Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2026
Medicina›Médico da Família
Código
vu119866
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Paciente do sexo masculino, 54 anos, procura assistência médica em UBS para realizar consulta de rotina. Relata ter diabetes tipo 2 bem controlado com dieta e metformina. História familiar de hipertensão e câncer de tireoide em parentes de primeiro grau. Nega tabagismo e etilismo.Segundo o Ministério da Saúde, para qual patologia um exame de triagem deve ser realizado nesse paciente?
ACâncer de próstata.
BCâncer de pulmão.
CCâncer de pâncreas.
DCâncer colorretal.
EAneurisma de aorta abdominal.
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GabaritoD — Câncer colorretal.
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Rastreamento de Câncer Colorretal na Atenção Primária
Gabarito: letra D. Segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento do câncer colorretal é recomendado para homens e mulheres entre 50 e 75 anos, com métodos como pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) ou colonoscopia. O paciente de 54 anos, mesmo assintomático e com diabetes controlado, se enquadra nessa faixa etária, o que torna o rastreamento indicado. As demais alternativas não têm recomendação de rastreamento populacional para esse perfil, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.
O rastreamento é uma estratégia de prevenção secundária que visa detectar doenças em estágio inicial, antes do aparecimento de sintomas, em populações assintomáticas. O Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional de Câncer (INCA), define quais neoplasias têm evidência suficiente para justificar programas de rastreamento organizado. Para o câncer colorretal, a recomendação é baseada em estudos que mostram redução da mortalidade com a detecção precoce de pólipos adenomatosos, que são lesões precursoras. A faixa etária de 50 a 75 anos é o principal critério, independentemente de fatores de risco adicionais, como história familiar, que pode antecipar o início do rastreamento em alguns casos.
O paciente em questão tem 54 anos, o que o coloca dentro da faixa etária recomendada. A presença de diabetes tipo 2 bem controlado não altera essa indicação, pois não é um fator de risco específico para câncer colorretal que justifique rastreamento diferenciado. A história familiar de hipertensão e câncer de tireoide também não influencia a decisão, pois não são condições que aumentem o risco de câncer colorretal. O rastreamento deve ser oferecido a todos os adultos assintomáticos na faixa etária, independentemente desses fatores.
É importante distinguir o rastreamento do diagnóstico precoce. O rastreamento é realizado em pessoas assintomáticas, enquanto o diagnóstico precoce ocorre quando há sintomas. No caso do câncer colorretal, o rastreamento pode ser feito por pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) anualmente ou colonoscopia a cada 10 anos. A escolha do método depende da disponibilidade e da preferência do paciente, mas ambos são aceitos pelas diretrizes do Ministério da Saúde.
A pegadinha desta questão está em considerar que a história familiar de câncer de tireoide ou a presença de diabetes justificariam o rastreamento de outras neoplasias. No entanto, o Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional para câncer de próstata, pulmão, pâncreas ou aneurisma de aorta abdominal em homens assintomáticos de 54 anos. O câncer de próstata, por exemplo, tem recomendação de rastreamento baseada em decisão compartilhada, mas não é uma recomendação universal. O câncer de pulmão é rastreado apenas em populações de alto risco, como fumantes com carga tabágica elevada, o que não se aplica a este paciente. O câncer de pâncreas não tem método de rastreamento eficaz, e o aneurisma de aorta abdominal é rastreado apenas em homens com história de tabagismo, o que também não se aplica.
Portanto, a única alternativa que corresponde a uma recomendação de rastreamento do Ministério da Saúde para esse paciente é o câncer colorretal, devido à faixa etária. As demais opções não têm indicação de rastreamento para esse perfil clínico.
Rastreamento (prevenção secundária)
1População assintomática
2Faixa etária recomendada
3Câncer colorretal (50–75 anos)
PSOF anual
Colonoscopia a cada 10 anos
4Sem recomendação populacional
Próstata (decisão compartilhada)
Pulmão (só tabagista intenso)
Pâncreas (sem método eficaz)
Aneurisma de aorta (só tabagista 65–75)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O rastreamento do câncer de próstata não é recomendado de forma universal pelo Ministério da Saúde. A recomendação atual é de decisão compartilhada entre médico e paciente, considerando riscos e benefícios, e não uma indicação rotineira para todos os homens de 54 anos. O paciente não apresenta fatores de risco específicos, como etnia negra ou história familiar de câncer de próstata em parente de primeiro grau com diagnóstico antes dos 65 anos, que justificariam uma discussão mais direcionada. A alternativa erra ao sugerir que há uma recomendação de triagem obrigatória para essa patologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O rastreamento do câncer de pulmão é recomendado apenas para populações de alto risco, especificamente adultos com história de tabagismo intenso (carga tabágica de 30 anos-maço ou mais) e idade entre 50 e 80 anos, conforme diretrizes de sociedades médicas. O paciente nega tabagismo, o que o exclui desse grupo. O Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional para câncer de pulmão em não fumantes. A alternativa erra ao sugerir que há indicação de triagem para esse paciente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não há recomendação de rastreamento para câncer de pâncreas em população assintomática, pois não existe método de rastreamento eficaz que reduza a mortalidade. O câncer de pâncreas é uma neoplasia agressiva, geralmente diagnosticada em estágios avançados, e não há exame de triagem validado para detecção precoce em pessoas sem sintomas. A alternativa erra ao sugerir que há uma recomendação de triagem para essa patologia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O rastreamento do câncer colorretal é recomendado pelo Ministério da Saúde para adultos assintomáticos entre 50 e 75 anos, independentemente de fatores de risco adicionais. O paciente de 54 anos se enquadra nessa faixa etária, portanto, a triagem é indicada. Os métodos recomendados incluem pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) anualmente ou colonoscopia a cada 10 anos. A alternativa está correta ao identificar o câncer colorretal como a patologia para a qual um exame de triagem deve ser realizado nesse paciente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O rastreamento do aneurisma de aorta abdominal é recomendado apenas para homens com história de tabagismo, entre 65 e 75 anos, que já tenham fumado. O paciente nega tabagismo e tem 54 anos, portanto, não se enquadra nos critérios de rastreamento. O Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional para aneurisma de aorta abdominal em homens sem história de tabagismo. A alternativa erra ao sugerir que há indicação de triagem para esse paciente.