Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Mulher de 56 anos procura ambulatório com histórico de tabagismo de 1 maço de cigarro por dia por 40 anos. Ela parou de fumar há um ano. Na anamnese, ela relata tosse produtiva com expectoração branca e espumosa nos últimos 4 meses. Ela teve quadro semelhante no inverno passado, com uma tosse que durou mais de 3 meses.Qual(is) seria(m) o(s) exame(s) mais sensível(eis) para possível quadro de DPOC?
ACapacidade vital forçada (CVF).
BCapacidade pulmonar total (CPT).
CVolume expiratório forçado no primeiro segundo (VEFt).
DVolume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada (VEF1/CVF).
ETaxa de fluxo expiratório forçado no intervalo de 25% a 75% (FEF25%–75%) da capacidade vital forçada (CVF) total.
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GabaritoD — Volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada (VEF1/CVF).
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Espirometria na DPOC: o papel da relação VEF1/CVF
Gabarito: letra D. O exame mais sensível para o diagnóstico de DPOC é a espirometria, e o parâmetro que define a obstrução ao fluxo aéreo — condição essencial para o diagnóstico — é a relação VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,7. A alternativa D é a única que combina os dois parâmetros (VEF1 e CVF) na forma de razão, que é exatamente o que a diretriz GOLD e as sociedades de pneumologia utilizam como critério funcional diagnóstico.
A DPOC é uma doença caracterizada por limitação do fluxo aéreo não totalmente reversível, e o diagnóstico funcional depende da demonstração dessa obstrução. A espirometria é o exame que mede volumes e fluxos respiratórios, e a relação VEF1/CVF é o índice que separa o padrão obstrutivo do restritivo. O VEF1 isolado, a CVF isolada, a CPT e o FEF25-75% são parâmetros que, sozinhos, não estabelecem o diagnóstico de obstrução — eles podem estar alterados em outras condições ou não capturar a essência do distúrbio obstrutivo.
A paciente do caso tem perfil clássico: tabagista de longa data (40 anos-maço), com tosse produtiva crônica e episódios repetidos. A suspeita de DPOC é alta, e a confirmação exige a espirometria com a relação VEF1/CVF < 0,7 após broncodilatador. A banca explora exatamente a confusão entre "medir o VEF1" e "avaliar a relação VEF1/CVF" — o primeiro é um volume, o segundo é o índice que define obstrução.
A classificação GOLD, que gradua a gravidade da DPOC, usa a relação VEF1/CVF < 0,7 como critério de entrada e o VEF1 pós-broncodilatador para estratificar a gravidade (GOLD 1 a 4). Isso reforça que a relação é o passo inicial e obrigatório do diagnóstico funcional.
Lei da espirometria (critério GOLD 2025):
"Espirometria: relação VEF1/CVF inferior a 0,7 pós-broncodilatador."
Guarde a distinção: VEF1 é o volume expiratório forçado no primeiro segundo; CVF é a capacidade vital forçada; a relação VEF1/CVF é o índice que revela obstrução quando < 0,7. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
1Espirometria
2VEF1/CVF < 0,7 pós-BD
3Obstrução confirmada
4GOLD 1-4 (VEF1)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A CVF isolada mede o volume total exalado, mas não avalia a velocidade do fluxo. Na DPOC, a CVF pode estar normal ou até aumentada (pela hiperinsuflação), e sua redução isolada sugere padrão restritivo, não obstrutivo. A CVF sozinha não é sensível para detectar obstrução — é a razão com o VEF1 que importa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A CPT (capacidade pulmonar total) é um volume estático, medido por pletismografia ou diluição de gases, e está aumentada na DPOC pela hiperinsuflação (aprisionamento aéreo). Ela não avalia fluxo e não é o exame de escolha para diagnóstico de obstrução — serve mais para caracterizar padrão restritivo (onde está reduzida) ou quantificar hiperinsuflação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O VEF1 isolado é um volume que mede o fluxo no primeiro segundo, mas seu valor absoluto depende de idade, sexo e altura. Um VEF1 reduzido pode ocorrer em doenças restritivas também, e um VEF1 normal não exclui obstrução precoce. O diagnóstico de obstrução exige a relação VEF1/CVF, não o valor absoluto do VEF1.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,7 é o critério funcional que define obstrução ao fluxo aéreo na DPOC, conforme a diretriz GOLD. É o parâmetro mais sensível e o primeiro passo diagnóstico: sem ele, não se confirma a doença. A alternativa combina exatamente os dois volumes que formam o índice decisivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O FEF25-75% (fluxo expiratório forçado entre 25% e 75% da CVF) avalia as pequenas vias aéreas e pode estar reduzido precocemente na DPOC, mas é um parâmetro de alta variabilidade, pouco reprodutível e não é utilizado como critério diagnóstico pela GOLD. Ele pode sugerir doença de pequenas vias, mas não substitui a relação VEF1/CVF para o diagnóstico formal.
A regra de ouro: na suspeita de DPOC, a espirometria com relação VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador é o exame que confirma a obstrução — é o padrão-ouro funcional e o critério que a banca cobra.