Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu119963
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 56 anos, histerectomizada, com sintomas vasomotores intensos. História familiar de câncer de mama em tia materna aos 72 anos. Mamografia recente normal. Deseja iniciar terapia hormonal.Qual a melhor opção?
AEstrogênio oral isolado.
BEstrogênio + progestagênio.
CTibolona.
DEstrogênio transdérmico isolado.
EEvitar terapia hormonal por antecedente familiar.
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GabaritoD — Estrogênio transdérmico isolado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Terapia Hormonal na Menopausa: Escolha da Via e Esquema
Gabarito: letra D. Para uma mulher histerectomizada com sintomas vasomotores intensos, a melhor opção é o estrogênio transdérmico isolado, pois a ausência de útero elimina a necessidade de progestagênio (que não traz vantagens nesse contexto) e a via transdérmica evita o metabolismo hepático de primeira passagem, associado a menor risco de eventos tromboembólicos e melhor perfil pressórico. A história familiar de câncer de mama em tia materna aos 72 anos não contraindica a terapia hormonal, pois não configura alto risco hereditário (faltam critérios como parente de 1º grau jovem ou múltiplos casos).
A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores moderados a graves na pós-menopausa. A decisão sobre o esquema depende de dois fatores-chave: a presença ou não do útero e o perfil de risco individual. Na mulher histerectomizada, o uso de progestagênio não é necessário, pois o risco de hiperplasia endometrial — que justifica a associação — não existe. O estrogênio isolado, portanto, é a escolha racional, e a via transdérmica oferece vantagens adicionais por não sofrer metabolismo hepático de primeira passagem, reduzindo a produção de fatores de coagulação e a pressão arterial, em comparação com a via oral.
A história familiar de câncer de mama em tia materna (parente de 2º grau) aos 72 anos não é, isoladamente, um fator de alto risco que contraindique a TH. Os critérios para considerar risco aumentado incluem múltiplos casos na mesma família, parentes de 1º grau com diagnóstico precoce (< 50 anos) ou tumores bilaterais. Neste caso, a mamografia recente normal e a ausência de outros fatores de risco tornam a TH uma opção segura, desde que usada na menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário.
A escolha entre as vias oral e transdérmica é um ponto central. O estrogênio oral passa pelo fígado, aumentando a produção de proteínas de coagulação e o risco de trombose venosa, além de elevar a pressão arterial em algumas mulheres. O estrogênio transdérmico, por sua vez, é absorvido diretamente na circulação sistêmica, evitando esses efeitos, o que o torna preferível em mulheres com fatores de risco cardiovascular, hipertensão ou obesidade. Embora a paciente em questão não tenha comorbidades descritas, a via transdérmica é considerada a opção mais segura e é a recomendação atual para a maioria das mulheres.
A tibolona, embora seja uma opção para sintomas vasomotores, tem perfil de risco mamário semelhante ao da TH combinada e não é a primeira escolha quando se busca minimizar riscos. A alternativa de evitar a TH por antecedente familiar é incorreta, pois a paciente tem indicação clara (sintomas intensos) e o risco familiar não é elevado. A combinação estrogênio + progestagênio é desnecessária na histerectomizada, e o estrogênio oral isolado, embora correto na ausência de útero, não é a melhor opção devido ao perfil de risco da via oral.
Guarde a distinção central: histerectomizada → estrogênio isolado; útero presente → estrogênio + progestagênio. E, entre as vias, a transdérmica é preferível por segurança cardiovascular. É exatamente essa combinação de critérios que separa as alternativas.
Terapia hormonal na menopausa
1Presença de útero
Estrogênio + progestagênio
2Histerectomizada
Estrogênio isolado
Via transdérmica
Menor risco tromboembólico
Melhor perfil pressórico
Via oral
Metabolismo hepático de 1ª passagem
3Contraindicações
Alto risco hereditário de CA de mama
Parente 1º grau jovem
Múltiplos casos na família
História familiar de 2º grau tardia (não contraindica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O estrogênio oral isolado é uma opção válida para histerectomizadas, mas a via oral está associada a maior risco de eventos tromboembólicos e piora do perfil pressórico, devido ao metabolismo hepático de primeira passagem. A via transdérmica é preferível por oferecer o mesmo benefício com menor risco.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A associação de estrogênio + progestagênio é indicada apenas para mulheres com útero, para prevenir hiperplasia endometrial. Na histerectomizada, o progestagênio não traz benefícios e pode aumentar o risco de câncer de mama, tornando essa opção inadequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tibolona é uma alternativa para sintomas vasomotores, mas não é a primeira escolha. Seu perfil de risco mamário é semelhante ao da TH combinada, e a via transdérmica com estrogênio isolado oferece um perfil de segurança mais favorável para esta paciente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O estrogênio transdérmico isolado é a melhor opção porque: (1) a paciente é histerectomizada, dispensando o progestagênio; (2) a via transdérmica evita o metabolismo hepático, reduzindo riscos cardiovasculares e tromboembólicos; (3) a história familiar não contraindica a TH. É o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores com o menor perfil de risco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Evitar a TH por antecedente familiar seria uma conduta inadequada. A história de tia materna aos 72 anos não configura alto risco hereditário, e a paciente tem indicação clara de tratamento para sintomas vasomotores intensos. A TH pode ser usada com segurança, respeitando-se a menor dose eficaz e o menor tempo de uso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a necessidade de progestagênio (que depende da presença do útero) e o risco de câncer de mama (que não é elevado neste caso). O candidato pode ser levado a escolher a combinação estrogênio + progestagênio por pensar que é sempre necessária, ou a evitar a TH por medo do antecedente familiar. Lembre-se: histerectomizada = estrogênio isolado; história familiar de 2º grau tardia não contraindica.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, identifique rapidamente: (1) a paciente tem útero? Se não, progestagênio é desnecessário. (2) Há contraindicação absoluta? Se não, a TH é indicada. (3) Prefira a via transdérmica quando houver fatores de risco cardiovascular ou quando a questão destacar segurança. Essa sequência resolve a maioria das questões de TH na menopausa.