Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 45 anos apresenta mamografia com lesão espiculada de 1,6 cm, BI-RADS 4.Qual é o próximo passo diagnóstico?
ASeguimento com mamografia em 6 meses.
BPunção aspirativa por agulha fina (PAAF).
CBiópsia percutânea com agulha grossa (core biopsy).
DExérese cirúrgica imediata.
ESolicitar ressonância magnética mamária.
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GabaritoC — Biópsia percutânea com agulha grossa (core biopsy).
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Câncer de mama: diagnóstico de lesão suspeita (BI-RADS 4)
Gabarito: letra C. Diante de uma lesão espiculada de 1,6 cm classificada como BI-RADS 4 (achado suspeito, com probabilidade de malignidade), o próximo passo diagnóstico é a biópsia percutânea com agulha grossa (core biopsy), que permite a obtenção de fragmento de tecido para exame anatomopatológico — o padrão-ouro para confirmar ou afastar o diagnóstico de câncer de mama. As demais condutas (seguimento, PAAF, exérese cirúrgica imediata ou ressonância) não são o passo inicial adequado para uma lesão sólida suspeita.
A lesão espiculada é um achado mamográfico altamente sugestivo de malignidade — as espículas representam a infiltração do estroma adjacente pelo tumor. O sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) classifica os achados em categorias que orientam a conduta: a categoria 4 indica achado suspeito, com recomendação de biópsia. Não se trata de uma lesão benigna (categoria 2) nem de uma lesão provavelmente benigna que possa ser apenas seguida (categoria 3). A probabilidade de malignidade na categoria 4 varia de 2% a 95%, dependendo do subgrupo (4A, 4B, 4C), mas em todos eles a conduta é a confirmação histológica.
A core biopsy (biópsia por fragmento) é o método de escolha para lesões sólidas suspeitas. Ela utiliza uma agulha de grosso calibre, guiada por ultrassom ou mamografia (estereotaxia), e retira fragmentos de tecido que serão submetidos a exame anatomopatológico. Diferentemente da PAAF, que coleta apenas células para exame citológico, a core biopsy preserva a arquitetura tecidual, permitindo distinguir carcinoma in situ de carcinoma invasor, avaliar receptores hormonais e HER2, e definir o grau histológico — informações essenciais para o planejamento terapêutico. A PAAF tem papel limitado no diagnóstico de lesões sólidas, sendo mais útil para diferenciar lesões císticas de sólidas ou para esvaziar cistos.
A exérese cirúrgica imediata (biópsia cirúrgica) não é o primeiro passo, pois é um procedimento mais invasivo, com custo e morbidade maiores, e deve ser reservada para casos em que a biópsia percutânea não é possível ou é inconclusiva. O seguimento com mamografia em 6 meses é conduta para lesões provavelmente benignas (BI-RADS 3), não para lesões suspeitas. A ressonância magnética mamária, embora tenha alta sensibilidade, não é um método de diagnóstico histológico e não substitui a biópsia; seu papel é complementar, como no estadiamento ou na avaliação de extensão da doença em casos selecionados.
A conduta correta, portanto, segue o princípio de que toda lesão suspeita (BI-RADS 4 ou 5) deve ser submetida a biópsia percutânea com agulha grossa para confirmação diagnóstica antes de qualquer decisão terapêutica. É exatamente esse princípio que separa a alternativa correta das demais.
Conduta por categoria BI-RADS: 1 e 2 (benigno) (Rotina); 3 (provavelmente benigno) (Seguimento em 6 meses); 4 e 5 (suspeito) (Biópsia percutânea (core biopsy)); 6 (malignidade confirmada) (Planejar tratamento)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O seguimento com mamografia em 6 meses é a conduta indicada para lesões classificadas como BI-RADS 3 (provavelmente benignas), nas quais o risco de malignidade é baixo (menor que 2%) e o acompanhamento radiológico em curto intervalo é aceitável. No caso de uma lesão BI-RADS 4, o risco de malignidade é significativo e a conduta não pode ser apenas observacional — é obrigatória a confirmação histológica. A banca explora a confusão entre as categorias 3 e 4 do BI-RADS.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) coleta apenas células para exame citológico, o que não permite avaliar a arquitetura do tecido nem distinguir com segurança carcinoma in situ de carcinoma invasor. Para lesões sólidas suspeitas, como a do enunciado, a recomendação é a biópsia por fragmento (core biopsy), que fornece material para exame anatomopatológico. A PAAF é mais útil no diagnóstico diferencial de lesões císticas ou na avaliação de linfonodos, não sendo o método de escolha para uma lesão espiculada sólida.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A biópsia percutânea com agulha grossa (core biopsy) é o procedimento padrão-ouro para o diagnóstico de lesões mamárias suspeitas (BI-RADS 4 e 5). Ela permite a obtenção de fragmentos de tecido para exame anatomopatológico, preservando a arquitetura tecidual e possibilitando a caracterização completa da lesão (tipo histológico, grau, presença de invasão, receptores hormonais e HER2). É um procedimento minimamente invasivo, realizado com anestesia local e guiado por imagem (ultrassom ou mamografia), com alta acurácia diagnóstica e baixa morbidade. É exatamente o que a paciente do enunciado necessita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A exérese cirúrgica imediata (biópsia cirúrgica) é um procedimento mais invasivo, com custo e morbidade maiores, e não é o primeiro passo diagnóstico para uma lesão suspeita. Ela deve ser reservada para casos em que a biópsia percutânea não é tecnicamente possível, é inconclusiva, ou quando a lesão é muito pequena para ser alvo da agulha. A conduta moderna prioriza o diagnóstico percutâneo antes da cirurgia, permitindo planejamento terapêutico adequado e evitando procedimentos cirúrgicos desnecessários.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ressonância magnética mamária é um método de imagem de alta sensibilidade, mas não é um método de diagnóstico histológico — ela não substitui a biópsia. Seu papel é complementar, como na avaliação de extensão da doença, na detecção de lesões ocultas em mamas densas, no acompanhamento de pacientes de alto risco ou na avaliação de resposta à quimioterapia neoadjuvante. Solicitar RM antes da biópsia de uma lesão BI-RADS 4 atrasaria o diagnóstico definitivo sem agregar benefício imediato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as categorias do BI-RADS e os métodos diagnósticos. O candidato pode ser tentado a escolher a PAAF (por ser menos invasiva) ou o seguimento (por ser menos agressivo), mas a lesão espiculada BI-RADS 4 exige confirmação histológica por core biopsy. Lembre-se: lesão suspeita = biópsia percutânea com agulha grossa, não importa o tamanho ou a aparência.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de mastologia, decore a conduta conforme a categoria BI-RADS: 1 e 2 → rotina; 3 → seguimento em 6 meses; 4 e 5 → biópsia (core biopsy é a preferida); 6 → já tem diagnóstico, planejar tratamento. E lembre: PAAF é para cistos, core biopsy é para lesões sólidas suspeitas.