Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu119937
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Cirurgia do Quadril
Uma mulher, previamente hígida, apresenta uma fratura fechada no pé direito, no raio-x, após queda de bicicleta hoje. A fratura acomete a cunha medial e a base do segundo metatarso, que estão praticamente sem desvio.Em relação a esse caso, qual o procedimento adequado?
ASolicitar uma tomografia computadorizada para avaliar a fratura no pé, bem como excluir outras fraturas associadas.
BAlta com gesso suropodálico sem carga por 06 semanas.
CSolicitar que o paciente retorne, em 10 dias, quando a dor for menor, para realizar um novo raio-x do pé e observar se houve desvio.
DSolicitar um raio-x do tornozelo pela alta associação de fraturas nessa região.
EAlta com órtese tipo robofoot e carga parcial com muletas.
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GabaritoA — Solicitar uma tomografia computadorizada para avaliar a fratura no pé, bem como excluir outras fraturas associadas.
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Fratura de Lisfranc: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra A. Em uma fratura fechada da cunha medial e base do segundo metatarso, praticamente sem desvio, o procedimento adequado é solicitar uma tomografia computadorizada para avaliar a fratura e excluir outras fraturas associadas. A tomografia é o exame de escolha para caracterizar a lesão de Lisfranc e identificar lesões ocultas, conforme a literatura ortopédica.
A lesão de Lisfranc é uma fratura-luxação da articulação tarso-metatarsiana, que envolve a base do segundo metatarso e a cunha medial. O ligamento de Lisfranc é o principal estabilizador dessa articulação, conectando a base do segundo metatarso à cunha medial. O mecanismo de lesão mais comum é o trauma indireto, com força axial aplicada ao pé em equino leve, como ocorre em quedas de bicicleta. O diagnóstico é desafiador, pois as radiografias simples podem não evidenciar pequenos deslocamentos. Por isso, a tomografia computadorizada é fundamental para avaliar a extensão da lesão e planejar o tratamento.
O tratamento conservador é indicado para fraturas sem desvio ou com desvio mínimo, com imobilização gessada por 3 a 7 semanas. No entanto, a conduta inicial deve incluir a investigação adequada com tomografia, pois a lesão de Lisfranc pode estar associada a outras fraturas ocultas. A radiografia simples, embora útil, pode subestimar a gravidade da lesão. A tomografia permite uma avaliação detalhada da articulação e a detecção de fraturas associadas, como as do cuboide e dos demais metatarsos.
A alternativa A é a correta porque a tomografia computadorizada é o exame de imagem mais sensível para avaliar a lesão de Lisfranc e excluir outras fraturas. As demais alternativas apresentam condutas inadequadas para o caso, seja por não realizar a investigação adequada, seja por propor tratamentos que não correspondem à gravidade da lesão.
A pegadinha da questão está em considerar que uma fratura sem desvio pode ser tratada apenas com imobilização, sem investigação adicional. No entanto, a lesão de Lisfranc é conhecida por ser subdiagnosticada em radiografias simples, e a tomografia é essencial para um diagnóstico preciso. O aluno deve lembrar que, em traumas de alta energia ou com mecanismo sugestivo, a investigação com tomografia é mandatória.
1Radiografia inicial
2Tomografia computadorizada
3Planejar tratamento
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tomografia computadorizada é o exame de escolha para avaliar a fratura de Lisfranc, pois permite identificar com precisão o desvio, a cominuição e as fraturas associadas. A radiografia simples pode não evidenciar pequenos deslocamentos, e a tomografia é fundamental para o planejamento do tratamento. A conduta de solicitar a tomografia é adequada para excluir outras fraturas e avaliar a extensão da lesão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alta com gesso suropodálico sem carga por 6 semanas é uma conduta precipitada, pois não há investigação adequada da lesão. A fratura de Lisfranc pode estar associada a outras lesões que não são visíveis na radiografia simples. O tratamento conservador pode ser indicado, mas somente após a avaliação completa com tomografia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Solicitar que o paciente retorne em 10 dias para um novo raio-x é uma conduta inadequada, pois a radiografia simples pode não evidenciar a lesão de Lisfranc mesmo após esse período. A tomografia é o exame de escolha para avaliar a lesão e deve ser solicitada na avaliação inicial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar um raio-x do tornozelo não é a conduta adequada, pois a lesão é no pé, e a radiografia do tornozelo não avalia a articulação tarso-metatarsiana. A tomografia do pé é o exame indicado para avaliar a fratura de Lisfranc.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alta com órtese tipo robofoot e carga parcial com muletas é uma conduta inadequada, pois não há investigação adequada da lesão. O tratamento conservador pode ser indicado, mas somente após a avaliação completa com tomografia.