Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu119952
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 55 anos, sem mutação conhecida em BRCA, deseja saber se deve realizar rastreamento para câncer de ovário. Não apresenta sintomas nem fatores de risco específicos.A recomendação atual é
Arealizar ultrassonografia transvaginal anual.
Bdosar CA-125 anual.
Crealizar US e CA-125 anuais combinados.
Dnão realizar rastreamento de rotina, apenas avaliação clínica.
Eindicar salpingo-ooforectomia profilática.
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GabaritoD — não realizar rastreamento de rotina, apenas avaliação clínica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Rastreamento do câncer de ovário em mulher de risco habitual
Gabarito: letra D. Para mulheres assintomáticas, sem mutação conhecida em BRCA e sem fatores de risco específicos, a recomendação atual é não realizar rastreamento de rotina para câncer de ovário, apenas avaliação clínica — pois não há evidência de que ultrassonografia transvaginal ou CA-125 reduzam a mortalidade nesse grupo. Essa conduta está alinhada às principais diretrizes (USPSTF, ACOG, NCCN) e à literatura médica, que desaconselham o rastreamento populacional.
O câncer de ovário é a neoplasia ginecológica mais letal, e isso se deve, em grande parte, ao diagnóstico tardio: cerca de dois terços dos casos são identificados em estágio avançado, quando a doença já se disseminou pela cavidade peritoneal. Apesar disso, a história natural da doença e a baixa prevalência na população geral fazem com que o rastreamento em massa não traga benefício — pelo contrário, pode gerar danos, como cirurgias desnecessárias por resultados falso-positivos. O risco de uma mulher desenvolver câncer de ovário ao longo da vida é de aproximadamente 1,4%, e a maioria dos casos é esporádica, sem mutação hereditária identificável.
A lógica por trás da recomendação é a seguinte: para que um rastreamento seja indicado, é preciso que o exame detecte a doença em fase precoce e que essa detecção precoce reduza a mortalidade. No caso do câncer de ovário, a ultrassonografia transvaginal e o CA-125 têm sensibilidade e especificidade limitadas — o CA-125, por exemplo, pode estar elevado em diversas condições benignas (endometriose, miomas, doença inflamatória pélvica, menstruação) e normal em até 20% dos cânceres epiteliais em estágio inicial. Estudos randomizados, como o PLCO (Prostate, Lung, Colorectal and Ovarian Cancer Screening Trial), não demonstraram redução de mortalidade com o rastreamento anual combinado (US + CA-125), e ainda observaram aumento de complicações cirúrgicas em mulheres com resultados falso-positivos.
Na prática, a conduta se divide conforme o risco:
Grupo
Recomendação
Risco habitual (sem história familiar, sem mutação)
Não rastrear; avaliação clínica e orientação sobre sintomas
Alto risco (mutação BRCA1/2, síndrome de Lynch, forte história familiar)
Rastreamento com US transvaginal e CA-125 semestrais/anuais a partir de 30-35 anos, OU salpingo-ooforectomia redutora de risco após prole completa
A salpingo-ooforectomia profilática, citada na alternativa E, é reservada a mulheres com mutação BRCA1/2 comprovada ou síndrome de Lynch, pois reduz o risco de câncer de ovário e tuba em cerca de 80%. Não se aplica a uma mulher de 55 anos sem mutação conhecida e sem fatores de risco — seria uma conduta mutilante e sem indicação. Já a alternativa que combina US e CA-125 anuais (letra C) é exatamente o que os estudos mostraram não trazer benefício na população geral, sendo, portanto, incorreta.
A pegadinha central desta questão é a tentação de "fazer algo" diante de uma paciente que pergunta sobre prevenção. O candidato pode sentir que "não fazer nada" é uma resposta incompleta, mas a medicina baseada em evidências mostra que, neste cenário, a melhor conduta é justamente não rastrear — e isso é o que as diretrizes recomendam. Guarde o critério: rastreamento de câncer de ovário só se justifica em mulheres de alto risco; para as demais, a orientação é avaliação clínica e vigilância de sintomas (distensão abdominal, dor pélvica, saciedade precoce, alteração do hábito intestinal).
Rastreamento de câncer de ovário
1Risco habitual
Não rastrear de rotina
Avaliação clínica
Orientar sintomas
2Alto risco (BRCA, Lynch)
US transvaginal + CA-125
OU salpingo-ooforectomia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Realizar ultrassonografia transvaginal anual não é recomendado para mulheres de risco habitual. A US transvaginal tem baixa especificidade para câncer de ovário em estágio inicial — muitos achados (cistos simples, septações finas) são benignos e levam a investigações e cirurgias desnecessárias. Estudos populacionais não demonstraram redução de mortalidade com essa estratégia isolada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Dosar CA-125 anualmente também não é indicado. O CA-125 é um marcador com sensibilidade limitada para doença precoce (pode estar normal em até 50% dos cânceres em estágio I) e especificidade baixa, pois se eleva em diversas condições benignas ginecológicas e não ginecológicas. Seu uso é validado para monitoramento de resposta ao tratamento e detecção de recidiva em pacientes já diagnosticadas, não para rastreamento populacional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A combinação de US transvaginal e CA-125 anuais foi testada em grandes estudos randomizados (como o PLCO) e não demonstrou redução da mortalidade por câncer de ovário. Além disso, a taxa de falso-positivos gerou complicações cirúrgicas em mulheres sem neoplasia. Essa é a estratégia que, intuitivamente, parece razoável, mas a evidência a desaconselha para a população de risco habitual.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Para mulher de 55 anos, assintomática, sem mutação BRCA e sem fatores de risco, a recomendação é não realizar rastreamento de rotina, apenas avaliação clínica. Isso significa orientar a paciente sobre os sintomas que merecem investigação (distensão abdominal persistente, dor pélvica, saciedade precoce, alteração do hábito intestinal) e realizar exame ginecológico conforme a rotina. Essa conduta está em consonância com as diretrizes do USPSTF, ACOG e NCCN, que desaconselham o rastreamento populacional do câncer de ovário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Indicar salpingo-ooforectomia profilática é uma conduta reservada a mulheres com alto risco — mutação BRCA1/2 comprovada, síndrome de Lynch ou forte história familiar de câncer de ovário/mama. Nesta paciente, sem mutação conhecida e sem fatores de risco, a cirurgia profilática seria mutilante, com morbidade significativa (menopausa cirúrgica, riscos anestésicos e cirúrgicos) e sem benefício comprovado. A redução de risco de cerca de 80% se aplica apenas ao grupo de mutação comprovada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a ansiedade do candidato em "fazer algo" pela paciente. As alternativas A, B e C oferecem exames que parecem preventivos, mas a evidência mostra que, no risco habitual, eles não reduzem mortalidade e ainda geram danos por falso-positivos. A letra E apela para a conduta radical, que só cabe no alto risco. A resposta correta — "não rastrear" — é contraintuitiva, mas é exatamente o que as diretrizes recomendam. Lembre-se: rastreamento de câncer de ovário só para alto risco.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a paciente for de risco habitual (sem mutação, sem história familiar forte), a resposta quase sempre será "não rastrear" ou "avaliação clínica". Guarde o par: risco habitual → não rastrear; alto risco (BRCA, Lynch) → rastrear com US + CA-125 OU cirurgia redutora de risco. Essa dicotomia resolve a maioria das questões sobre o tema.