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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2026

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
vu119925
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Cirurgia do Quadril
Uma criança de 08 anos de idade, previamente hígida, é trazida para o pronto-socorro por sua mãe devido a dor e deformidade no antebraço direito, após queda no parquinho. No raio-x, apresenta uma fratura do terço distal do rádio extra-articular, com 10 graus de angulação antero-posterior. Sobre o exposto, é correto afirmar:
  1. Aa cirurgia será indicada se houver perda de redução, nas próximas 03 semanas, e se o desvio retornar ao valor prévio.
  2. Bo tratamento inicial para essa fratura é um gesso circular antebraquio palmar imobilizando o polegar.
  3. Cpela localização da fratura, há excelente potencial de remodelação, pois o rádio distal é responsável por 75% a 85% do crescimento longitudinal ósseo.
  4. Dpela angulação da fratura, uma redução incruenta sob anestesia é necessária.
  5. Ea partir dessa idade, o potencial para remodelação é menor e, por isso, os desvios aceitos são menores.
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GabaritoC — pela localização da fratura, há excelente potencial de remodelação, pois o rádio distal é responsável por 75% a 85% do crescimento longitudinal ósseo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fratura do terço distal do rádio em criança: remodelação e tratamento

Gabarito: letra C. A fratura do terço distal do rádio em criança de 8 anos tem excelente potencial de remodelação porque a extremidade distal do rádio é responsável por cerca de 80% do crescimento longitudinal do antebraço — o que permite aceitar desvios angulares moderados sem necessidade de redução. A alternativa C espelha exatamente esse conceito, enquanto as demais apresentam erros quanto à indicação cirúrgica, ao tipo de imobilização e aos limites de desvio aceitáveis.

A fratura do terço distal do rádio é a mais comum do membro superior, e seu tratamento em crianças difere radicalmente do tratamento em adultos. O princípio central é que a placa de crescimento (fise) distal do rádio é responsável por aproximadamente 80% do crescimento do antebraço, o que confere uma capacidade de remodelação muito alta. Isso significa que desvios que seriam inaceitáveis em adultos podem ser tolerados em crianças, pois o crescimento ósseo subsequente corrige a deformidade de forma espontânea.

A literatura é clara: fraturas com até 15 graus de angulação e translocação de até 30% em qualquer idade tendem a remodelar completamente e rapidamente (até 9 meses) e não necessitam de redução. Para crianças até 8 anos, são aceitáveis desvios inferiores a 15 graus na incidência AP e 20 graus em perfil. Acima dos 9 anos, os desvios aceitáveis caem para 10 graus. No caso da questão, a criança tem 8 anos e a fratura apresenta 10 graus de angulação AP — bem dentro do limite aceitável, portanto não há indicação de redução.

O tratamento inicial para fraturas sem desvio ou com desvio aceitável é a imobilização gessada. Para fraturas do terço distal do antebraço, podem ser utilizados tanto aparelhos gessados antebraquiopalmares quanto axilopalmares, sem alteração significativa no resultado final. O mais importante é a confecção de um gesso bem moldado. A cirurgia fica reservada para casos de perda de redução com desvio inaceitável, fraturas instáveis ou lesões fisárias com desvio significativo.

A pegadinha desta questão está na tentativa de aplicar conceitos de tratamento de adultos a crianças. A banca explora a tendência de indicar tratamentos mais agressivos e desnecessários, quando na verdade a maioria das fraturas desviadas em crianças é estável após a redução e pode ser tratada de modo conservador. O potencial de remodelação é o fator que decide a conduta, e é exatamente esse conceito que separa as alternativas.

Fratura do rádio distal em criança
  • 1Potencial de remodelação
    • Fise distal = ~80% do crescimento
    • Excelente em crianças
  • 2Desvios aceitáveis (sem redução)
    • Até 8 anos: 15° AP / 20° perfil
    • Acima de 9 anos: 10° AP e perfil
  • 3Tratamento
    • Conservador (gesso) se dentro do limite
    • Cirúrgico se desvio inaceitável
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a cirurgia será indicada se houver perda de redução nas próximas 3 semanas e se o desvio retornar ao valor prévio. O erro está em considerar que o retorno ao desvio prévio (10 graus) seria indicação cirúrgica. Como 10 graus de angulação AP está dentro do limite aceitável para uma criança de 8 anos (até 15 graus), mesmo que ocorra perda de redução e o desvio retorne a esse valor, não há indicação cirúrgica. A cirurgia só seria indicada se o desvio ultrapassasse os limites aceitáveis.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento inicial é um gesso circular antebraquiopalmar imobilizando o polegar. O erro está em imobilizar o polegar, o que não é necessário para fraturas do terço distal do rádio. A imobilização deve limitar os movimentos do punho, mas não há necessidade de incluir o polegar. Além disso, para fraturas com desvio, a literatura indica gesso axilopalmar (braquiopalmar) com cotovelo fletido a 90 graus, e não apenas antebraquiopalmar.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que pela localização da fratura há excelente potencial de remodelação, pois o rádio distal é responsável por 75% a 85% do crescimento longitudinal ósseo. Isso está correto: a extremidade distal do rádio é responsável por cerca de 80% do crescimento do antebraço, o que confere alta capacidade de remodelação. Essa é a razão pela qual desvios moderados, como os 10 graus de angulação AP do caso, são aceitáveis e tendem a remodelar completamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que pela angulação da fratura uma redução incruenta sob anestesia é necessária. O erro está em considerar que 10 graus de angulação AP exige redução. Para uma criança de 8 anos, o limite aceitável é de 15 graus na incidência AP, portanto 10 graus está dentro do aceitável e não há indicação de redução. A redução só seria necessária se o desvio ultrapassasse os limites aceitáveis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a partir dessa idade o potencial para remodelação é menor e, por isso, os desvios aceitos são menores. O erro está em considerar que aos 8 anos o potencial de remodelação já é menor. Na verdade, o potencial de remodelação é maior nas crianças de menor idade, mas aos 8 anos ainda é excelente, especialmente em fraturas metafisárias próximas à fise. Os desvios aceitáveis para crianças até 8 anos são de 15 graus em AP e 20 graus em perfil, e só acima dos 9 anos os limites caem para 10 graus.

PEGA ESSA DICA!

Para fraturas do rádio distal em crianças, memorize os limites de desvio aceitáveis por idade: até 8 anos — 15° AP e 20° perfil; acima de 9 anos — 10° AP e perfil. Se o desvio estiver dentro desses limites, o tratamento é conservador com imobilização; se ultrapassar, indica-se redução. Essa tabela resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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