Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu119968
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 27 anos, com ciclos irregulares desde a menarca, acne e hirsutismo leve. Exames mostram aumento do volume ovariano bilateral e relação LH/FSH >2. Glicemia e perfil lipídico normais.A conduta mais adequada inicialmente é
Aanticoncepcional combinado.
Bmetformina.
Cprescrever espironolactona isoladamente.
Dindicar indução da ovulação.
Erecomendar apenas observação.
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GabaritoA — anticoncepcional combinado.
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Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): conduta inicial
Gabarito: letra A. Para uma mulher com SOP que não deseja gestar, com irregularidade menstrual, acne e hirsutismo leve, a primeira linha de tratamento é o anticoncepcional hormonal combinado (AHC), pois ele regulariza os ciclos, melhora o hiperandrogenismo clínico e protege o endométrio. A metformina seria opção de segunda linha, e a espironolactona isolada não é recomendada como tratamento inicial.
A síndrome dos ovários policísticos é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial, disfunção ovulatória (oligo/anovulação) e ovários policísticos à ultrassonografia. O diagnóstico é feito pelos critérios de Rotterdam, que exigem pelo menos dois dos três critérios, excluídas outras causas de hiperandrogenismo. No caso apresentado, a paciente tem ciclos irregulares desde a menarca (sugerindo anovulação crônica), acne e hirsutismo leve (hiperandrogenismo clínico) e aumento do volume ovariano bilateral (critério ultrassonográfico), além de relação LH/FSH > 2, um achado clássico, embora não faça parte dos critérios diagnósticos formais.
O tratamento da SOP deve ser individualizado conforme os sintomas e o desejo reprodutivo da paciente. Para mulheres que não desejam engravidar, o anticoncepcional hormonal combinado é a terapia de primeira linha, pois atua em múltiplas frentes: suprime a secreção de LH, reduz a produção ovariana de andrógenos, aumenta a SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), diminuindo a testosterona livre, e promove a regularização dos ciclos menstruais, protegendo o endométrio contra hiperplasia e câncer. Além disso, melhora a acne e o hirsutismo leve a moderado. A escolha do AHC deve seguir os critérios de elegibilidade da OMS, considerando contraindicações como obesidade grave, hipertensão não controlada, diabetes com complicações, história de tromboembolismo, entre outras.
A metformina, por sua vez, é um sensibilizador de insulina que pode melhorar a ciclicidade menstrual e reduzir os andrógenos ovarianos, mas é considerada segunda linha para irregularidade menstrual, sendo indicada quando há alterações metabólicas (como resistência à insulina ou diabetes) e quando as mudanças de estilo de vida e os AHC não são suficientes ou estão contraindicados. No caso, a paciente tem glicemia e perfil lipídico normais, o que reforça que a metformina não é a primeira escolha. A espironolactona é um antiandrogênico utilizado para hirsutismo moderado a grave, mas sempre em associação com AHC, pois isolada não regulariza os ciclos e pode causar irregularidade menstrual, além de ser teratogênica. A indução da ovulação é reservada para mulheres que desejam gestar, o que não é o caso. E a simples observação não é adequada, pois a paciente tem sintomas que merecem tratamento e risco de hiperplasia endometrial pela anovulação crônica.
A pegadinha desta questão está em confundir o papel da metformina, que é frequentemente associada à SOP, mas não é a primeira linha para o controle dos sintomas clínicos em paciente sem alterações metabólicas evidentes. A banca explora a confusão entre o tratamento dos sintomas clínicos (irregularidade menstrual, hirsutismo, acne) e o tratamento das alterações metabólicas (resistência à insulina). O critério decisivo é: paciente sem desejo gestacional + sintomas clínicos de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual → AHC é a primeira linha.
SOP: conduta inicial
1Sem desejo gestacional
AHC (1ª linha)
Regulariza ciclos
Melhora acne/hirsutismo
Protege endométrio
Metformina (2ª linha)
Alterações metabólicas
Espironolactona isolada
Sempre associada ao AHC
2Com desejo gestacional
Indução da ovulação
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O anticoncepcional hormonal combinado é a primeira linha de tratamento para mulheres com SOP que não desejam gestar e apresentam irregularidade menstrual com ou sem hirsutismo, mesmo que não necessitem de contracepção. Ele regulariza os ciclos, melhora a acne e o hirsutismo leve a moderado, e protege o endométrio. A paciente do caso se encaixa perfeitamente nessa indicação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A metformina é um sensibilizador de insulina, indicada como segunda linha para irregularidade menstrual em mulheres com SOP que apresentam alterações metabólicas (resistência à insulina, diabetes) e nas quais as mudanças de estilo de vida falharam. A paciente tem glicemia e perfil lipídico normais, sem evidência de alteração metabólica, portanto a metformina não é a conduta inicial mais adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A espironolactona é um antiandrogênico utilizado para hirsutismo moderado a grave, mas sempre em associação com AHC, pois isolada não regulariza os ciclos menstruais, pode causar irregularidade menstrual e é teratogênica. No caso, o hirsutismo é leve, e a paciente também tem irregularidade menstrual, que não seria tratada pela espironolactona isolada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A indução da ovulação é indicada para mulheres com SOP que desejam gestar. A paciente não manifestou desejo de engravidar, portanto essa não é a conduta inicial apropriada. Além disso, antes da indução, seria necessário avaliar outros fatores, como a reserva ovariana e a permeabilidade tubária.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A simples observação não é adequada, pois a paciente apresenta sintomas que merecem tratamento (irregularidade menstrual, acne, hirsutismo) e a anovulação crônica aumenta o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. O tratamento com AHC é indicado para regularizar os ciclos e proteger o endométrio.