Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu119994
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente foi submetido à ressecção anterior baixa do reto com anastomose colorretal e derivação temporária por ileostomia em alça.Comparada com colostomia em alça para derivação temporária, a ileostomia em alça apresenta
Amenor taxa de desidratação e de readmissão hospitalar no período pós-operatório imediato.
Bmaior taxa de hérnia incisional no sítio de fechamento da estomia.
Cmaior taxa de obstrução intestinal após o fechamento da estomia por bridas.
Dmaior taxa de complicações infecciosas no sítio cirúrgico após a reconstrução.
Emaior taxa de prolapso da estomia durante o período de derivação.
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GabaritoC — maior taxa de obstrução intestinal após o fechamento da estomia por bridas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estomias intestinais de derivação: ileostomia em alça × colostomia em alça
Gabarito: letra C. A ileostomia em alça, comparada à colostomia em alça para derivação temporária, apresenta maior taxa de obstrução intestinal após o fechamento da estomia por bridas — exatamente o que afirma a alternativa C. Isso decorre do fato de o íleo ser um segmento de menor calibre e mais propenso a aderências pós-operatórias, especialmente após a manipulação e o fechamento da estomia. As demais alternativas invertem ou atribuem à ileostomia complicações que são, na verdade, mais características da colostomia ou não têm suporte na literatura cirúrgica.
A escolha entre ileostomia em alça e colostomia em alça para proteger uma anastomose colorretal baixa é uma decisão clássica em cirurgia colorretal. Ambas as estomias desviam o trânsito fecal, protegendo a anastomose de maior risco de deiscência. No entanto, cada uma tem um perfil de complicações distinto, e é esse perfil que a questão explora.
A ileostomia em alça é tecnicamente mais fácil de confeccionar e de fechar, pois o íleo é mais móvel e o fechamento pode ser feito por uma pequena incisão local. Porém, o efluente ileal é líquido e rico em enzimas digestivas e eletrólitos, o que acarreta duas consequências principais: maior risco de desidratação e de distúrbios hidroeletrolíticos (especialmente hiponatremia e hipocalemia) e maior agressão à pele periestomal (dermatite). Além disso, o íleo, por ser um segmento de menor calibre, é mais suscetível a obstrução por bridas — tanto no período em que a estomia está funcionante quanto, principalmente, após o fechamento, quando a manipulação e a cicatrização local favorecem a formação de aderências.
A colostomia em alça, por sua vez, produz efluente mais pastoso, com menor perda de líquidos e eletrólitos, o que reduz o risco de desidratação. No entanto, por ser um segmento de maior calibre e mais fixo, a colostomia em alça apresenta maior risco de prolapso da estomia e, no fechamento, por exigir uma incisão um pouco maior e mobilização do cólon, pode estar associada a maior taxa de hérnia incisional no sítio de fechamento. As complicações infecciosas no sítio cirúrgico após a reconstrução são comparáveis entre as duas técnicas, sem uma diferença consistente que favoreça uma sobre a outra.
A pegadinha central da questão é a inversão de complicações: o candidato que memoriza que a ileostomia causa mais desidratação pode ser levado a marcar a alternativa A, mas ela está errada porque a ileostomia causa mais desidratação, não menos. Da mesma forma, a alternativa B atribui à ileostomia a maior taxa de hérnia incisional, que é característica da colostomia. A alternativa E atribui à ileostomia o maior risco de prolapso, que também é da colostomia. A alternativa D, sobre complicações infecciosas, não encontra respaldo em uma diferença significativa entre as duas técnicas.
Guarde o par de complicações opostas: ileostomia → desidratação e obstrução por bridas; colostomia → prolapso e hérnia incisional. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Ileostomia
Colostomia
Baixa incidência
Desidratação e obstrução por bridas
Prolapso e hérnia incisional
Alta incidência
Prolapso e hérnia incisional
Desidratação e obstrução por bridas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a ileostomia em alça tem menor taxa de desidratação e readmissão hospitalar. É o oposto do que ocorre: o efluente ileal é líquido e rico em eletrólitos, o que causa maior perda de líquidos e, consequentemente, maior risco de desidratação e de readmissão hospitalar no pós-operatório imediato. A banca inverteu a relação — a desidratação é a complicação mais clássica e temida da ileostomia, não da colostomia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a ileostomia tem maior taxa de hérnia incisional no sítio de fechamento. Essa complicação é mais característica da colostomia em alça, cujo fechamento exige incisão um pouco maior e maior mobilização do cólon. A ileostomia, por ser mais móvel, permite fechamento por pequena incisão local, com menor taxa de hérnia. A alternativa troca a complicação típica de uma pela outra.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a ileostomia em alça tem maior taxa de obstrução intestinal após o fechamento da estomia por bridas. É correto: o íleo é um segmento de menor calibre e mais propenso a formar aderências pós-operatórias, especialmente após a manipulação e o fechamento da estomia. A obstrução por bridas é uma complicação reconhecidamente mais frequente após o fechamento de ileostomia do que de colostomia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a ileostomia tem maior taxa de complicações infecciosas no sítio cirúrgico após a reconstrução. Não há evidência consistente de diferença significativa entre ileostomia e colostomia quanto a complicações infecciosas no fechamento. Ambas apresentam taxas semelhantes de infecção de sítio cirúrgico, e a literatura não aponta superioridade de uma sobre a outra nesse aspecto específico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a ileostomia tem maior taxa de prolapso da estomia. O prolapso é complicação mais típica da colostomia em alça, pois o cólon é um segmento de maior calibre e mais sujeito a exteriorização. A ileostomia, por ser mais fixa e de menor calibre, apresenta menor risco de prolapso. A alternativa inverte a complicação característica de cada estomia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as complicações típicas de cada estomia. O candidato que memoriza que a ileostomia causa desidratação pode marcar a alternativa A, mas ela está invertida — a ileostomia causa mais desidratação, não menos. Da mesma forma, prolapso e hérnia incisional são complicações da colostomia, não da ileostomia. O par correto é: ileostomia → desidratação e obstrução por bridas; colostomia → prolapso e hérnia incisional. Com esse mapa mental, você elimina as alternativas A, B e E de imediato.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental de complicações opostas:
Complicação
Ileostomia em alça
Colostomia em alça
Desidratação
Alta (efluente líquido)
Baixa (efluente pastoso)
Obstrução por bridas
Alta (íleo de menor calibre)
Menor
Prolapso
Menor
Alta (cólon de maior calibre)
Hérnia incisional no fechamento
Menor
Alta (incisão maior)
Infecção de sítio cirúrgico
Semelhante
Semelhante
Gabarito: letra C — a ileostomia em alça apresenta maior taxa de obstrução intestinal após o fechamento por bridas.