Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
vu120016
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente de 62 anos, assintomático, realiza tomografia de abdome para investigação de massa abdominal palpável, que revela incidentalmente nódulo adrenal esquerdo homogêneo de 2,5 cm, com densidade de 8 UH na fase sem contraste, sem outras alterações. A investigação laboratorial mostra cortisol basal, catecolaminas urinárias e atividade de renina plasmática dentro dos limites da normalidade.Considerando os achados de imagem e laboratoriais, qual é a conduta mais adequada?
  1. ARealizar adrenalectomia laparoscópica eletiva devido ao risco de malignidade em nódulos superiores a 2 cm.
  2. BRepetir a tomografia em três meses para avaliar crescimento do nódulo.
  3. CRealizar ressonância magnética de adrenais para melhor caracterização tissular.
  4. DSolicitar cintilografia com NP-59 para confirmar natureza benigna.
  5. EDar alta com orientação, sem necessidade de acompanhamento específico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Repetir a tomografia em três meses para avaliar crescimento do nódulo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incidentaloma adrenal: avaliação e conduta

Gabarito: letra B. O nódulo adrenal incidental de 2,5 cm, homogêneo, com densidade de 8 UH na fase sem contraste e laboratório normal (cortisol, catecolaminas e renina) é um incidentaloma adrenal com características imaginológicas e funcionais de benignidade. A conduta mais adequada é o acompanhamento com repetição da tomografia em 3 meses para avaliar crescimento, conforme as diretrizes de manejo de incidentalomas adrenais. As demais alternativas propõem condutas inadequadas para este cenário.

O incidentaloma adrenal é definido como uma massa adrenal detectada incidentalmente em exame de imagem realizado por outra indicação clínica. Sua prevalência aumenta com a idade, chegando a cerca de 5% na população acima de 60 anos. A principal preocupação é excluir malignidade (carcinoma adrenocortical) e hiperfunção hormonal (feocromocitoma, síndrome de Cushing, hiperaldosteronismo primário).

A avaliação inicial de um incidentaloma adrenal envolve dois pilares: (1) avaliação hormonal para excluir hiperfunção e (2) caracterização por imagem para estimar o risco de malignidade. Na tomografia computadorizada sem contraste, a densidade medida em Unidades Hounsfield (UH) é o parâmetro mais importante: lesões com densidade ≤ 10 UH são quase sempre adenomas benignos ricos em lipídios, enquanto lesões com densidade > 10 UH são indeterminadas ou suspeitas. O tamanho também é relevante: lesões > 4 cm têm maior risco de malignidade e geralmente são ressecadas, enquanto lesões < 4 cm com características benignas podem ser acompanhadas.

No caso apresentado, o nódulo tem 2,5 cm (menor que 4 cm), densidade de 8 UH (menor que 10 UH), é homogêneo e o paciente é assintomático, com avaliação hormonal negativa. Esses achados são altamente sugestivos de adenoma benigno não funcionante. A conduta recomendada é o acompanhamento com repetição da tomografia em 3 a 6 meses para avaliar crescimento, e posteriormente em intervalos maiores (12 meses) se estável. A ressecção cirúrgica não é indicada neste cenário, pois o risco de malignidade é muito baixo.

A alternativa B está correta porque propõe a repetição da tomografia em 3 meses, o que é uma conduta aceitável para monitorar crescimento. As demais alternativas são inadequadas: a adrenalectomia eletiva (A) é excessiva para um nódulo benigno de 2,5 cm; a ressonância magnética (C) pode ser útil em casos selecionados, mas não é necessária quando a TC já caracteriza benignidade; a cintilografia com NP-59 (D) é um exame funcional que avalia a atividade adrenocortical, mas não é indicada para confirmar benignidade de um nódulo com características típicas de adenoma; e a alta sem acompanhamento (E) é inadequada, pois mesmo lesões benignas devem ser monitoradas para detectar crescimento ou desenvolvimento de hiperfunção.

A pegadinha desta questão está em considerar que todo nódulo adrenal incidental deve ser operado ou que exames adicionais são sempre necessários. Na verdade, a maioria dos incidentalomas adrenais é benigna e não funcionante, e a conduta é conservadora com acompanhamento. O critério decisivo é a combinação de tamanho < 4 cm, densidade ≤ 10 UH e ausência de hiperfunção hormonal, que indica benignidade e permite seguimento clínico.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A adrenalectomia laparoscópica eletiva não é indicada apenas pelo tamanho do nódulo (2,5 cm). O risco de malignidade em nódulos < 4 cm com densidade ≤ 10 UH é muito baixo, e a cirurgia é reservada para lesões > 4 cm, com características suspeitas ou funcionantes. A alternativa erra ao sugerir que nódulos > 2 cm têm risco significativo de malignidade, o que não é verdadeiro.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A repetição da tomografia em 3 meses é uma conduta adequada para monitorar o crescimento do nódulo. Como o nódulo tem características benignas (2,5 cm, 8 UH, homogêneo) e o paciente é assintomático com avaliação hormonal normal, o acompanhamento com imagem é a conduta recomendada. Se o nódulo permanecer estável, o intervalo pode ser aumentado para 12 meses.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ressonância magnética de adrenais pode ser útil para caracterizar lesões indeterminadas na TC, mas não é necessária quando a TC sem contraste já demonstra densidade ≤ 10 UH, que é altamente sugestiva de adenoma benigno. A RM seria indicada se a lesão fosse > 10 UH ou tivesse outras características suspeitas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A cintilografia com NP-59 (iodocolesterol) avalia a captação adrenocortical e pode ajudar a diferenciar adenomas de outras lesões, mas não é indicada para confirmar benignidade de um nódulo com características típicas de adenoma na TC. Além disso, é um exame caro, demorado e com disponibilidade limitada, sendo reservado para casos selecionados.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Dar alta sem acompanhamento é inadequado, pois mesmo lesões benignas devem ser monitoradas para detectar crescimento ou desenvolvimento de hiperfunção hormonal ao longo do tempo. O acompanhamento com imagem e avaliação hormonal periódica é recomendado para todos os incidentalomas adrenais.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu120016