letra B — o nódulo umbilical em paciente com adenocarcinoma gástrico é o sinal de carcinomatose peritoneal (sinal de Sister Mary Joseph).