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Questão de Medicina — Angiologia — VUNESP 2026

MedicinaAngiologia
Código
vu119997
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente de 45 anos chega ao pronto-socorro com dor súbita em membro inferior esquerdo, palidez e esfriamento desse membro. Refere ter realizado cirurgia para troca de válvula aórtica há seis anos.Qual é o diagnóstico mais provável?
  1. AAterosclerose obliterante periférica descompensada.
  2. BOclusão arterial aguda trombótica.
  3. COclusão arterial embólica.
  4. DTromboangeíte obliterante.
  5. ETrombose venosa profunda.
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GabaritoC — Oclusão arterial embólica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oclusão arterial aguda: embolia versus trombose

Gabarito: letra C. O paciente apresenta dor súbita, palidez e esfriamento do membro inferior esquerdo, com antecedente de cirurgia de troca de válvula aórtica há seis anos — esse conjunto é clássico de oclusão arterial embólica, pois a prótese valvar é uma fonte emboligênica conhecida, e o quadro agudo sem história de claudicação intermitente prévia favorece embolia em vez de trombose (que ocorre sobre doença aterosclerótica prévia).

A oclusão arterial aguda (OAA) é uma emergência vascular caracterizada pela súbita interrupção do fluxo arterial, levando à isquemia do território distal. Clinicamente, manifesta-se pelos seis "Ps": dor (pain), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness), poiquilotermia (redução da temperatura), parestesia e paralisia. A dor é o sintoma mais frequente e costuma ser de início súbito, intensa, em cãibra ou queimação, mantida ao repouso.

As duas principais etiologias da OAA são a trombose arterial e a embolia arterial. A trombose ocorre, em geral, sobre uma placa aterosclerótica pré-existente, em pacientes com doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) e história de claudicação intermitente. Já a embolia acontece quando um êmbolo — frequentemente de origem cardíaca — oclui uma artéria sem doença prévia significativa, em um leito que não desenvolveu circulação colateral. A fonte emboligênica é cardíaca em 60 a 70% dos casos, incluindo fibrilação atrial, infarto do miocárdio com trombo mural, valvulopatias (como estenose mitral) e próteses valvares. No caso apresentado, a cirurgia de troca de válvula aórtica é o dado-chave: próteses mecânicas (e, em menor grau, biológicas) são fontes reconhecidas de êmbolos, especialmente se o paciente não estiver adequadamente anticoagulado.

Na prática, a distinção entre trombose e embolia é fundamental para o manejo. O paciente com trombose costuma ter história de claudicação intermitente, pulsos diminuídos no membro contralateral e sinais de isquemia crônica (rarefação de pelos, atrofia muscular, unhas espessadas). Já o paciente com embolia geralmente não tem claudicação prévia, o exame dos pulsos contralaterais é normal e o quadro é dramaticamente súbito. Em cerca de 15% dos casos, não é possível diferenciar clinicamente, mas aqui os dados favorecem claramente a embolia.

A alternativa A (aterosclerose obliterante periférica descompensada) refere-se à DAOP crônica que se agudiza — mas o paciente não tem história de claudicação, e a presença de prótese valvar aponta para outra etiologia. A alternativa B (trombose) seria mais provável se houvesse doença aterosclerótica prévia. A alternativa D (tromboangeíte obliterante) é uma vasculite que acomete fumantes jovens, com envolvimento de pequenas e médias artérias, e não se encaixa no quadro. A alternativa E (trombose venosa profunda) cursa com edema, cianose e dor, mas não com palidez e esfriamento súbitos — e o Doppler mostraria fluxo arterial preservado.

Guarde a fronteira: embolia = fonte cardíaca/valvar + início súbito + sem claudicação prévia; trombose = DAOP + claudicação + sinais de isquemia crônica. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Critério

Embolia Arterial

Trombose Arterial

Mecanismo

Êmbolo (origem cardíaca/valvar) oclui artéria

Trombo sobre placa aterosclerótica pré-existente

Início

Súbito, dramático

Geralmente agudo, mas com história prévia

História prévia

Sem claudicação intermitente

Claudicação intermitente (DAOP)

Fonte emboligênica

Presente (ex.: prótese valvar, FA, IAM)

Ausente

Circulação colateral

Ausente (leito sem doença prévia)

Presente (desenvolvida pela DAOP)

Pulsos contralaterais

Normais

Diminuídos

Sinais de isquemia crônica

Ausentes

Presentes (rarefação de pelos, atrofia, unhas espessadas)

Oclusão arterial aguda
  • 1Embolia
    • Fonte cardíaca/valvar
    • Início súbito
    • Sem claudicação prévia
  • 2Trombose
    • Sobre placa aterosclerótica
    • DAOP prévia
    • Claudicação intermitente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A aterosclerose obliterante periférica descompensada (DAOP agudizada) é uma possibilidade, mas o paciente não tem história de claudicação intermitente nem sinais de isquemia crônica no membro contralateral. Além disso, a presença de prótese valvar aórtica é um forte indicativo de fonte emboligênica, tornando a embolia muito mais provável. A DAOP descompensada costuma ocorrer em pacientes com múltiplos fatores de risco aterosclerótico (tabagismo, diabetes, dislipidemia) e com doença arterial prévia conhecida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A oclusão arterial aguda trombótica ocorre sobre uma placa aterosclerótica pré-existente, em pacientes com DAOP e claudicação intermitente. O paciente em questão não apresenta esses antecedentes; ao contrário, tem uma prótese valvar, que é fonte clássica de êmbolos. A trombose seria mais provável se houvesse história de claudicação, pulsos diminuídos no membro contralateral ou sinais de isquemia crônica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A oclusão arterial embólica é o diagnóstico mais provável. O paciente tem uma prótese de válvula aórtica (fonte emboligênica cardíaca), e o quadro é de início súbito, com dor, palidez e esfriamento — típico de embolia arterial. A ausência de claudicação prévia e de sinais de isquemia crônica reforça essa hipótese. A embolia costuma ocluir uma artéria sem circulação colateral, levando a isquemia grave e rápida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A tromboangeíte obliterante (doença de Buerger) é uma vasculite que acomete principalmente homens jovens tabagistas, com envolvimento de pequenas e médias artérias de membros superiores e inferiores, causando claudicação, dor em repouso e lesões tróficas. Não há relação com prótese valvar, e o quadro agudo e súbito com fonte emboligênica não se encaixa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A trombose venosa profunda (TVP) manifesta-se com edema, dor, calor e cianose do membro, mas não com palidez e esfriamento súbitos — esses são sinais de isquemia arterial. Além disso, a TVP não está associada a prótese valvar como fator de risco direto, e o Doppler venoso mostraria trombose, enquanto o arterial estaria preservado. As formas complicadas de TVP (flegmasia cerulea dolens) podem causar isquemia secundária, mas o quadro típico é de edema intenso, não de palidez e esfriamento.

Gabarito: letra C — oclusão arterial embólica, pela presença de prótese valvar aórtica e quadro súbito de isquemia de membro inferior.

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