Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu119936
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Cirurgia do Quadril
Na displasia de desenvolvimento do quadril, qual são os sinais ou testes que possuem alta porcentagem de positividade na criança de dois meses e também na criança de doze meses?
ATeste de Ely.
BSinal de Ortolani.
CSinal de Galeazzi.
DTeste de Barlow.
ESinal de Trendelenburg.
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GabaritoC — Sinal de Galeazzi.
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Displasia do Desenvolvimento do Quadril: Sinais Clínicos
Gabarito: letra C. O sinal de Galeazzi é o que apresenta alta porcentagem de positividade tanto na criança de dois meses quanto na de doze meses, pois se mantém positivo enquanto houver encurtamento relativo do membro, um achado que persiste com o crescimento. Os demais testes (Ortolani, Barlow) são específicos do recém-nascido e perdem sua validade após os primeiros meses de vida, enquanto o sinal de Trendelenburg e o teste de Ely avaliam outras condições, não sendo específicos para a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ).
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma condição em que há uma alteração na relação entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, podendo variar desde uma simples displasia (acetábulo raso) até uma luxação franca. O diagnóstico precoce é fundamental, pois o tratamento é mais eficaz e menos invasivo quanto mais cedo for iniciado. A triagem clínica é feita por meio de manobras específicas, que devem ser realizadas em todos os recém-nascidos e repetidas ao longo do primeiro ano de vida, conforme o material de apoio: "Todos os recém-nascidos devem ser examinados nas primeiras 24 horas de vida para triagem clínica de displasia do desenvolvimento do quadril. Esse exame deve ser repetido antes da alta hospitalar, com 6 semanas de vida, entre 6 e 9 meses e próximo da idade de caminhar (11-12 meses)."
Os principais testes clínicos para DDQ são o teste de Barlow e o sinal de Ortolani. O teste de Barlow é uma manobra que tenta luxar o quadril: com o quadril aduzido e fletido a 90°, o examinador empurra posteriormente a coxa, e o teste é positivo se sentir a cabeça do fêmur deslocando-se para trás. O sinal de Ortolani é uma manobra de redução: com o quadril fletido, o examinador abduz a coxa enquanto eleva o grande trocânter, e o teste é positivo ao sentir um "estalido" (não audível) quando a cabeça do fêmur volta para o acetábulo. Ambos os testes são válidos apenas nos primeiros meses de vida, pois dependem da frouxidão ligamentar e da imaturidade da cápsula articular, que diminuem com o crescimento. O próprio material de apoio destaca que o sinal de Ortolani "só tem validade nos primeiros meses de vida".
O sinal de Galeazzi, por sua vez, é um sinal de encurtamento relativo do membro inferior. Com a criança em decúbito dorsal, joelhos fletidos e pés apoiados na maca, observa-se que um joelho fica mais baixo que o outro, indicando que o fêmur daquele lado está mais curto ou deslocado posteriormente. Esse sinal é positivo na luxação unilateral, pois a cabeça do fêmur deslocada para trás e para cima encurta o membro. Diferentemente dos testes de Ortolani e Barlow, o sinal de Galeazzi não depende da frouxidão ligamentar e, portanto, permanece positivo enquanto houver a luxação, sendo útil tanto no lactente jovem quanto na criança que já caminha. É por isso que ele apresenta alta porcentagem de positividade tanto aos 2 meses quanto aos 12 meses.
A distinção crucial é entre os testes que avaliam a instabilidade/luxabilidade (Barlow e Ortolani) e os que avaliam a deformidade estabelecida (Galeazzi). Os primeiros são dinâmicos e perdem a validade com o amadurecimento; o segundo é estático e persiste. O sinal de Trendelenburg, por outro lado, é um sinal de insuficiência do glúteo médio, observado quando a criança apoia o peso em um só membro e a pelve do lado oposto cai; ele é positivo em diversas condições, como luxação congênita do quadril, coxa vara e paralisia do glúteo médio, mas não é um teste de triagem precoce. O teste de Ely avalia a contratura do reto femoral, sendo utilizado na avaliação de espasticidade e encurtamento muscular, não tendo relação com a DDQ.
