Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu119953
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 40 anos, portadora de mutação germinativa MSH2, ainda em idade reprodutiva, deseja saber sobre o rastreamento e prevenção de câncer ginecológico.A orientação correta é
Arealizar rastreamento anual com ultrassonografia transvaginal e CA-125.
Brealizar histeroscopia e biópsia endometrial a cada 3 anos.
Crecomendar histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral após completar prole.
Dutilizar contraceptivo oral para reduzir risco endometrial e ovariano e dispensar cirurgia.
Enão há risco aumentado para câncer ginecológico.
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GabaritoC — recomendar histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral após completar prole.
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Síndrome de Lynch e prevenção de câncer ginecológico
Gabarito: letra C. Para uma mulher com mutação germinativa em gene de reparo do DNA (MSH2), o risco de câncer de endométrio e de ovário é elevado, e a conduta preventiva recomendada após completar a prole é a histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral (cirurgia redutora de risco). Essa orientação está alinhada com as diretrizes de manejo da síndrome de Lynch, que indicam a cirurgia profilática após o fim da idade reprodutiva.
A síndrome de Lynch, também chamada de câncer colorretal hereditário não poliposo (HNPCC), é uma condição genética autossômica dominante causada por mutações em genes de reparo do DNA (mismatch repair), como MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2. Esses genes são responsáveis por corrigir erros que ocorrem durante a replicação do DNA; quando estão defeituosos, há acúmulo de mutações, o que aumenta muito o risco de vários tipos de câncer, especialmente colorretal e ginecológico. Em mulheres com síndrome de Lynch, o risco de câncer de endométrio ao longo da vida é de aproximadamente 40–60%, e o de câncer de ovário, de 10–12% — riscos que justificam medidas preventivas específicas.
O rastreamento do câncer de endométrio nessa população é feito com biópsia de endométrio anual, e não com ultrassonografia transvaginal ou CA-125, que têm baixa sensibilidade para detectar lesões precursoras. A histeroscopia com biópsia a cada 3 anos também não é a conduta recomendada, pois o intervalo é longo demais para uma síndrome de alto risco. O uso de contraceptivo oral pode reduzir o risco de câncer de ovário e endométrio na população geral, mas não é suficiente para substituir a cirurgia profilática em portadoras de mutação de alto risco. A alternativa E está incorreta, pois há risco aumentado.
A cirurgia redutora de risco — histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral — é a medida mais eficaz para prevenir câncer de endométrio e de ovário em portadoras da síndrome de Lynch. Ela é recomendada após a conclusão do desejo reprodutivo, geralmente entre 35 e 40 anos ou após a prole completa, pois elimina o tecido-alvo dos dois cânceres ginecológicos mais associados à síndrome. A decisão deve ser compartilhada entre a paciente e a equipe médica, considerando idade, paridade e preferências pessoais.
A pegadinha desta questão está em confundir o rastreamento da síndrome de Lynch com o rastreamento populacional de câncer de ovário ou com condutas de outras síndromes. A banca oferece alternativas que seriam plausíveis em outros contextos, mas que não se aplicam a uma portadora de mutação de alto risco. O critério decisivo é reconhecer que, em síndromes hereditárias de alto risco, a prevenção cirúrgica é superior ao rastreamento.
Síndrome de Lynch (HNPCC)
1Causa
Mutações em genes de reparo (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2)
Herança autossômica dominante
2Riscos ginecológicos
Câncer de endométrio (40–60%)
Câncer de ovário (10–12%)
3Rastreamento
Biópsia de endométrio anual
USG transvaginal + CA-125 (baixa sensibilidade)
Histeroscopia a cada 3 anos (intervalo longo)
4Prevenção
Histerectomia total + salpingo-ooforectomia bilateral
Após completar prole (35–40 anos)
Elimina tecido-alvo dos dois cânceres
ACO isolado (não substitui cirurgia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ultrassonografia transvaginal e o CA-125 não são recomendados como rastreamento anual para câncer de ovário em portadoras da síndrome de Lynch. Esses métodos têm baixa sensibilidade e especificidade para detecção precoce, e não há evidência de que reduzam a mortalidade nessa população. O rastreamento do câncer de endométrio é feito com biópsia de endométrio anual, não com ultrassom.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A histeroscopia com biópsia endometrial a cada 3 anos não é a conduta recomendada. O intervalo de 3 anos é inadequado para uma síndrome de alto risco, pois o câncer de endométrio pode se desenvolver rapidamente. A recomendação é biópsia de endométrio anual, e não histeroscopia a cada 3 anos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral após completar a prole é a medida preventiva mais eficaz para reduzir o risco de câncer de endométrio e de ovário em portadoras da síndrome de Lynch. Essa cirurgia remove os órgãos-alvo dos dois cânceres ginecológicos mais associados à síndrome, eliminando praticamente o risco. A recomendação é feita após o fim da idade reprodutiva, geralmente entre 35 e 40 anos ou após a prole completa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O contraceptivo oral pode reduzir o risco de câncer de ovário e endométrio na população geral, mas não é suficiente para substituir a cirurgia profilática em portadoras de mutação de alto risco. O risco residual permanece elevado, e a cirurgia é a medida mais eficaz. Além disso, o uso de contraceptivo oral não elimina o risco de câncer de endométrio, que é o mais comum na síndrome de Lynch.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Há risco aumentado para câncer ginecológico em portadoras da síndrome de Lynch. O risco de câncer de endométrio ao longo da vida é de aproximadamente 40–60%, e o de câncer de ovário, de 10–12%. A afirmação de que não há risco aumentado é completamente incorreta.