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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu119955
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 55 anos, sem mutação conhecida em BRCA, deseja saber se deve realizar rastreamento para câncer de ovário. Não apresenta sintomas nem fatores de risco específicos.Qual é a recomendação atual?
  1. ARealizar ultrassonografia transvaginal anual.
  2. BDosar CA-125 anual.
  3. CRealizar US e CA-125 anuais combinados.
  4. DNão realizar rastreamento de rotina, apenas avaliação clínica.
  5. EIndicar salpingo-ooforectomia profilática.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Não realizar rastreamento de rotina, apenas avaliação clínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de ovário em mulher de risco habitual

Gabarito: letra D. Para mulheres sem mutação conhecida em BRCA e sem fatores de risco específicos, a recomendação atual é não realizar rastreamento de rotina para câncer de ovário, apenas avaliação clínica. Essa conduta é baseada nas diretrizes de sociedades como a American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e a US Preventive Services Task Force (USPSTF), que concluíram que o rastreamento com ultrassonografia transvaginal e/ou CA-125 não reduz a mortalidade por câncer de ovário e pode levar a procedimentos desnecessários.

O câncer de ovário é uma neoplasia de alta letalidade, frequentemente diagnosticada em estágios avançados, o que gera a tentação de rastrear todas as mulheres. No entanto, a evidência científica atual é clara: não há benefício comprovado do rastreamento populacional em mulheres de risco habitual. Os exames de imagem e o marcador tumoral CA-125 têm baixa sensibilidade e especificidade para detecção precoce, resultando em alta taxa de falsos-positivos, que levam a cirurgias desnecessárias e complicações. Por isso, as diretrizes recomendam que a mulher assintomática, sem história familiar relevante ou mutação genética conhecida, não seja submetida a rastreamento de rotina.

A história familiar é o fator de risco independente mais forte para câncer de ovário. Mulheres com mutação em BRCA1/BRCA2 ou com síndrome de Lynch têm risco aumentado e podem se beneficiar de estratégias específicas, como rastreamento mais intensivo ou cirurgia redutora de risco (salpingo-ooforectomia profilática). No entanto, para a paciente do caso — 55 anos, sem mutação conhecida, sem sintomas e sem fatores de risco — a conduta é apenas acompanhamento clínico, com orientação sobre sinais de alerta (distensão abdominal, dor pélvica, alteração do hábito intestinal) e avaliação ginecológica de rotina.

A salpingo-ooforectomia profilática é reservada para mulheres com alto risco hereditário comprovado (mutações BRCA1/2, síndrome de Lynch), geralmente após os 35 anos e prole completa. Não se justifica em mulher de risco habitual, pois a cirurgia tem morbidade significativa (menopausa cirúrgica, riscos cirúrgicos) e não é isenta de complicações. A decisão de rastrear ou intervir deve ser individualizada, baseada no risco genético e familiar, e não aplicada de forma generalizada.

A pegadinha desta questão está em o candidato achar que, por ser uma neoplasia grave, toda mulher deve ser rastreada. A banca explora exatamente essa intuição, oferecendo alternativas que propõem exames de rastreamento (US, CA-125, ou ambos) como se fossem rotina. A recomendação atual, porém, é não rastrear mulheres de risco habitual, pois os estudos não demonstraram redução de mortalidade e há danos potenciais. Guarde esse conceito: rastreamento de câncer de ovário só é indicado em grupos de alto risco (mutação BRCA, síndrome de Lynch, história familiar forte), e mesmo nesses casos a evidência é limitada.

Rastreamento de câncer de ovário
  • 1Risco habitual (caso da paciente)
    • Não rastrear de rotina
      • US transvaginal
      • CA-125
      • US + CA-125
    • Apenas avaliação clínica
  • 2Alto risco (BRCA, Lynch)
    • Rastreamento mais intensivo
    • Salpingo-ooforectomia profilática
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A ultrassonografia transvaginal anual não é recomendada como rastreamento de rotina para câncer de ovário em mulheres de risco habitual. Estudos como o Prostate, Lung, Colorectal and Ovarian (PLCO) Cancer Screening Trial não demonstraram redução da mortalidade com o rastreamento ultrassonográfico, e a alta taxa de falsos-positivos leva a cirurgias desnecessárias. A US transvaginal pode ser útil em mulheres de alto risco (ex.: mutação BRCA), mas não na população geral assintomática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dosagem anual de CA-125 também não é recomendada para rastreamento de rotina. O CA-125 é um marcador tumoral com baixa sensibilidade e especificidade para câncer de ovário em estágio inicial; pode estar elevado em condições benignas (endometriose, miomas, doença inflamatória pélvica, gravidez) e normal em até 50% dos cânceres em estágio inicial. Por isso, não é útil como exame de rastreamento populacional, e seu uso isolado não é indicado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A combinação de US transvaginal e CA-125 anuais também não é recomendada para rastreamento de rotina. Embora alguns estudos tenham avaliado estratégias combinadas, os resultados não mostraram benefício em reduzir a mortalidade, e o risco de falsos-positivos e procedimentos invasivos desnecessários permanece. A combinação pode ser considerada em mulheres de alto risco, mas não na população geral.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Para mulher de 55 anos, sem mutação BRCA conhecida, sem sintomas e sem fatores de risco específicos, a recomendação é não realizar rastreamento de rotina para câncer de ovário. A conduta é apenas avaliação clínica, com orientação sobre sinais e sintomas de alerta e exame ginecológico de rotina. Essa recomendação é baseada nas diretrizes da USPSTF (grau D: desaconselha o rastreamento) e da ACOG, que concluíram que os potenciais danos superam os benefícios.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A salpingo-ooforectomia profilática é uma cirurgia de redução de risco indicada apenas para mulheres com alto risco hereditário comprovado, como portadoras de mutação BRCA1/2 ou síndrome de Lynch. Em mulher de risco habitual, sem mutação conhecida, a cirurgia não é indicada, pois os riscos cirúrgicos e a morbidade da menopausa cirúrgica superam qualquer benefício potencial. A decisão de realizar cirurgia profilática deve ser individualizada, após aconselhamento genético e avaliação multidisciplinar.

Gabarito: letra D

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