Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu120006
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente do sexo masculino, de 45 anos, foi submetido a derivação gástrica em Y de Roux há quatro anos e mantém IMC em 38 kg/m² (perda de apenas 15% do peso inicial). Apresenta dor epigástrica intensa e refratária à terapia máxima com inibidores de bomba de prótons e sucralfato. A endoscopia serial demonstra úlcera marginal recorrente na anastomose gastrojejunal, com pouch gástrico medindo 10 cm de comprimento e anastomose de 3,5 cm de diâmetro. Houve falha de dois ciclos de injeção endoscópica de triancinolona.Considerando a refratariedade do quadro e os achados anatômicos, qual é a conduta definitiva de escolha correta?
ATroca para antagonista dos receptores H2 em altas doses.
BInfiltração endoscópica com plasma rico em plaquetas.
CDerivação duodenal (procedimento de Santoro).
DRevisão cirúrgica com redução do pouch e anastomose.
ETerapia com misoprostol por via oral.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Revisão cirúrgica com redução do pouch e anastomose.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Úlcera marginal refratária pós-derivação gástrica em Y de Roux
Gabarito: letra D. A conduta definitiva para úlcera marginal refratária ao tratamento clínico e endoscópico, com achados anatômicos de pouch gástrico longo (10 cm) e anastomose ampla (3,5 cm), é a revisão cirúrgica com redução do pouch e da anastomose. A refratariedade à terapia máxima com IBP, sucralfato e injeção de triancinolona, somada à falha de perda de peso adequada (IMC 38 kg/m², perda de apenas 15%), indica que o problema é mecânico-anatômico, não meramente secretor — e a correção desses fatores é o único caminho definitivo.
A úlcera marginal (ou úlcera de anastomose) é uma complicação clássica e temida da derivação gástrica em Y de Roux (DGYR), ocorrendo em cerca de 1% a 16% dos pacientes, tipicamente nos primeiros 2 anos, mas podendo surgir tardiamente. Ela se forma na mucosa jejunal, logo distal à anastomose gastrojejunal, que não está adaptada à exposição ao ácido gástrico. A fisiopatologia é multifatorial: o ácido produzido no pouch gástrico (que permanece com células parietais) agride a mucosa jejunal; a isquemia local por tensão na anastomose; o uso de AINEs; o tabagismo; e, crucialmente, fatores mecânicos como um pouch gástrico longo e uma anastomose ampla, que aumentam a exposição ácida e dificultam a cicatrização.
O tratamento inicial é clínico, com IBP em dose plena, sucralfato e correção de fatores de risco (cessar tabagismo, suspender AINEs, tratar H. pylori). Quando há falha, parte-se para a endoscopia terapêutica, que inclui a injeção de triancinolona (corticosteroide) na borda da úlcera para reduzir a inflamação e estimular a cicatrização, além de terapias ablativas como APC (argônio plasma) e clipes. Porém, quando o quadro é refratário a essas medidas e há um substrato anatômico evidente — como neste caso, com pouch de 10 cm (o ideal é 3-5 cm) e anastomose de 3,5 cm (o ideal é 1,5-2 cm) —, a conduta definitiva é cirúrgica: revisar a anastomose, reduzir o pouch e refazer a gastrojejunostomia com diâmetro adequado. Essa abordagem ataca a causa raiz, corrigindo a anatomia que perpetua a úlcera.
A falha de perda de peso (apenas 15%, com IMC ainda em 38 kg/m²) reforça ainda mais a indicação cirúrgica: um pouch longo e uma anastomose ampla não apenas predispõem à úlcera, mas também comprometem o efeito restritivo da cirurgia, explicando o resultado ponderal insatisfatório. A revisão cirúrgica, portanto, tem dupla finalidade: tratar a úlcera refratária e resgatar o efeito da cirurgia bariátrica. As demais alternativas (troca para H2, plasma rico em plaquetas, derivação duodenal de Santoro e misoprostol) não têm papel definitivo nesse cenário, como veremos a seguir.
A pegadinha central desta questão é a tentação de escolher uma opção endoscópica ou farmacológica "inovadora" (plasma rico em plaquetas, misoprostol) ou uma troca de classe de medicamento (H2), quando o enunciado já entregou os dados que apontam inequivocamente para a cirurgia: refratariedade a duas linhas de tratamento e achados anatômicos corrigíveis. O candidato deve reconhecer que, diante de falha terapêutica máxima e anatomia desfavorável, a cirurgia de revisão é a única conduta com potencial curativo. Guarde este critério: úlcera marginal refratária + pouch longo + anastomose ampla = revisão cirúrgica.
1Clínico (IBP + sucralfato)
2Endoscopia (triancinolona)
3Refratário + anatomia ruim
4[+] Revisão cirúrgica
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Trocar IBP por antagonista H2 em altas doses é um retrocesso terapêutico. Os IBPs são superiores aos H2 na supressão ácida e na cicatrização de úlceras pépticas, e o paciente já está em "terapia máxima" com IBP e sucralfato, sem resposta. A troca para H2 não aborda a causa anatômica e não é uma conduta definitiva — é uma medida paliativa ineficaz.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A infiltração endoscópica com plasma rico em plaquetas (PRP) é uma terapia experimental e sem evidência consolidada para úlcera marginal. O enunciado já relata falha de dois ciclos de injeção de triancinolona, que é a terapia endoscópica mais estabelecida para essa condição. O PRP não corrige o defeito anatômico (pouch longo e anastomose ampla) e não é uma conduta definitiva reconhecida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A derivação duodenal (procedimento de Santoro) é uma técnica de cirurgia bariátrica que combina restrição com derivação intestinal, mas não é a conduta indicada para úlcera marginal refratária pós-DGYR. Ela não corrige o pouch longo nem a anastomose ampla, que são os fatores mecânicos perpetuadores da úlcera. Além disso, é um procedimento mais complexo e com maior morbidade, reservado para outras indicações (como resgate de falha de perda de peso em casos selecionados), não para o tratamento da úlcera marginal.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A revisão cirúrgica com redução do pouch e da anastomose é a conduta definitiva correta. O enunciado fornece os dois achados anatômicos que justificam a cirurgia: pouch gástrico de 10 cm (excessivamente longo, aumentando a área de produção ácida e a exposição da mucosa jejunal) e anastomose de 3,5 cm (excessivamente ampla, permitindo maior refluxo de ácido e dificultando a cicatrização). A refratariedade ao tratamento clínico máximo (IBP + sucralfato) e endoscópico (dois ciclos de triancinolona) confirma que a abordagem conservadora esgotou suas opções. A cirurgia corrige a anatomia defeituosa, tratando a úlcera e, de quebra, melhorando o efeito restritivo da cirurgia bariátrica, o que explica também a falha de perda de peso (apenas 15%, IMC 38 kg/m²).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O misoprostol é um análogo de prostaglandina usado principalmente na prevenção de úlceras por AINEs e em algumas condições específicas. Não há evidência de papel definitivo no tratamento de úlcera marginal refratária pós-bariátrica. Ele não corrige a anatomia e não é uma conduta definitiva para o quadro apresentado.
Gabarito: letra D — revisão cirúrgica com redução do pouch e da anastomose é a conduta definitiva para úlcera marginal refratária com achados anatômicos desfavoráveis.