Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu119973
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Paciente de 34 anos, 2 anos de infertilidade primária, dor pélvica leve, endometriomas bilaterais 6,0 cm ao ultrassom. Sem outros fatores masculinos.A estratégia inicial mais apropriada é
Aanalgésicos + ACO contínuo por 6 meses e reavaliar fertilidade após suspensão.
Blaparoscopia com cistectomia de ambos endometriomas e tentativa natural por 6–12 meses.
Cencaminhar diretamente para FIV, sem cirurgia prévia.
Dsupressão com análogo de GnRH por 3–6 meses para “melhorar a chance” e depois tentar natural.
Einduzir ovulação com citrato de clomifeno imediatamente.
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GabaritoB — laparoscopia com cistectomia de ambos endometriomas e tentativa natural por 6–12 meses.
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Endometriose e infertilidade: manejo cirúrgico inicial
Gabarito: letra B. Em paciente jovem com infertilidade e endometriomas bilaterais ≥ 4 cm, a conduta inicial recomendada é a laparoscopia com cistectomia dos endometriomas, seguida de tentativa natural de gestação por 6–12 meses — conduta alinhada às diretrizes de endometriose e infertilidade. A supressão hormonal isolada (ACO, análogo de GnRH) não melhora as taxas de fertilidade e não é indicada como tratamento da infertilidade associada à endometriose.
A endometriose é uma doença estrogênio-dependente caracterizada pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora da cavidade uterina. Quando acomete os ovários, pode formar os endometriomas — cistos ovarianos de conteúdo hemático espesso, frequentemente bilaterais. A doença compromete a fertilidade por múltiplos mecanismos: distorção anatômica das tubas e ovários, aderências pélvicas, ambiente peritoneal inflamatório com citocinas e espécies reativas de oxigênio que prejudicam a qualidade oocitária e embrionária, e possível comprometimento da receptividade endometrial.
O tratamento da endometriose associada à infertilidade segue uma lógica distinta do tratamento da dor. Para a dor, a supressão hormonal (ACO contínuo, progestágenos, análogo de GnRH) é eficaz. Para a infertilidade, porém, a supressão da ovulação é contraproducente — ela impede a concepção durante o uso e não há evidência de que melhore as taxas de gravidez após a suspensão. As diretrizes do Ministério da Saúde são claras: "mulheres inférteis devido à endometriose não devem receber tratamentos para supressão da ovulação". O tratamento hormonal, portanto, não é a estratégia inicial para quem deseja engravidar.
A cirurgia conservadora (laparoscopia com ressecção/ablação dos focos e cistectomia dos endometriomas) é o pilar do tratamento da infertilidade associada à endometriose, especialmente em estágios iniciais. Estudo multicêntrico com 241 mulheres inférteis com endometriose mínima a moderada mostrou taxas de gravidez significativamente maiores no grupo submetido à laparoscopia com ressecção/ablação dos focos em comparação à laparoscopia diagnóstica. Para endometriomas ≥ 4 cm, a cistectomia laparoscópica é preferível à drenagem simples, pois reduz a recorrência e melhora a fertilidade espontânea. Após a cirurgia, recomenda-se tentativa natural de concepção por 6–12 meses antes de considerar técnicas de reprodução assistida.
A decisão entre cirurgia e FIV direta depende de múltiplos fatores: idade da paciente, reserva ovariana, tamanho e bilateralidade dos endometriomas, sintomas associados e acesso ao tratamento. Na paciente jovem (34 anos), com endometriomas bilaterais de 6 cm, a cirurgia prévia é vantajosa por várias razões: confirma o diagnóstico histológico, trata a dor, remove cistos que podem comprometer o acesso folicular na FIV e reduz o risco de abscesso pélvico após a punção. Além disso, a cistectomia pode restaurar a anatomia e permitir concepção espontânea, evitando a necessidade de FIV. A FIV direta, sem cirurgia, é uma opção quando há contraindicação cirúrgica, falha prévia de tratamento cirúrgico, ou quando a paciente tem idade avançada ou reserva ovariana muito reduzida — situações em que o tempo é crítico.
A alternativa A (ACO contínuo por 6 meses) é incorreta porque suprime a ovulação sem tratar a causa anatômica e não melhora a fertilidade. A alternativa C (FIV direta) é prematura nesta paciente jovem com boa reserva ovariana presumida, pois a cirurgia pode permitir gestação natural. A alternativa D (análogo de GnRH) é incorreta pela mesma lógica da supressão hormonal — não há evidência de benefício para fertilidade. A alternativa E (citrato de clomifeno) é inadequada porque não trata os endometriomas e a infertilidade não é anovulatória.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento da dor e o tratamento da infertilidade na endometriose. Para dor, supressão hormonal (ACO, GnRH) funciona; para infertilidade, não — e as alternativas A e D tentam fazer o candidato aplicar a lógica errada. Lembre-se: em infertilidade, o tratamento é cirúrgico (laparoscopia) e a supressão da ovulação é contraindicada.
Endometriose + infertilidade
1Tratamento da dor
ACO contínuo
Progestágenos
Análogo de GnRH
2Tratamento da infertilidade
Supressão hormonal (contraproducente)
Laparoscopia com cistectomia
Tentativa natural 6–12 meses
FIV direta (casos selecionados)
Idade avançada
Reserva ovariana reduzida
Falha cirúrgica prévia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O ACO contínuo suprime a ovulação e pode aliviar a dor, mas não trata a infertilidade — não há evidência de que melhore as taxas de gravidez após a suspensão. Além disso, os endometriomas de 6 cm não regridem com tratamento hormonal e permanecem como fator mecânico e inflamatório que compromete a fertilidade. A conduta ignora a necessidade de abordagem cirúrgica dos cistos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A laparoscopia com cistectomia bilateral é a conduta inicial apropriada: trata a dor, remove os endometriomas, restaura a anatomia pélvica e melhora as taxas de gravidez espontânea. Após a cirurgia, a tentativa natural por 6–12 meses é recomendada antes de partir para reprodução assistida. Esta é a abordagem alinhada às diretrizes para paciente jovem com endometriomas ≥ 4 cm e infertilidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A FIV direta, sem cirurgia prévia, é uma opção válida em casos selecionados (idade avançada, reserva ovariana muito reduzida, falha cirúrgica prévia), mas não é a estratégia inicial nesta paciente jovem com endometriomas bilaterais grandes. A cirurgia prévia pode permitir gestação natural e melhora os desfechos da FIV, reduzindo riscos como abscesso pélvico pós-punção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O análogo de GnRH promove pseudomenopausa e suprime a ovulação — exatamente o oposto do que se deseja para quem quer engravidar. Não há evidência de que melhore as taxas de fertilidade e o tempo de uso (3–6 meses) atrasa a tentativa de concepção. A supressão hormonal é indicada para dor, não para infertilidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O citrato de clomifeno é um indutor de ovulação usado em anovulação, mas a paciente não tem anovulação — tem endometriomas bilaterais de 6 cm que comprometem a fertilidade por mecanismos mecânicos e inflamatórios. Induzir ovulação sem tratar os cistos é ineficaz e não aborda a causa do problema.
Gabarito: letra B — laparoscopia com cistectomia dos endometriomas e tentativa natural por 6–12 meses.