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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu119960
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Paciente de 34 anos, com oligo-amenorreia há 8 meses, ondas de calor e secura vaginal. Teste de gravidez negativo. Exames: FSH 36 UI/L e estradiol 18 pg/mL. TSH e prolactina normais. Sem cirurgias pélvicas prévias. Deseja aconselhamento sobre diagnóstico e tratamento.A conduta mais apropriada é
  1. Asolicitar AMH para confirmar o diagnóstico de POI e, se baixo, iniciar terapia hormonal somente após os 40 anos.
  2. Brepetir FSH em 4–6 semanas para confirmar POI; iniciar terapia estrogênica-progestagênica até a idade média da menopausa; salvo contraindicações.
  3. Cconfirmar POI apenas com um FSH elevado; evitar terapia hormonal por risco cardiovascular.
  4. Drepetir FSH e, se persistente alto, indicar tibolona como primeira linha.
  5. Etratar apenas sintomas com ISRS e não usar hormônios.
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GabaritoB — repetir FSH em 4–6 semanas para confirmar POI; iniciar terapia estrogênica-progestagênica até a idade média da menopausa; salvo contraindicações.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência Ovariana Prematura (POI) e Terapia Hormonal

Gabarito: letra B. A paciente apresenta quadro clássico de insuficiência ovariana prematura (POI): oligo-amenorreia, sintomas vasomotores, FSH elevado (36 UI/L) e estradiol baixo (18 pg/mL). O diagnóstico exige dois FSH elevados com intervalo de 4–6 semanas, e o tratamento de escolha é a terapia estrogênica-progestagênica (TH) até a idade média da menopausa, salvo contraindicações — exatamente o que a alternativa B descreve. Essa conduta segue as diretrizes da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) e da Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS), que recomendam TH para mulheres com POI para alívio sintomático e proteção cardiovascular e óssea.

A insuficiência ovariana prematura (POI), também chamada de falência ovariana precoce ou menopausa precoce, é definida como a perda da função ovariana antes dos 40 anos. Caracteriza-se por oligo/amenorreia (geralmente ≥ 4 meses), FSH elevado (> 25 UI/L em duas ocasiões com intervalo de 4–6 semanas) e estradiol baixo. É uma condição distinta da menopausa natural, que ocorre em média aos 51 anos, e tem implicações importantes: além dos sintomas climatéricos (ondas de calor, secura vaginal, insônia), há aumento do risco de osteoporose, doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e impacto na fertilidade e na saúde psicológica.

O diagnóstico de POI é clínico e laboratorial, não exigindo exames complementares como AMH ou cariótipo na maioria dos casos. O AMH (hormônio antimülleriano) reflete a reserva ovariana, mas não é necessário para confirmar POI — o FSH elevado em duas dosagens já é suficiente. O cariótipo é indicado apenas em mulheres com menos de 30 anos ou com suspeita de disgenesia gonadal, e a pesquisa de anticorpos antiadrenais/antiovariano é reservada para casos com suspeita de doença autoimune associada.

O tratamento da POI é a terapia hormonal (TH) com estrogênio e progestagênio, recomendada até a idade média da menopausa (em torno de 51 anos), salvo contraindicações (como câncer de mama ou endometrio, doença tromboembólica ativa, etc.). A TH alivia os sintomas vasomotores, previne a perda óssea e reduz o risco cardiovascular. A via de administração pode ser oral ou transdérmica; a via transdérmica é preferida em mulheres com hipertensão, obesidade ou história de tromboembolismo, pois evita o metabolismo de primeira passagem hepática. O esquema pode ser cíclico (estrogênio contínuo + progestagênio 12–14 dias/mês) ou contínuo (ambos diariamente), sendo o contínuo mais usado para evitar sangramentos.

