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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu120000
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Com relação à diverticulite aguda, assinale a alternativa correta.
  1. AO tratamento com antibioticoterapia intravenosa deve ser mantido até a completa resolução do quadro, sem alternância para via oral.
  2. BO diagnóstico definitivo de diverticulite aguda sempre requer confirmação por ultrassonografia de abdome.
  3. CAbscessos peridiverticulares menores que 2–3 cm podem ser manejados exclusivamente com antibioticoterapia e repouso intestinal.
  4. DPacientes jovens com diverticulite aguda apresentam maior risco de complicações e recidivas quando comparados a pessoas idosas.
  5. EA colonoscopia é o exame de escolha para o diagnóstico inicial da diverticulite aguda não complicada.
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GabaritoC — Abscessos peridiverticulares menores que 2–3 cm podem ser manejados exclusivamente com antibioticoterapia e repouso intestinal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diverticulite aguda: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra C. Abscessos peridiverticulares pequenos (menores que 2–3 cm) podem ser manejados apenas com antibioticoterapia e repouso intestinal, sem necessidade de drenagem percutânea ou cirúrgica — conduta que se alinha às classificações de Hinchey (classe Ib) e da Sociedade Alemã de Gastroenterologia (tipo 2a/2b), que reservam a drenagem para abscessos maiores ou não contidos. As demais alternativas distorcem pontos centrais do manejo: a troca da via intravenosa pela oral é permitida após melhora clínica, o diagnóstico definitivo não exige ultrassonografia (a TC é o padrão-ouro), jovens não têm maior risco de complicações que idosos, e a colonoscopia não é o exame inicial.

A diverticulite aguda é a inflamação de divertículos do cólon, mais frequentemente no sigmoide, causada por infecção polimicrobiana (E. coli, Bacteroides). O espectro clínico varia de dor abdominal leve a peritonite generalizada, e o manejo depende da gravidade, estratificada por classificações como a de Hinchey (0 a IV) e a da Sociedade Alemã de Gastroenterologia (tipos 0 a 4). A base do tratamento conservador inclui antibioticoterapia de amplo espectro (ex.: piperacilina-tazobactam) por 7 a 10 dias, repouso intestinal e hidratação. A via intravenosa pode ser substituída pela oral (ex.: amoxicilina/clavulanato) quando há resolução da dor — a alternativa A erra ao afirmar que não há alternância.

O diagnóstico é essencialmente tomográfico: a TC de abdome e pelve com contraste é o exame de escolha, com alta sensibilidade e especificidade, permitindo excluir diagnósticos diferenciais, detectar complicações e estratificar a doença. A ultrassonografia (US) tem papel na exclusão de diagnósticos diferenciais, especialmente em mulheres, mas apresenta limitações na detecção de complicações e não deve ser o único exame realizado. A colonoscopia, por sua vez, é indicada 6 a 8 semanas após o episódio agudo para investigar neoplasia colorretal, não para o diagnóstico inicial.

A classificação de Hinchey é a mais utilizada na prática cirúrgica e orienta o tratamento:

Classe

Descrição

Tratamento

0

Diverticulite clínica leve

Antibióticos orais

Ia

Inflamação pericólica contida ou fleimão

Antibióticos IV, repouso intestinal

Ib

Abscesso pericólico contido

Antibióticos IV, repouso intestinal

II

Abscesso pélvico, intra-abdominal distante ou retroperitoneal

Drenagem percutânea, antibióticos IV

III

Peritonite purulenta

Drenagem cirúrgica/ressecção

IV

Peritonite feculenta

Drenagem cirúrgica/ressecção

A alternativa C está correta porque abscessos peridiverticulares menores que 2–3 cm são considerados contidos (Hinchey Ib) e podem ser tratados conservadoramente, sem drenagem. A drenagem percutânea ou cirúrgica é reservada para abscessos maiores (Hinchey II) ou não contidos. Essa conduta é corroborada pela classificação da Sociedade Alemã, que define microabscessos (tipo 2a) como abscessos < 1 cm e macroabscessos (tipo 2b) como abscessos paracólicos ou mesocólicos, sendo que abscessos pequenos podem ser manejados clinicamente.

A pegadinha da questão está em inverter o manejo da via antibiótica (alternativa A), exigir exame de imagem específico para o diagnóstico (alternativa B), atribuir maior risco a jovens (alternativa D) e trocar o papel da colonoscopia (alternativa E). O candidato deve memorizar que a TC é o padrão-ouro diagnóstico, que a via oral pode substituir a IV após melhora, que a idade não é fator de risco independente para complicações e que a colonoscopia é para rastreio de neoplasia após o episódio agudo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a antibioticoterapia intravenosa deve ser mantida até a completa resolução do quadro, sem alternância para via oral. Isso contraria a prática clínica: pacientes que apresentam resolução da dor durante o tratamento com antibióticos IV podem passar para agentes orais (como amoxicilina/clavulanato) e completar o ciclo como pacientes ambulatoriais. A duração total da terapia é de 7 a 10 dias, e a via oral é uma opção válida após melhora clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico definitivo de diverticulite aguda sempre requer confirmação por ultrassonografia de abdome. Isso é falso: a TC de abdome e pelve com contraste é o exame de escolha, com alta sensibilidade e especificidade. A ultrassonografia pode ser utilizada na indisponibilidade da TC ou em casos selecionados, mas não é obrigatória e apresenta limitações na detecção de complicações.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Abscessos peridiverticulares menores que 2–3 cm podem ser manejados exclusivamente com antibioticoterapia e repouso intestinal. Essa conduta é consistente com a classificação de Hinchey (classe Ib — abscesso pericólico contido) e com a classificação da Sociedade Alemã (tipo 2a — microabscessos < 1 cm e tipo 2b — macroabscessos paracólicos ou mesocólicos), que indicam tratamento clínico para abscessos pequenos e contidos, reservando a drenagem para abscessos maiores ou não contidos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes jovens com diverticulite aguda apresentam maior risco de complicações e recidivas quando comparados a pessoas idosas. Isso não é sustentado pela literatura: embora a diverticulite recidive em até 20% dos pacientes ao longo de 10 anos, o risco de complicações, como perfuração livre, não aumenta com a recorrência. A idade não é fator de risco independente para complicações; o risco está mais relacionado à gravidade do episódio inicial e a comorbidades.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a colonoscopia é o exame de escolha para o diagnóstico inicial da diverticulite aguda não complicada. Isso é falso: a colonoscopia é contraindicada na fase aguda devido ao risco de perfuração e é indicada 6 a 8 semanas após o episódio para investigar neoplasia colorretal. O diagnóstico inicial é feito por TC de abdome e pelve com contraste.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de diverticulite, memorize o fluxo: suspeita clínica → TC com contraste (diagnóstico e estratificação) → classificação de Hinchey (0 a IV) → tratamento conforme a classe. Lembre-se: abscessos < 2–3 cm são tratados clinicamente; abscessos maiores ou não contidos exigem drenagem. A colonoscopia é sempre tardia (6–8 semanas), nunca no episódio agudo.

Gabarito: letra C

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