Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu119995
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente do sexo masculino, de 25 anos, vítima de ferimento penetrante por arma branca em zona II do pescoço (entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula), é admitido no pronto-socorro com hematoma expansivo em região cervical anterior, disfonia, enfisema subcutâneo e saturação de 88% em ar ambiente.Diante do quadro, assinale a alternativa que apresenta corretamente o conjunto de estruturas anatômicas com maior risco de ter sido lesado.
AArtérias vertebrais, veias jugulares e troncos nervosos cervicais.
BTraqueia, laringe e artérias carótidas.
CEsôfago, ducto torácico e parênquima pulmonar.
DFaringe, medula espinhal e arco aórtico.
EVeias subclávias, brônquios principais e nervo frênico.
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GabaritoB — Traqueia, laringe e artérias carótidas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trauma cervical penetrante: zonas do pescoço e estruturas em risco
Gabarito: letra B. No ferimento penetrante em zona II do pescoço (entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula), as estruturas com maior risco de lesão são a traqueia, a laringe e as artérias carótidas — exatamente o conjunto da alternativa B. O quadro clínico apresentado (hematoma expansivo, disfonia, enfisema subcutâneo e hipoxemia) aponta diretamente para lesão de via aérea e de grandes vasos cervicais, o que confirma o diagnóstico anatômico.
O pescoço é dividido em três zonas para orientar a abordagem do trauma penetrante. A zona II, que vai da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula, é a mais exposta e a mais facilmente acessível cirurgicamente. Nela estão estruturas vitais como a laringe, a traqueia, as artérias carótidas, as veias jugulares, o esôfago e a medula espinhal. A classificação em zonas ajuda a decidir entre exploração cirúrgica imediata ou avaliação diagnóstica adicional: convencionalmente, lesões na zona II são submetidas à exploração cirúrgica, enquanto ferimentos nas zonas I e III passam por avaliações suplementares.
O quadro clínico do paciente é a chave para a resposta. O hematoma expansivo em região cervical anterior sugere lesão de vaso de grande calibre, como a artéria carótida. A disfonia indica comprometimento da laringe ou do nervo laríngeo recorrente. O enfisema subcutâneo e a saturação de 88% em ar ambiente apontam para lesão de via aérea, como traqueia ou laringe, com extravasamento de ar para os tecidos. Esses sinais, em conjunto, direcionam para as estruturas da alternativa B.
A banca explora a confusão entre as estruturas de cada zona. A zona I (da clavícula à cricoide) contém estruturas torácicas e mediastinais, como os grandes vasos, o esôfago e o ducto torácico. A zona III (do ângulo da mandíbula à base do crânio) contém estruturas distais, como a faringe e as artérias vertebrais distais. A alternativa B é a única que lista estruturas que estão todas na zona II e que explicam o quadro clínico apresentado.
Guarde a correspondência entre a zona e as estruturas: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A zona II é a região do pescoço com maior densidade de estruturas vitais e a mais comumente lesada em ferimentos penetrantes.
Zonas do pescoço (trauma penetrante): Zona I (clavícula → cricoide) (Grandes vasos torácicos, Esôfago, Ducto torácico, Brônquios principais); Zona II (cricoide → mandíbula) (Laringe, Traqueia, Artérias carótidas, Veias jugulares, Esôfago); Zona III (mandíbula → base do crânio) (Faringe, Artérias vertebrais distais)
Alternativa A — ❌ Incorreta
As artérias vertebrais e as veias jugulares estão na zona II, mas os troncos nervosos cervicais não são as estruturas de maior risco no quadro apresentado. A disfonia e o enfisema subcutâneo apontam para lesão de via aérea, não para lesão nervosa. A alternativa mistura estruturas vasculares com nervosas, mas não inclui a laringe e a traqueia, que são as mais provavelmente lesadas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A traqueia, a laringe e as artérias carótidas estão todas na zona II do pescoço. O quadro clínico — hematoma expansivo (carótida), disfonia (laringe), enfisema subcutâneo e hipoxemia (traqueia) — é a tradução clínica da lesão dessas estruturas. A alternativa espelha exatamente o conjunto de maior risco na zona II.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O esôfago está na zona II, mas o ducto torácico e o parênquima pulmonar são estruturas da zona I, mais inferiores. Além disso, o quadro clínico não sugere lesão esofágica (que cursaria com dor, disfagia ou sinais de mediastinite), e sim lesão de via aérea e vascular. A alternativa mistura estruturas de zonas diferentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A faringe está na zona III, a medula espinhal percorre todo o pescoço, mas o arco aórtico é uma estrutura torácica, da zona I. O quadro clínico não sugere lesão de faringe (que cursaria com disfagia ou sangramento oral) nem lesão medular (que cursaria com déficit neurológico). A alternativa mistura estruturas de zonas diferentes e não explica o quadro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As veias subclávias e os brônquios principais são estruturas da zona I, mais inferiores. O nervo frênico percorre o pescoço, mas não é a estrutura de maior risco no quadro apresentado. A alternativa não inclui a laringe e a traqueia, que são as mais provavelmente lesadas, e mistura estruturas de zonas diferentes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora misturar estruturas de zonas diferentes do pescoço para confundir. A alternativa C, por exemplo, inclui o ducto torácico e o parênquima pulmonar, que são da zona I, não da zona II. A alternativa D inclui o arco aórtico, que é uma estrutura torácica. Fique atento: a zona II é a região entre a cricoide e o ângulo da mandíbula, e as estruturas de maior risco são a laringe, a traqueia e as carótidas. Com treino, você identifica essas misturas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de trauma cervical, decore a correspondência entre zona e estruturas. A zona I (clavícula-cricoide) tem estruturas torácicas e mediastinais; a zona II (cricoide-mandíbula) tem laringe, traqueia, carótidas e jugulares; a zona III (mandíbula-base do crânio) tem faringe e artérias vertebrais distais. Quando o quadro clínico trouxer disfonia, enfisema subcutâneo ou hematoma expansivo, pense em lesão de via aérea e grandes vasos — a resposta quase sempre estará na zona II.