A banca explora a confusão entre os testes que são positivos apenas no recém-nascido (Ortolani e Barlow) e aqueles que permanecem positivos com o crescimento (Galeazzi). O candidato que memoriza que "Ortolani e Barlow são os testes para DDQ" pode marcar uma dessas alternativas, mas a questão pede especificamente o teste com alta positividade tanto aos 2 meses quanto aos 12 meses, o que exclui os testes dinâmicos da fase neonatal. O sinal de Galeazzi é a resposta, pois reflete a assimetria de comprimento que persiste na luxação não tratada.
Testes para DDQ
1Avaliam instabilidade (dinâmicos)
Barlow (tenta luxar)
Ortolani (tenta reduzir)
Só válidos nos primeiros meses
2Avaliam deformidade (estáticos)
Galeazzi (encurtamento relativo)
Persiste enquanto houver luxação
3Outros sinais
Trendelenburg (glúteo médio)
Ely (reto femoral)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O teste de Ely avalia a contratura do músculo reto femoral. Com o paciente em decúbito ventral, o examinador flete o joelho; se o quadril do mesmo lado elevar-se, o teste é positivo, indicando encurtamento do reto femoral. Esse teste é utilizado na avaliação de espasticidade (como na paralisia cerebral) e em disfunções neuromusculares, não tendo relação com a displasia do desenvolvimento do quadril. Portanto, não é um sinal de DDQ e não se aplica à pergunta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sinal de Ortolani é uma manobra de redução da luxação, positiva quando se sente um "estalido" ao abduzir o quadril e reposicionar a cabeça do fêmur no acetábulo. Conforme o material de apoio, esse sinal "só tem validade nos primeiros meses de vida", pois depende da frouxidão ligamentar típica do recém-nascido. Aos 12 meses, a criança já apresenta maior estabilidade articular e a manobra perde sua acurácia, sendo o sinal de Galeazzi mais confiável nessa faixa etária. Portanto, o sinal de Ortolani não apresenta alta positividade na criança de doze meses.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O sinal de Galeazzi é um sinal de encurtamento relativo do membro inferior, observado quando, com a criança em decúbito dorsal e joelhos fletidos, um joelho fica mais baixo que o outro. Esse sinal é positivo na luxação unilateral do quadril, pois a cabeça do fêmur deslocada encurta o membro. Diferentemente dos testes de Ortolani e Barlow, que avaliam a instabilidade e perdem a validade nos primeiros meses, o sinal de Galeazzi avalia a deformidade estabelecida e permanece positivo enquanto houver a luxação, sendo útil tanto no lactente de 2 meses quanto na criança de 12 meses. É por isso que ele apresenta alta porcentagem de positividade em ambas as idades.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O teste de Barlow é uma manobra que tenta luxar o quadril, empurrando a cabeça do fêmur posteriormente. Assim como o sinal de Ortolani, ele é um teste dinâmico que depende da frouxidão ligamentar e da imaturidade da cápsula articular, sendo válido apenas nos primeiros meses de vida. O material de apoio descreve o teste de Barlow como parte da triagem inicial do recém-nascido, mas não menciona sua validade em idades mais avançadas. Aos 12 meses, a frouxidão ligamentar já diminuiu e o teste perde sua acurácia, não apresentando alta positividade nessa faixa etária.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O sinal de Trendelenburg é um sinal de insuficiência do músculo glúteo médio. Com o paciente em pé, apoiando o peso em um só membro, observa-se se a pelve do lado oposto cai. Esse sinal é positivo em diversas condições, como luxação congênita do quadril, coxa vara, paralisia do glúteo médio e artrite séptica do quadril. No entanto, ele não é um teste de triagem precoce para DDQ, pois só se manifesta quando a criança já deambula e consegue ficar em um pé só, o que ocorre por volta dos 12 meses. Além disso, não é específico da DDQ, podendo ser positivo em outras condições. Portanto, não é um sinal com alta positividade na criança de dois meses.