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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu119974
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Fellow Nível 4 - Especialidade: Endoscopia Ginecológica
Mulher de 22 anos com dor pélvica baixa há 4 dias, corrimento, febre 37,8 ºC, dor à mobilização cervical; sem vômitos, hemodinamicamente estável, sem gestação.Qual o local de tratamento e o esquema inicial mais adequados?
  1. AInternação: ceftriaxone 1 g IV 24/24h + doxiciclina + metronidazol.
  2. BAmbulatorial: ceftriaxone 500 mg IM dose única + doxiciclina VO por 14 dias + metronidazol VO por 14 dias.
  3. CAmbulatorial: azitromicina 1 g VO semanal por 2 semanas.
  4. DInternação: clindamicina + gentamicina.
  5. EAmbulatorial: cefalexina + metronidazol por 7 dias.
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GabaritoB — Ambulatorial: ceftriaxone 500 mg IM dose única + doxiciclina VO por 14 dias + metronidazol VO por 14 dias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença Inflamatória Pélvica (DIP): tratamento ambulatorial

Gabarito: letra B. O quadro descrito — dor pélvica baixa, corrimento, febre baixa e dor à mobilização cervical — é classicamente compatível com doença inflamatória pélvica (DIP) não complicada, sem critérios de internação. O tratamento inicial mais adequado é ambulatorial, com esquema que cubra Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e anaeróbios: ceftriaxona 500 mg IM dose única + doxiciclina VO por 14 dias + metronidazol VO por 14 dias, conforme as diretrizes de manejo da DIP.

A doença inflamatória pélvica é uma infecção ascendente do trato genital feminino, envolvendo endométrio, trompas, ovários e peritônio pélvico. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade clássica: dor pélvica ou abdominal baixa, corrimento vaginal ou cervical e dor à mobilização do colo uterino (ou dor à palpação de anexos). A febre pode estar presente, mas não é obrigatória — muitos casos cursam com febre baixa ou até mesmo sem febre. O quadro da paciente se encaixa perfeitamente nesse perfil.

O ponto central da questão é decidir entre tratamento ambulatorial e hospitalar. A internação está reservada para situações específicas: diagnóstico incerto com possibilidade de emergência cirúrgica (como apendicite ou abscesso), suspeita de abscesso tubo-ovariano, gestação, comprometimento do estado geral com náuseas, vômitos ou febre alta, impossibilidade de acompanhamento ambulatorial ou falha na resposta ao tratamento ambulatorial em 72 horas. A paciente em questão é jovem, hemodinamicamente estável, sem vômitos e sem gestação — portanto, não preenche nenhum critério de internação. O tratamento ambulatorial é o mais adequado.

O esquema antibiótico deve ser direcionado aos principais agentes etiológicos: gonococo, clamídia, micoplasma e germes anaeróbios. O esquema clássico ambulatorial combina uma cefalosporina de espectro para gonococo (ceftriaxona 500 mg IM dose única), uma tetraciclina para clamídia e micoplasma (doxiciclina 100 mg VO de 12/12 horas por 14 dias) e um nitroimidazol para anaeróbios (metronidazol 250 mg, 2 comprimidos VO de 12/12 horas por 14 dias). Esse é exatamente o esquema descrito na alternativa B.

A pegadinha da questão está em dois pontos: primeiro, a alternativa A propõe internação com ceftriaxona IV, mas a paciente não tem critérios de hospitalização — o tratamento parenteral não confere benefício adicional em DIP não complicada. Segundo, a alternativa C usa apenas azitromicina, que não cobre anaeróbios de forma adequada e não é o esquema de primeira linha para DIP. A alternativa D propõe internação com clindamicina e gentamicina, esquema hospitalar que não se aplica ao caso. A alternativa E usa cefalexina, que não tem espectro adequado para gonococo nem clamídia.

Guarde o critério decisivo: a presença ou ausência de critérios de internação (gestação, abscesso, vômitos, febre alta, instabilidade) e a necessidade de cobertura para anaeróbios no esquema antibiótico. É exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

DIP: local de tratamento
  • 1Ambulatorial
    • Sem critérios de internação
    • Esquema: ceftriaxona + doxiciclina + metronidazol
  • 2Internação
    • Gestação
    • Abscesso tubo-ovariano
    • Vômitos/febre alta
    • Instabilidade hemodinâmica
    • Falha em 72h
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A internação não está indicada neste caso. A paciente é jovem, hemodinamicamente estável, sem vômitos, sem gestação e sem sinais de abscesso ou emergência cirúrgica. O tratamento hospitalar com antibióticos parenterais não confere benefício adicional a mulheres com DIP não complicada, comparado ao tratamento ambulatorial. Além disso, o esquema com ceftriaxona IV 1 g 24/24h é mais agressivo do que o necessário para o caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Este é o esquema ambulatorial clássico para DIP não complicada: ceftriaxona 500 mg IM dose única (cobre gonococo), doxiciclina VO por 14 dias (cobre clamídia e micoplasma) e metronidazol VO por 14 dias (cobre anaeróbios). A paciente não tem critérios de internação, então o tratamento ambulatorial é o mais adequado. A combinação dos três antibióticos garante a cobertura dos principais agentes etiológicos da DIP.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A azitromicina 1 g VO semanal por 2 semanas não é o esquema de primeira linha para DIP. Embora a azitromicina tenha atividade contra clamídia e gonococo, ela não cobre adequadamente os anaeróbios, que são agentes importantes na DIP. Além disso, o esquema com azitromicina semanal não é o padrão recomendado para o tratamento ambulatorial da DIP — o esquema clássico inclui ceftriaxona + doxiciclina + metronidazol.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A internação com clindamicina + gentamicina é um esquema hospitalar, indicado para casos graves de DIP com critérios de internação (abscesso tubo-ovariano, gestação, vômitos, febre alta, instabilidade hemodinâmica). A paciente não preenche nenhum desses critérios, portanto o tratamento ambulatorial é o mais adequado. Além disso, o esquema clindamicina + gentamicina é mais agressivo e não é o de primeira escolha para DIP não complicada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cefalexina não tem espectro adequado para os agentes da DIP. A cefalexina é uma cefalosporina de primeira geração, com boa atividade contra cocos Gram-positivos, mas sem cobertura adequada para Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis ou anaeróbios. O esquema com cefalexina + metronidazol por 7 dias não cobre os principais agentes etiológicos da DIP e não é recomendado pelas diretrizes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os critérios de internação e o esquema ambulatorial. A alternativa A parece tentadora por usar ceftriaxona IV, mas a paciente não tem critérios de hospitalização — o tratamento parenteral não traz benefício em DIP não complicada. Já a alternativa C usa azitromicina, que é esquema para uretrite ou cervicite, não para DIP, pois não cobre anaeróbios. Fique atento: a presença de febre baixa (37,8 ºC) não é critério de internação — apenas febre alta com comprometimento do estado geral justifica hospitalização.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar o esquema ambulatorial da DIP, lembre-se da tríade "ceftriaxona + doxiciclina + metronidazol": a ceftriaxona cobre gonococo (dose única IM), a doxiciclina cobre clamídia e micoplasma (14 dias VO) e o metronidazol cobre anaeróbios (14 dias VO). Na prova, verifique sempre se a alternativa inclui os três componentes e se o local de tratamento (ambulatorial vs. internação) está correto para o caso clínico apresentado.

Gabarito: letra B

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