Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu119921
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Cirurgia do Quadril
Um paciente adulto, jovem e previamente hígido, apresenta uma fratura fechada de patela, em três partes, com afastamento entre os fragmentos de 5 mm. Nesse caso, o prosseguimento correto é indicar
Acirurgia, pois o aparelho extensor com esse desvio deve estar incompetente.
Btratamento não cirúrgico, somente após avaliação da integridade do tendão patelar com ressonância magnética (RM).
Ctratamento não cirúrgico com gesso circular inguino maleolar.
Dtratamento não cirúrgico com tala gessada inguino podálica.
Ecirurgia, pois com esse desvio o índice de pseudoartrose é muito elevado.
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GabaritoA — cirurgia, pois o aparelho extensor com esse desvio deve estar incompetente.
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Fratura de patela: indicação cirúrgica
Gabarito: letra A. Fratura fechada de patela em três partes, com afastamento de 5 mm entre os fragmentos, indica tratamento cirúrgico, pois o desvio compromete a competência do aparelho extensor do joelho — a alternativa A captura exatamente essa lógica. A base está na biomecânica da articulação: a patela é o ponto de apoio do mecanismo extensor, e qualquer desvio articular significativo ou perda da integridade do aparelho extensor exige redução anatômica e fixação interna.
A patela é o maior osso sesamoide do corpo e funciona como uma polia que aumenta o braço de alavanca do quadríceps. Quando há uma fratura desviada, o mecanismo extensor perde a continuidade, e o paciente não consegue estender ativamente o joelho — sinal clínico de incompetência do aparelho extensor. O tratamento conservador (imobilização gessada) só é aceitável em fraturas sem desvio ou com desvio mínimo (geralmente < 2–3 mm), com superfície articular preservada e mecanismo extensor íntegro. Acima disso, a redução anatômica e a osteossíntese são necessárias para restaurar a função e evitar complicações como perda de extensão, patela alta e artrose precoce.
No caso apresentado, a fratura é em três partes (multifragmentar) e o afastamento é de 5 mm — ambos os critérios apontam para cirurgia. O desvio de 5 mm é claramente superior ao limite aceitável para tratamento conservador, e a fratura em três partes indica instabilidade e perda da superfície articular. A cirurgia (redução aberta e fixação interna, geralmente com banda de tensão ou parafusos) restaura a anatomia e permite mobilização precoce, essencial para a recuperação funcional.
A alternativa E tenta justificar a cirurgia pelo risco de pseudoartrose, mas esse não é o principal motivo. A pseudoartrose é uma complicação possível, mas a indicação cirúrgica imediata se baseia na incompetência do aparelho extensor e no desvio articular, não no risco de não consolidação. A banca explora essa confusão: o candidato pode achar que a cirurgia é indicada pelo risco de pseudoartrose, quando na verdade o critério decisivo é a perda da função extensora.
Guarde o critério: desvio > 2–3 mm OU fratura articular desviada OU perda do mecanismo extensor → cirurgia. É exatamente esse critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
1Desvio > 2–3 mm?
2Articular desviada?
3Extensor incompetente?
4[+] Cirurgia (RAFI)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que a cirurgia é indicada porque o aparelho extensor com esse desvio deve estar incompetente. Isso está correto: o desvio de 5 mm entre os fragmentos de uma fratura em três partes compromete a continuidade do mecanismo extensor, tornando-o incompetente. A cirurgia (redução aberta e fixação interna) é o tratamento de escolha para restaurar a função e a anatomia articular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B sugere tratamento não cirúrgico após avaliação do tendão patelar com RM. Isso está errado por dois motivos: (1) o desvio de 5 mm já é indicação cirúrgica independentemente da integridade do tendão; (2) a RM não é necessária para decidir o tratamento nesse caso — as radiografias simples (AP, perfil e axial) são suficientes para avaliar o desvio e a classificação da fratura. A RM seria útil apenas em suspeita de lesões de partes moles associadas, não como pré-requisito para o tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C propõe tratamento não cirúrgico com gesso circular inguino-maleolar. Isso está errado: o desvio de 5 mm contraindica o tratamento conservador. Além disso, o tipo de imobilização descrito (gesso inguino-maleolar) não é o padrão para fraturas de patela — o tratamento conservador, quando indicado, usa imobilização em extensão (tipo gesso ou tala posterior), não um gesso longo que vai da virilha ao maléolo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D também propõe tratamento não cirúrgico, agora com tala gessada inguino-podálica. O erro é o mesmo da alternativa C: o desvio de 5 mm exige cirurgia. Além disso, a imobilização descrita não é adequada para fratura de patela — o tratamento conservador, quando cabível, usa imobilização em extensão do joelho, não uma tala que vai da virilha ao pé.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E indica cirurgia, mas justifica pelo risco elevado de pseudoartrose. Embora a cirurgia seja de fato indicada, a justificativa está errada: o motivo principal é a incompetência do aparelho extensor e o desvio articular, não o risco de pseudoartrose. A pseudoartrose é uma complicação possível, mas não é o critério que define a indicação cirúrgica imediata. A banca troca o motivo correto (incompetência do extensor) por um motivo secundário (pseudoartrose) para confundir o candidato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar o motivo da cirurgia. Aqui, a alternativa E acerta a conduta (cirurgia) mas erra a justificativa (pseudoartrose). O critério decisivo é a incompetência do aparelho extensor — não o risco de não consolidação. Fique atento: quando a alternativa traz a conduta certa com a justificativa errada, ela é incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Para fraturas de patela, decore os critérios de cirurgia: desvio > 2–3 mm, fratura articular desviada, perda do mecanismo extensor, fratura exposta. Se o desvio for pequeno e o extensor íntegro, pode tratar conservadoramente com imobilização em extensão. Na dúvida, lembre-se: a patela é essencial para a extensão do joelho — qualquer desvio significativo compromete a função.