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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
vu119984
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente do sexo feminino, de 35 anos, apresenta dor abdominal pós-prandial, perda de peso não intencional de 8 kg em quatro meses e náuseas após alimentação. Relata episódios de saciedade precoce e medo de se alimentar devido à dor. Foi realizada uma angiotomografia de abdome, cuja imagem é apresentada a seguir:Captura_de tela 2026-04-01 103428.png 546×311(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)Analisando a imagem e a apresentação clínica, qual é o diagnóstico mais provável?
  1. AEstenose aterosclerótica do tronco celíaco.
  2. BCompressão extrínseca do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano.
  3. CTrombose da artéria mesentérica superior.
  4. DAneurisma de artéria esplênica.
  5. ESíndrome do aprisionamento da artéria mesentérica superior.
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GabaritoB — Compressão extrínseca do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do ligamento arqueado mediano (Síndrome de Dunbar)

Gabarito: letra B. A paciente apresenta dor abdominal pós-prandial, perda de peso, saciedade precoce e medo de se alimentar — a tríade clássica de isquemia mesentérica crônica — e a angiotomografia demonstra compressão extrínseca do tronco celíaco, achado típico da síndrome do ligamento arqueado mediano (síndrome de Dunbar). O diagnóstico é feito pela imagem, que mostra a compressão do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano do diafragma, frequentemente com aspecto de "gancho" ou estenose focal na origem do vaso.

A síndrome do ligamento arqueado mediano, também conhecida como síndrome de Dunbar, é uma condição rara em que o ligamento arqueado mediano do diafragma comprime o tronco celíaco, causando isquemia dos órgãos por ele irrigados (estômago, fígado, baço e parte do intestino). Essa compressão é mais evidente na expiração, quando o diafragma se eleva e o ligamento se aproxima da aorta. O quadro clínico típico é de dor abdominal pós-prandial, perda de peso, náuseas e saciedade precoce — sintomas que levam o paciente a evitar se alimentar, perpetuando a perda ponderal. É uma causa de isquemia mesentérica crônica, que se diferencia da forma aguda por ter instalação insidiosa e não cursar com abdome agudo.

O diagnóstico é feito por exames de imagem, sendo a angiotomografia (angio-TC) o método de escolha. Na imagem, observa-se estenose focal na origem do tronco celíaco, frequentemente com aspecto de "gancho" (hooked appearance), causada pela compressão extrínseca do ligamento. O Doppler ultrassonográfico também pode ser útil, mostrando aumento da velocidade de fluxo na artéria durante a expiração. O tratamento é cirúrgico, com liberação do ligamento arqueado (descompressão), podendo ser associada à revascularização do tronco celíaco.

É fundamental distinguir a síndrome de Dunbar de outras causas de isquemia mesentérica crônica, como a estenose aterosclerótica do tronco celíaco, que ocorre em pacientes mais velhos e com fatores de risco cardiovascular, e a trombose da artéria mesentérica superior, que cursa com quadro agudo e grave. A síndrome do aprisionamento da artéria mesentérica superior (síndrome de Wilkie) também causa sintomas pós-prandiais, mas por compressão do duodeno, e não do tronco celíaco. O aneurisma de artéria esplênica, por sua vez, é geralmente assintomático e não causa dor pós-prandial.

A banca explora a confusão entre as diferentes causas de isquemia mesentérica e compressões vasculares. A chave para acertar é correlacionar o quadro clínico crônico (dor pós-prandial, perda de peso) com o achado de imagem da compressão extrínseca do tronco celíaco. A paciente jovem, sem fatores de risco cardiovascular, afasta a etiologia aterosclerótica, e o caráter crônico afasta a trombose aguda. A imagem é o elemento decisivo: a compressão extrínseca do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano é o achado patognomônico da síndrome de Dunbar.

Isquemia mesentérica crônica
  • 1Síndrome de Dunbar (ligamento arqueado mediano)
    • Compressão extrínseca do tronco celíaco
    • Dor pós-prandial, perda de peso, saciedade precoce
    • Jovem, sem fatores de risco cardiovascular
    • Tratamento: descompressão cirúrgica
  • 2Estenose aterosclerótica do tronco celíaco
    • Placa intraluminal
    • Idosos, fatores de risco cardiovascular
  • 3Síndrome de Wilkie (aprisionamento da AMS)
    • Compressão do duodeno (3ª porção)
    • Náuseas, vômitos, perda de peso
  • 4Isquemia mesentérica aguda
    • Trombose da artéria mesentérica superior
      • Dor intensa desproporcional ao exame
      • Evolução rápida para necrose
  • 5Aneurisma de artéria esplênica
    • Geralmente assintomático
    • Achado incidental
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A estenose aterosclerótica do tronco celíaco é uma causa de isquemia mesentérica crônica, mas ocorre em pacientes mais velhos, com fatores de risco cardiovascular (tabagismo, dislipidemia, hipertensão). A paciente tem 35 anos e não apresenta esses fatores. Além disso, a imagem mostra compressão extrínseca, e não uma placa aterosclerótica intraluminal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A compressão extrínseca do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano é a causa da síndrome de Dunbar. O quadro clínico de dor pós-prandial, perda de peso e saciedade precoce, associado ao achado de imagem de compressão extrínseca do tronco celíaco, confirma o diagnóstico. A paciente jovem, sem fatores de risco cardiovascular, reforça essa hipótese.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A trombose da artéria mesentérica superior causa isquemia mesentérica aguda, com dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico, náuseas, vômitos e diarreia, evoluindo rapidamente para necrose intestinal e sepse. O quadro da paciente é crônico (4 meses de evolução), o que afasta essa hipótese. A imagem mostraria oclusão da artéria mesentérica superior, não compressão do tronco celíaco.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O aneurisma de artéria esplênica é geralmente assintomático e incidental, podendo causar dor abdominal vaga ou sintomas compressivos. Não causa dor pós-prandial, perda de peso ou saciedade precoce. A imagem mostraria dilatação aneurismática da artéria esplênica, não compressão do tronco celíaco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome do aprisionamento da artéria mesentérica superior (síndrome de Wilkie) é causada pela compressão da terceira porção do duodeno entre a aorta e a artéria mesentérica superior, levando a obstrução duodenal. Os sintomas incluem dor pós-prandial, náuseas, vômitos e perda de peso, mas a imagem mostraria compressão do duodeno, não do tronco celíaco. A angiotomografia da paciente evidencia compressão do tronco celíaco, o que direciona para a síndrome de Dunbar.

Gabarito: letra B

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