Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
vu119864
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Paciente do sexo masculino, 62 anos, decide desistir de novas tentativas de tratamentos curativos para câncer gástrico metastático e se concentrar em cuidados paliativos, sobretudo para o controle da dor. Sua expectativa de vida é de 6 meses. Seu médico de família está controlando a dor com sulfato de morfina. Ele está estável e toma a mesma dosagem de medicação há 3 meses, mas agora precisa de quantidades crescentes de opiáceos.Em relação a essa situação, assinale a alternativa correta.
AProgressão do câncer; e a medicação deve ser trocada.
BProgressão do câncer; e a dosagem da medicação deve ser aumentada.
CDesenvolvimento de tolerância é comum; e a dose da medicação deve ser aumentada.
DDesenvolvimento de tolerância; e a dosagem da medicação deve ser mantida para evitar dependência.
EDesenvolvimento de vício é comum; e a medicação deve ser trocada.
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GabaritoB — Progressão do câncer; e a dosagem da medicação deve ser aumentada.
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Cuidados paliativos e analgesia com opioides: tolerância versus progressão da doença
Gabarito: letra B. Em paciente oncológico em cuidados paliativos, estável há 3 meses com a mesma dose de morfina e que agora necessita de doses crescentes, a causa mais provável é a progressão da doença, e a conduta correta é aumentar a dose do opioide. A alternativa B é a única que combina corretamente a causa e a conduta. A alternativa C erra ao atribuir o quadro à tolerância, que é um fenômeno farmacológico distinto e menos provável nesse cenário clínico.
O caso clínico descreve um paciente com câncer gástrico metastático em cuidados paliativos, com dor controlada por sulfato de morfina em dose estável por 3 meses, que agora apresenta necessidade de doses crescentes do opioide. A questão central é distinguir entre progressão da doença e tolerância como causas do aumento da necessidade analgésica, e definir a conduta adequada.
Progressão da doença é o aumento da carga tumoral, que leva a maior estímulo doloroso e, consequentemente, maior necessidade de opioides. É a causa mais comum de escalada da dose em pacientes oncológicos. Tolerância é um fenômeno farmacológico em que, com o uso crônico, o paciente necessita de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito analgésico. Embora a tolerância possa ocorrer, ela é menos comum e geralmente se desenvolve mais lentamente. A dependência física é um estado de adaptação fisiológica que se manifesta por sintomas de abstinência quando o opioide é suspenso abruptamente, e não é um motivo para manter a dose. O vício (transtorno por uso de substâncias) é um padrão comportamental de uso compulsivo, raro em pacientes com dor oncológica tratados adequadamente.
Na prática, a conduta correta diante de dor não controlada em paciente oncológico é titular a dose do opioide até o alívio adequado, sem teto máximo pré-definido. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a escada analgésica, e o uso de opioides fortes como a morfina é o padrão-ouro para dor moderada a intensa. A dose deve ser ajustada conforme a necessidade, e a troca de opioide (rotação) é considerada quando há efeitos adversos intoleráveis ou falha terapêutica, não como primeira conduta.
A pegadinha desta questão está em confundir tolerância com progressão da doença. A banca explora o conceito de tolerância, que é um termo técnico que o candidato pode associar erroneamente à necessidade de aumento de dose. No entanto, em um paciente oncológico com dor previamente controlada, a escalada da dose é mais sugestiva de progressão tumoral. Além disso, a alternativa D erra ao sugerir manter a dose para evitar dependência, o que é um equívoco grave, pois a dependência física não é um motivo para subtratar a dor.
Guarde a distinção entre progressão da doença (causa mais provável de escalada de dose em oncologia) e tolerância (fenômeno farmacológico menos comum): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A acerta ao identificar a progressão do câncer como causa, mas erra ao sugerir a troca da medicação. A troca de opioide (rotação) é indicada em casos de efeitos adversos intoleráveis ou falha terapêutica, não como primeira conduta diante de necessidade de aumento de dose. O paciente está estável com morfina, e a conduta correta é titular a dose.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B está correta ao identificar a progressão do câncer como causa mais provável e ao recomendar o aumento da dose da medicação. Em paciente oncológico com dor previamente controlada, a necessidade de doses crescentes de opioide é mais sugestiva de progressão tumoral, e a conduta é titular a dose até o alívio adequado, sem teto máximo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C erra ao atribuir o quadro ao desenvolvimento de tolerância. Embora a tolerância possa ocorrer, ela é menos comum e geralmente se desenvolve mais lentamente. Em paciente oncológico com dor previamente controlada, a escalada da dose é mais sugestiva de progressão da doença. A conduta de aumentar a dose está correta, mas a causa está errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D erra ao sugerir manter a dose para evitar dependência. A dependência física é um estado de adaptação fisiológica que não justifica subtratar a dor. Em paciente oncológico com dor não controlada, a conduta é aumentar a dose, não mantê-la. Além disso, a causa (tolerância) também está incorreta, pois a progressão da doença é mais provável.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E erra ao afirmar que o desenvolvimento de vício é comum. O vício (transtorno por uso de substâncias) é raro em pacientes com dor oncológica tratados adequadamente. Além disso, a conduta de trocar a medicação não é a primeira opção; a conduta correta é aumentar a dose.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tolerância e progressão da doença. Em paciente oncológico com dor previamente controlada, a escalada da dose é mais sugestiva de progressão tumoral, não de tolerância. Além disso, a alternativa D tenta induzir o candidato a manter a dose para evitar dependência, o que é um erro grave, pois a dependência física não justifica subtratar a dor. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de dor oncológica, lembre-se: a progressão da doença é a causa mais comum de escalada de dose de opioides. A tolerância é menos comum e se desenvolve mais lentamente. A dependência física não é motivo para manter a dose, e o vício é raro. A conduta correta é sempre titular a dose até o alívio adequado.