Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — VUNESP 2026
Medicina›Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina
Código
vu120009
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente de 45 anos, vítima de traumatismo cranioencefálico grave, é admitido na UTI com monitorização multimodal. A pressão intracraniana (PIC) é de 25 mmHg. Sua pressão arterial é de 120 × 80 mmHg.Considerando a fisiologia da circulação cerebral, qual é o valor correto da pressão de perfusão cerebral (PPC)?
A95 mmHg
B68 mmHg
C75 mmHg
D118 mmHg
E55 mmHg
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GabaritoB — 68 mmHg
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Resolução
Gabarito: letra B — a conta chega a PPC ≈ 68 mmHg — alternativa B.
A ideia por trás
A pressão de perfusão cerebral (PPC) é a pressão que efetivamente empurra o sangue através do cérebro. Ela é a diferença entre a pressão que chega (pressão arterial média, PAM) e a pressão que se opõe dentro do crânio (pressão intracraniana, PIC). Quando a PIC sobe, como no traumatismo cranioencefálico, a PPC cai e o cérebro pode ficar mal irrigado.
A PPC é calculada por PPC = PAM − PIC. A PAM não é a média simples entre a sistólica e a diastólica, porque o coração fica mais tempo em diástole; a fórmula consagrada é PAM = (PAS + 2 × PAD) / 3. Quanto maior a PAM, maior a PPC; quanto maior a PIC, menor a PPC. Essa relação vale para qualquer situação em que se queira avaliar a perfusão cerebral.
Esta questão cobra exatamente a aplicação dessas duas fórmulas em sequência: primeiro calcular a PAM a partir da pressão arterial fornecida e depois subtrair a PIC. O erro mais comum é usar a pressão sistólica ou a média simples no lugar da PAM.
O que a questão dá
pressão intracraniana (PIC) = 25 mmHg
pressão arterial = 120 × 80 mmHg
O que queremos: a pressão de perfusão cerebral (PPC)
Passo 1 — Calcular a pressão arterial média
A PPC depende da pressão que chega ao cérebro, e essa pressão é a PAM, não a sistólica nem a diastólica isoladamente. Como o coração fica mais tempo em diástole, a PAM é uma média ponderada que dá mais peso à diastólica.
Por que esta fórmula: A fórmula PAM = (PAS + 2 × PAD) / 3 é a forma consagrada de calcular a pressão arterial média, usada na prática clínica. Ela considera que o ciclo cardíaco dura mais tempo na diástole, por isso a diastólica entra com peso 2.
De onde vem cada valor: = enunciado: 120 mmHg · = enunciado: 80 mmHg
NÃO CAIA NESSA!
Calcular a média simples (120 + 80) / 2 = 100 mmHg — isso ignora o peso maior da diastólica e leva à alternativa C.
Passo 2 — Subtrair a pressão intracraniana
Com a PAM em mãos, a PPC é a diferença entre essa pressão de chegada e a pressão que se opõe dentro do crânio. É essa subtração que mostra quanto de pressão sobra para perfundir o cérebro.
Por que esta fórmula: A definição de PPC é exatamente PPC = PAM − PIC. Não há outra fórmula: é a diferença entre a pressão que empurra e a que resiste.
De onde vem cada valor: = passo 1: 93,3 mmHg · = enunciado: 25 mmHg
NÃO CAIA NESSA!
Usar a pressão sistólica (120 − 25 = 95) ou a diastólica (80 − 25 = 55) em vez da PAM — isso cai nas alternativas A e E.