A alternativa B é a única que combina corretamente os dois pilares: confirmação diagnóstica com repetição do FSH e início da TH até a idade média da menopausa, com a ressalva de contraindicações. As demais alternativas erram ao postergar o tratamento (A), ao evitar a TH por medo de risco cardiovascular (C), ao indicar tibolona como primeira linha (D) ou ao tratar apenas sintomas com ISRS (E).

A pegadinha central desta questão é a confusão entre POI e menopausa natural. Na menopausa natural, a TH é indicada apenas para sintomas vasomotores moderados a graves, com avaliação individualizada de riscos e benefícios, e geralmente por tempo limitado. Na POI, porém, a TH é obrigatória (salvo contraindicações) e deve ser mantida até a idade média da menopausa, pois a deficiência estrogênica precoce aumenta significativamente o risco de osteoporose e doença cardiovascular. A banca explora essa diferença: quem pensa na menopausa natural tende a evitar a TH (alternativa C) ou a tratar apenas sintomas (E), mas a conduta correta é a reposição hormonal plena.

Outra pegadinha é a tibolona. A tibolona é um esteroide sintético com atividade estrogênica, progestogênica e androgênica, usado no climatério, mas não é primeira linha no tratamento da POI. A primeira linha é a TH convencional com estrogênio e progestagênio. A tibolona pode ser uma opção em mulheres na pós-menopausa, mas não é preferida em POI, especialmente em mulheres jovens, pois não oferece a mesma proteção óssea e cardiovascular que o estrogênio.

Por fim, a alternativa A erra ao condicionar o diagnóstico ao AMH e ao postergar a TH até os 40 anos. O AMH não é necessário para o diagnóstico de POI, e a TH deve ser iniciada imediatamente após a confirmação, independentemente da idade, para prevenir complicações a longo prazo. A alternativa C erra ao afirmar que um único FSH elevado confirma o diagnóstico (é preciso repetir) e ao evitar a TH por risco cardiovascular — na verdade, a TH reduz o risco cardiovascular em mulheres com POI. A alternativa E erra ao tratar apenas sintomas com ISRS, que não previnem osteoporose nem protegem o sistema cardiovascular.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao condicionar o diagnóstico ao AMH e ao postergar a TH até os 40 anos. O AMH não é necessário para confirmar POI; o diagnóstico é feito com FSH elevado em duas ocasiões. Além disso, a TH deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico, independentemente da idade, para prevenir osteoporose e doença cardiovascular. Postergar até os 40 anos deixaria a paciente sem proteção estrogênica por anos, aumentando riscos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque reflete a conduta padrão: repetir FSH em 4–6 semanas para confirmar POI (já que um único valor elevado não é suficiente) e iniciar terapia estrogênica-progestagênica até a idade média da menopausa, salvo contraindicações. Essa é a recomendação das principais diretrizes (ESHRE, NAMS) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). A TH é essencial para alívio sintomático, prevenção de osteoporose e proteção cardiovascular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que um único FSH elevado confirma POI — é necessário repetir o exame em 4–6 semanas. Além disso, evitar a TH por risco cardiovascular é um erro: em mulheres com POI, a TH reduz o risco cardiovascular, pois a deficiência estrogênica precoce é que aumenta esse risco. A conduta correta é iniciar TH, salvo contraindicações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao indicar tibolona como primeira linha. A tibolona é uma opção para mulheres na pós-menopausa, mas não é primeira linha no tratamento da POI. A primeira linha é a TH convencional com estrogênio e progestagênio, que oferece melhor proteção óssea e cardiovascular. Além disso, a alternativa não menciona a necessidade de repetir o FSH para confirmar o diagnóstico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao tratar apenas sintomas com ISRS e não usar hormônios. Os ISRS podem aliviar ondas de calor, mas não previnem osteoporose nem protegem o sistema cardiovascular, que são os principais riscos da POI. A TH é o tratamento de escolha, salvo contraindicações, e deve ser iniciada o quanto antes.

Gabarito: letra B

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