Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu119985
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Homem de 25 anos, residente em área endêmica para febre tifoide, apresenta febre contínua há três semanas, dor abdominal difusa, mal-estar, hepatoesplenomegalia e diarreia alternando com constipação. Evolui subitamente com dor abdominal intensa, defesa muscular generalizada e sinais de peritonite. A radiografia de abdome mostra pneumoperitônio.Em relação ao quadro descrito, assinale a alternativa correta.
AA perfuração intestinal na febre tifoide ocorre mais comumente no cólon descendente, secundária à necrose de criptas de Lieberkühn.
BO agente etiológico é Salmonella enterica sorovar Typhi, que pode causar necrose das placas de Peyer no íleo terminal, levando à perfuração.
CO quadro descrito é causado por Shigella dysenteriae e caracterizado por invasão do intestino delgado proximal e formação de pseudomembranas ulceradas.
DA complicação apresentada é rara na febre tifoide, sendo mais característica da infecção por Yersinia enterocolítica.
EO tratamento inicial deve ser clínico, com antibioticoterapia exclusiva, pois a perfuração intestinal por febre tifoide costuma fechar espontaneamente.
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GabaritoB — O agente etiológico é Salmonella enterica sorovar Typhi, que pode causar necrose das placas de Peyer no íleo terminal, levando à perfuração.
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Febre tifoide e perfuração intestinal
Gabarito: letra B. O quadro descrito é de febre tifoide complicada por perfuração intestinal, cujo agente etiológico é a Salmonella enterica sorovar Typhi, que causa necrose das placas de Peyer no íleo terminal, podendo levar à perfuração e peritonite. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a localização da perfuração, o agente etiológico, a frequência da complicação e o tratamento.
A febre tifoide é uma doença bacteriana sistêmica, de transmissão fecal-oral, causada pela Salmonella enterica sorovar Typhi. O quadro clássico evolui em semanas, com febre contínua e ascendente, mal-estar, dor abdominal, hepatoesplenomegalia e alterações do hábito intestinal (obstipação em adultos, diarreia em crianças). A complicação mais temida é a perfuração intestinal, que ocorre tipicamente na terceira semana de doença, quando há necrose das placas de Peyer no íleo terminal. Essa necrose é consequência da invasão bacteriana e da resposta inflamatória local, podendo evoluir para ulceração e perfuração, com extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal, causando peritonite. O diagnóstico de perfuração é clínico (dor abdominal intensa, defesa muscular, sinais de peritonite) e radiológico (pneumoperitônio na radiografia de abdome). O tratamento da perfuração é cirúrgico, com laparotomia de urgência, além de antibioticoterapia.
A banca explora a confusão entre a febre tifoide e outras infecções intestinais, como a shigelose e a yersiniose, e entre a localização da perfuração (íleo terminal vs. cólon descendente). A alternativa correta é a que identifica corretamente o agente etiológico e o mecanismo fisiopatológico da perfuração.
Febre tifoide
1Agente etiológico
Salmonella enterica sorovar Typhi
2Transmissão
Fecal-oral
3Quadro clínico
Febre contínua e ascendente
Mal-estar, dor abdominal
Hepatoesplenomegalia
Alteração do hábito intestinal
4Complicação: perfuração intestinal
3ª semana de doença
Necrose das placas de Peyer (íleo terminal)
Peritonite (pneumoperitônio)
Tratamento: cirúrgico de urgência
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A perfuração intestinal na febre tifoide ocorre mais comumente no íleo terminal, não no cólon descendente. A necrose das placas de Peyer, que são agregados de tecido linfoide presentes na submucosa do íleo, é o evento fisiopatológico central. As criptas de Lieberkühn são glândulas intestinais presentes em todo o intestino delgado e grosso, e sua necrose não é o mecanismo descrito na febre tifoide. A alternativa erra tanto na localização anatômica quanto no mecanismo fisiopatológico.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa B está correta ao identificar o agente etiológico como Salmonella enterica sorovar Typhi e o mecanismo de perfuração como necrose das placas de Peyer no íleo terminal. A bactéria invade os enterócitos e as placas de Peyer, desencadeando resposta inflamatória que pode levar à ulceração e perfuração, especialmente na terceira semana de doença. Esse é o mecanismo clássico descrito na literatura.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C erra ao atribuir o quadro à Shigella dysenteriae. A shigelose é uma infecção que acomete principalmente o cólon, causando disenteria, e não cursa com o quadro sistêmico de febre tifoide com hepatoesplenomegalia e perfuração intestinal. A formação de pseudomembranas é característica da colite pseudomembranosa, associada ao Clostridium difficile, não à shigelose. A invasão do intestino delgado proximal não é o padrão da shigelose, que afeta o cólon.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D erra ao afirmar que a perfuração intestinal é rara na febre tifoide. Na verdade, a perfuração intestinal é a complicação mais grave e temida da febre tifoide, ocorrendo em cerca de 1-3% dos casos, especialmente na terceira semana de doença. A infecção por Yersinia enterocolitica pode causar ileíte e adenite mesentérica, mimetizando apendicite, mas a perfuração intestinal não é uma complicação característica dessa infecção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E erra ao afirmar que o tratamento inicial deve ser clínico, com antibioticoterapia exclusiva. A perfuração intestinal é uma emergência cirúrgica, e o tratamento é cirúrgico, com laparotomia de urgência para correção da perfuração e lavagem da cavidade peritoneal, além de antibioticoterapia. A perfuração não costuma fechar espontaneamente, e o atraso no tratamento cirúrgico aumenta a morbimortalidade.