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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu119966
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 32 anos, assintomática, apresenta achado incidental de cisto ovariano direito simples, unilocular, de 5,5 cm, parede fina, sem septos ou vegetações. Não há ascite.Qual deve ser a conduta?
  1. ALaparoscopia diagnóstica.
  2. BSolicitar CA-125.
  3. CRepetir ultrassonografia em 6 a 8 semanas.
  4. DIndicar histerectomia com ooforectomia.
  5. EIniciar anticoncepcional oral.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Repetir ultrassonografia em 6 a 8 semanas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cisto ovariano simples: conduta expectante

Gabarito: letra C. Em mulher pré-menopausa, assintomática, com cisto ovariano simples, unilocular, de parede fina, sem septos ou vegetações e sem ascite, a conduta é repetir a ultrassonografia em 6 a 8 semanas, pois a maioria desses cistos é funcional e regride espontaneamente. Essa conduta é baseada nas diretrizes de ginecologia (ACOG/SOGC) e na fisiologia do ciclo menstrual — não há indicação de cirurgia, marcador tumoral ou terapia hormonal nesse cenário.

O cisto ovariano simples é uma lesão cística de conteúdo anecoico, paredes finas e regulares, sem septos, vegetações ou componentes sólidos. Na mulher em idade reprodutiva, a grande maioria desses cistos é funcional — ou seja, decorre da fisiologia do ciclo: o folículo que não ovulou (cisto folicular) ou o corpo lúteo que persistiu (cisto lúteo). Esses cistos são benignos e tendem a regredir espontaneamente em poucas semanas, acompanhando as variações hormonais do ciclo. Por isso, a conduta inicial é expectante, com reavaliação por imagem em 6 a 8 semanas, período suficiente para observar a regressão.

A ultrassonografia é o exame de escolha para caracterizar a lesão. Critérios ultrassonográficos de benignidade incluem: cisto unilocular, anecoico, paredes finas, sem septos, sem vegetações, sem ascite. Quando todos esses critérios estão presentes, o risco de malignidade é extremamente baixo (menos de 1%). Nesse contexto, a solicitação de CA-125 não é rotineira, pois o marcador pode estar elevado em diversas condições benignas (endometriose, mioma, doença inflamatória pélvica, gravidez) e não tem valor diagnóstico isolado em pré-menopausa. A laparoscopia diagnóstica e a histerectomia com ooforectomia são procedimentos invasivos, reservados para casos com suspeita de malignidade, complicações (torção, ruptura) ou persistência do cisto após seguimento. O anticoncepcional oral não acelera a regressão do cisto funcional — estudos mostram que a taxa de resolução é semelhante à da conduta expectante.

A distinção crucial é entre cisto simples (benigno, conduta expectante) e cisto complexo (com septos, vegetações, paredes irregulares, ascite — suspeita de malignidade, exige investigação cirúrgica). A banca explora exatamente essa fronteira: ao descrever um cisto simples, a conduta correta é a mais conservadora possível. A pegadinha está em optar por intervenções desnecessárias (laparoscopia, CA-125, histerectomia) ou por tratamento sem eficácia comprovada (anticoncepcional oral).

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a "fazer algo" diante de um achado incidental. Mas a regra de ouro é: cisto simples em pré-menopausa assintomática = conduta expectante. Não caia na tentação de pedir CA-125 (não é rastreio em pré-menopausa) nem de indicar cirurgia (não há critérios de malignidade). A conduta correta é a mais simples: repetir a US em 6 a 8 semanas.

  1. 1Cisto simples assintomático
  2. 2Repetir US em 6-8 semanas
  3. 3Regressão espontânea
  4. 4Persistir ou crescer
  5. 5Investigar (CA-125/cirurgia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A laparoscopia diagnóstica é um procedimento invasivo, com riscos anestésicos e cirúrgicos, indicado apenas quando há suspeita de malignidade, dor persistente, torção ou cisto que não regride após seguimento. No caso descrito, o cisto é simples e a paciente é assintomática — não há indicação de cirurgia diagnóstica. A conduta inicial deve ser conservadora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O CA-125 é um marcador tumoral que pode estar elevado em diversas condições benignas (endometriose, mioma, doença inflamatória pélvica, gravidez, até mesmo na menstruação) e não é um exame de rastreamento em mulheres pré-menopausa. Em cisto simples, o risco de malignidade é baixíssimo, e a solicitação do marcador não muda a conduta. O CA-125 é útil principalmente no seguimento de câncer de ovário já diagnosticado ou na investigação de massa complexa em pós-menopausa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é repetir a ultrassonografia em 6 a 8 semanas. Esse intervalo permite avaliar a regressão espontânea do cisto funcional, que ocorre na maioria dos casos. Se o cisto persistir ou aumentar, ou se surgirem características suspeitas, aí sim a investigação adicional é indicada. Essa é a recomendação das principais diretrizes de ginecologia (ACOG, SOGC, RCOG) para cistos simples em mulheres pré-menopausa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A histerectomia com ooforectomia é uma cirurgia radical, mutiladora, indicada apenas em casos de malignidade confirmada ou suspeita, ou em doenças benignas sintomáticas refratárias ao tratamento clínico. No caso de um cisto simples assintomático, essa conduta é totalmente desproporcional e não tem qualquer indicação. A paciente é jovem, e a preservação da fertilidade e da função hormonal é prioridade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O anticoncepcional oral (ACO) não acelera a regressão de cistos ovarianos funcionais. Estudos comparativos mostram que a taxa de resolução é semelhante à da conduta expectante. O ACO pode ser usado para supressão da ovulação em casos de cistos recorrentes ou para tratamento de dor, mas não é a conduta inicial para um cisto simples incidental. Além disso, a paciente é assintomática, não havendo indicação de tratamento hormonal.

Gabarito: letra C — repetir ultrassonografia em 6 a 8 semanas.

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