Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu119989
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente de 32 anos, com abdome e região inguinal muito pilosos, será submetido a hernioplastia inguinal aberta. A equipe discute a necessidade de tricotomia pré-operatória.De acordo com as evidências atuais e as recomendações de boas práticas cirúrgicas, qual é a conduta mais adequada?
  1. ARealizar tricotomia completa com lâmina de barbear, 12 horas antes da cirurgia, para melhor visualização do campo cirúrgico.
  2. BAvaliar a necessidade real de tricotomia: se os pelos impedirem a incisão ou o fechamento adequado, realizar imediatamente antes da cirurgia com aparador elétrico.
  3. CRealizar tricotomia, apenas se o paciente consentir expressamente, com creme depilatório, 24 horas antes.
  4. DNão realizar tricotomia em nenhuma circunstância, pois aumenta o risco de infecção.
  5. ERealizar tricotomia rotineira em todos os pacientes, independentemente da densidade pilosa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Avaliar a necessidade real de tricotomia: se os pelos impedirem a incisão ou o fechamento adequado, realizar imediatamente antes da cirurgia com aparador elétrico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tricotomia pré-operatória: evidências e boas práticas

Gabarito: letra B. A conduta mais adequada é avaliar a necessidade real de tricotomia e, quando indicada, realizá-la imediatamente antes da cirurgia com aparador elétrico (clipper), evitando a lâmina de barbear. Essa recomendação baseia-se nas diretrizes de prevenção de infecção de sítio cirúrgico (ISC), que mostram que a tricotomia com lâmina aumenta o risco de microlesões na pele e, consequentemente, de infecção.

A tricotomia pré-operatória é um tema clássico em cirurgia e um dos pontos mais cobrados em provas de residência e concursos. A lógica por trás da recomendação atual é simples: a pele íntegra é a primeira barreira contra infecções. Quando usamos lâmina de barbear, criamos microtraumas invisíveis a olho nu, que servem de porta de entrada para bactérias. Por isso, a orientação das principais sociedades de cirurgia e controle de infecção é: não fazer tricotomia de rotina; se for necessário remover pelos, usar aparador elétrico (clipper) e fazer isso o mais próximo possível do momento da cirurgia.

Vamos entender o racional por trás de cada ponto. Primeiro, a tricotomia não é um procedimento obrigatório — ela só deve ser feita se os pelos realmente atrapalharem a incisão, a sutura ou a visualização do campo. Em muitas cirurgias, como as laparoscópicas, a tricotomia é desnecessária. Segundo, o momento da tricotomia importa: quanto mais cedo for feita antes da cirurgia, maior o tempo para as bactérias colonizarem as microlesões e proliferarem. Por isso, o ideal é fazer imediatamente antes do procedimento. Terceiro, o método é crucial: a lâmina de barbear é proibida pelas diretrizes, pois causa microtraumas; o aparador elétrico corta os pelos rentes à pele sem lesá-la, sendo o método de escolha. O creme depilatório é uma alternativa aceitável, mas pode causar reações alérgicas e não é o método preferencial.

A pegadinha desta questão está em duas alternativas: a letra A, que sugere lâmina de barbear 12 horas antes (erro duplo: método e tempo), e a letra D, que diz "nunca fazer tricotomia" (erro de generalização absoluta). A banca testa se o candidato conhece a recomendação matizada: não é "nunca", é "somente quando necessário, com o método correto e no momento certo".

Guarde o tripé: necessidade real + aparador elétrico + imediatamente antes. É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.

Tricotomia pré-operatória
  • 1Regra geral
    • Não fazer de rotina
    • Avaliar necessidade real
  • 2Se indicada
    • Método
      • Aparador elétrico (clipper)
      • Lâmina de barbear (microtraumas)
      • Creme depilatório (alternativa, risco de alergia)
    • Momento
      • Imediatamente antes da cirurgia
      • 12h/24h antes (proliferação bacteriana)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro duplo: usa lâmina de barbear (método proibido, pois causa microtraumas que aumentam o risco de ISC) e faz a tricotomia 12 horas antes (tempo excessivo, que permite a proliferação bacteriana nas microlesões). A recomendação é usar aparador elétrico imediatamente antes da cirurgia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Espelha exatamente a recomendação das diretrizes: avaliar a necessidade real (não é rotina), e se os pelos atrapalharem, realizar imediatamente antes com aparador elétrico. O clipper corta os pelos sem lesar a pele, minimizando o risco de infecção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O creme depilatório não é o método de escolha (pode causar reações alérgicas e não é o preferencial), e o prazo de 24 horas antes é excessivo. Além disso, a tricotomia não depende de consentimento expresso específico — o consentimento para a cirurgia já abrange os cuidados pré-operatórios. A alternativa mistura conceitos de autonomia do paciente com a técnica correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro de generalização absoluta: dizer que "nunca" se deve fazer tricotomia é incorreto. A recomendação é não fazer de rotina, mas há situações em que é necessária (pelos que impedem a incisão ou o fechamento). A palavra "nunca" torna a alternativa errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro oposto ao da letra D: a tricotomia não deve ser rotineira em todos os pacientes. A recomendação é individualizar, avaliando a necessidade real. Fazer tricotomia desnecessária expõe o paciente a riscos (microtraumas, irritação) sem benefício.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a palavra "nunca" na letra D e "rotineira" na letra E para testar se você conhece a recomendação matizada. A regra não é absoluta em nenhum dos extremos: é "avaliar a necessidade". Se a alternativa trouxer "sempre" ou "nunca", desconfie imediatamente — a boa prática médica raramente é absoluta.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de tricotomia, memorize o tripé: necessidade real + aparador elétrico + imediatamente antes. Se qualquer um desses elementos estiver trocado (lâmina, 12h antes, rotina), a alternativa está errada. Essa é uma das pegadinhas mais recorrentes em provas de cirurgia.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu119989