Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu119959
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 29 anos, 10 meses após bypass gástrico em Y-de-Roux, deseja contracepção eficaz. Sem comorbidades; nega tabagismo. Sem desejo gestacional no próximo ano.Qual é a melhor opção contraceptiva imediata?
APílula combinada oral diária.
BAnel vaginal combinado.
CDIU-LNG.
DPílula somente de progestagênio (POP).
EAdesivo combinado transdérmico.
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GabaritoC — DIU-LNG.
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Contracepção após cirurgia bariátrica: escolha do método ideal
Gabarito: letra C. Em paciente com 10 meses de pós-operatório de bypass gástrico em Y-de-Roux, a melhor opção contraceptiva imediata é o DIU-LNG, pois é um método de longa duração, altamente eficaz, independente da absorção gastrointestinal e sem contraindicações para essa condição. Os métodos combinados (pílula, anel, adesivo) e a pílula somente de progestagênio (POP) podem ter eficácia reduzida pela má absorção pós-bariátrica, sendo opções menos adequadas.
A cirurgia bariátrica, especialmente o bypass gástrico em Y-de-Roux, altera significativamente a fisiologia gastrointestinal, reduzindo a absorção de nutrientes e medicamentos. Isso impacta diretamente a escolha do contraceptivo, pois métodos que dependem da absorção oral podem ter sua eficácia comprometida. O DIU-LNG, por ser um dispositivo intrauterino que libera levonorgestrel localmente, não sofre interferência da absorção gastrointestinal, garantindo eficácia contraceptiva plena. Além disso, é um método de longa duração (LARC), com alta taxa de continuidade e satisfação, ideal para uma paciente que deseja contracepção eficaz por pelo menos um ano.
Os critérios de elegibilidade da OMS (Medical Eligibility Criteria - MEC) classificam o uso de contraceptivos em categorias de 1 a 4, onde a categoria 1 indica que não há restrição para o uso do método. Para o pós-operatório de cirurgia bariátrica, o DIU-LNG é classificado como categoria 1, ou seja, pode ser usado sem restrições. Já os contraceptivos orais combinados (pílula) e a pílula somente de progestagênio (POP) são classificados como categoria 3, indicando que o uso não é recomendado, a menos que outros métodos mais apropriados não estejam disponíveis ou não sejam aceitáveis. Essa classificação reflete a preocupação com a possível redução da eficácia devido à má absorção.
Na prática, a paciente de 29 anos, sem comorbidades e sem tabagismo, não apresenta contraindicações absolutas para o uso de métodos combinados. No entanto, a cirurgia bariátrica é um fator que altera a farmacocinética dos hormônios orais, podendo levar a níveis séricos insuficientes para a supressão da ovulação. O anel vaginal e o adesivo transdérmico, embora não dependam da absorção oral, também são contraceptivos combinados e, segundo os critérios da OMS, são classificados como categoria 3 no pós-operatório de cirurgia bariátrica, devido à falta de dados robustos sobre sua eficácia nessa população. Portanto, o DIU-LNG se destaca como a opção mais segura e eficaz.
A distinção crucial aqui é entre métodos que dependem da absorção gastrointestinal (pílulas) e métodos que não dependem (DIU, implante, injetável). A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode ser tentado a escolher um método combinado por ser "eficaz", mas a cirurgia bariátrica é a pegadinha que muda a recomendação. O DIU-LNG, por ser um método de longa duração e local, é a escolha imediata e ideal.
Contracepção pós-bariátrica
1Métodos que dependem da absorção oral
Pílula combinada
POP (progestagênio isolado)
Eficácia reduzida (categoria 3)
2Métodos combinados não orais
Anel vaginal
Adesivo transdérmico
Categoria 3 (dados insuficientes)
3Métodos locais de longa duração (LARC)
DIU-LNG
Categoria 1 — sem restrição
Eficácia plena (independe da absorção)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A pílula combinada oral diária é um método que depende da absorção gastrointestinal. No pós-operatório de bypass gástrico, a absorção de medicamentos pode estar reduzida, comprometendo a eficácia contraceptiva. Os critérios da OMS classificam o uso de contraceptivos orais combinados como categoria 3 nessa condição, ou seja, não é a primeira escolha.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O anel vaginal combinado, embora não dependa da absorção oral, é um método combinado que libera etinilestradiol e etonogestrel. Segundo os critérios da OMS, o uso de contraceptivos combinados (incluindo anel e adesivo) no pós-operatório de cirurgia bariátrica é classificado como categoria 3, devido à falta de dados sobre sua eficácia nessa população. Portanto, não é a melhor opção imediata.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O DIU-LNG é um método de longa duração, altamente eficaz, que libera levonorgestrel diretamente no útero. Por não depender da absorção gastrointestinal, sua eficácia não é comprometida pela cirurgia bariátrica. Os critérios da OMS classificam o DIU-LNG como categoria 1 no pós-operatório de cirurgia bariátrica, indicando que não há restrição para seu uso. É a opção mais segura e eficaz para a paciente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A pílula somente de progestagênio (POP) também depende da absorção gastrointestinal. No pós-operatório de bypass gástrico, a absorção pode estar reduzida, comprometendo a eficácia do método. Os critérios da OMS classificam a POP como categoria 3 nessa condição, não sendo a primeira escolha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O adesivo combinado transdérmico, assim como o anel, é um método combinado. Embora não dependa da absorção oral, os critérios da OMS classificam o uso de contraceptivos combinados no pós-operatório de cirurgia bariátrica como categoria 3, devido à falta de dados sobre sua eficácia. Portanto, não é a melhor opção imediata.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre métodos que dependem da absorção gastrointestinal e métodos que não dependem. A paciente não tem contraindicações para métodos combinados, mas a cirurgia bariátrica é o fator que muda a recomendação. O candidato pode ser tentado a escolher um método combinado por ser "eficaz", mas o DIU-LNG é a opção mais segura e eficaz nesse contexto.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre contracepção, sempre verifique se há condições que afetam a absorção de medicamentos, como cirurgia bariátrica, doenças intestinais ou uso de medicamentos que interferem na absorção. Nesses casos, prefira métodos que não dependem da via oral, como DIU, implante ou injetável.