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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2026

MedicinaUrologia
Código
vu120017
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Homem de 32 anos chega ao pronto-socorro referindo ereção persistente e não dolorosa há horas, iniciada após trauma perineal durante acidente de moto. Ao exame, observa-se priapismo com rigidez parcial, palpação dolorosa à base do pênis e equimose perineal. Foi realizada aspiração de sangue do corpo cavernoso, que se apresentou vermelho-vivo e com gasometria compatível com sangue arterializado.Qual é a conduta diagnóstica e terapêutica mais adequada para esse caso?
  1. AInjeção intracavernosa de fenilefrina e aspiração, tratando como priapismo isquêmico.
  2. BAngiotomografia de pelve para identificar fístula arterial e embolização seletiva.
  3. CRealização de shunt cavernoso-esponjoso distal imediato.
  4. DAdministração de analgésicos e observação, pois é um priapismo de alta vazão com resolução espontânea frequente.
  5. EExploração cirúrgica urgente com ligadura da artéria pudenda interna.
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GabaritoB — Angiotomografia de pelve para identificar fístula arterial e embolização seletiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Priapismo: alto fluxo (não isquêmico) versus baixo fluxo (isquêmico)

Gabarito: letra B. O quadro é de priapismo de alto fluxo (não isquêmico): trauma perineal fechado, ereção não dolorosa, sangue aspirado vermelho-vivo e arterializado na gasometria. A conduta diagnóstica é a angiotomografia de pelve para identificar a fístula arteriocavernosa e, se necessário, a embolização arterial seletiva — exatamente o que a alternativa B descreve.

O priapismo é a ereção prolongada, geralmente dolorosa, não associada a estímulo erótico. A fisiopatologia divide-se em dois grandes grupos, e é essa divisão que decide toda a conduta. No priapismo de baixo fluxo (isquêmico), há obstrução da drenagem venosa dos corpos cavernosos, com sangue venoso, hipóxico e acidótico — é uma emergência urológica que exige intervenção imediata para evitar fibrose e disfunção erétil permanente. No priapismo de alto fluxo (não isquêmico), há uma fístula entre a artéria cavernosa e o corpo cavernoso, geralmente por trauma perineal fechado, permitindo que sangue arterial mantenha a ereção. Por isso o sangue aspirado é vermelho-vivo e arterializado, e a dor costuma ser ausente ou discreta.

A distinção clínica e laboratorial é o coração da questão. No alto fluxo, o pênis apresenta rigidez parcial, não há dor significativa e a gasometria do sangue cavernoso mostra PO₂ elevado, PCO₂ baixo e pH normal (sangue arterializado). No baixo fluxo, o pênis é rígido e doloroso, e a gasometria revela sangue venoso (PO₂ baixo, PCO₂ alto, pH ácido). O ultrassom com Doppler peniano auxilia no diagnóstico diferencial, mostrando fluxo arterial preservado ou aumentado no alto fluxo e fluxo ausente ou reduzido no baixo fluxo.

O manejo é radicalmente diferente. O priapismo de baixo fluxo é emergência: aspiração do corpo cavernoso, irrigação com soro fisiológico e injeção de alfa-agonista (fenilefrina), com shunts cirúrgicos se não houver resposta. O priapismo de alto fluxo, por sua vez, não é urgente: muitos casos resolvem-se espontaneamente, e a conduta inicial pode ser observação. Se o priapismo persistir, o tratamento de escolha é a embolização arterial seletiva, guiada por imagem, para ocluir a fístula. A alternativa D menciona a observação, mas erra ao descartar a investigação diagnóstica e ao afirmar que a resolução espontânea é "frequente" — ela é possível, não a regra, e a conduta adequada inclui a angiotomografia para confirmar o diagnóstico e planejar a embolização se necessário.

A pegadinha central da questão é confundir os dois tipos de priapismo e aplicar o tratamento do isquêmico ao não isquêmico. A alternativa A propõe fenilefrina e aspiração, que são o tratamento do priapismo de baixo fluxo — inadequadas aqui, pois o problema não é estase venosa, mas fístula arterial. A alternativa C propõe shunt cavernoso-esponjoso, também para o priapismo isquêmico refratário. A alternativa E propõe ligadura da artéria pudenda interna, que é uma conduta mutilante e não é o padrão atual — a embolização seletiva é preferível por preservar a função erétil. A alternativa D, por fim, subestima o caso ao sugerir apenas observação, sem a investigação diagnóstica adequada.

Guarde a fronteira: trauma perineal + sangue arterializado + pouca dor = alto fluxo → angiotomografia + embolização seletiva. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Priapismo de Alto Fluxo (Não Isquêmico)

Priapismo de Baixo Fluxo (Isquêmico)

Etiologia

Fístula arteriocavernosa (trauma perineal fechado)

Obstrução da drenagem venosa dos corpos cavernosos

Dor

Ausente ou discreta

Intensa

Rigidez peniana

Parcial

Rígida

Gasometria do sangue cavernoso

PO₂ elevado, PCO₂ baixo, pH normal (arterializado)

PO₂ baixo, PCO₂ alto, pH ácido (venoso)

Urgência

Não é emergência (pode haver resolução espontânea)

Emergência urológica (risco de fibrose e disfunção erétil)

Conduta diagnóstica

Angiotomografia de pelve (identifica fístula)

Doppler peniano (fluxo ausente/reduzido)

Tratamento

Embolização arterial seletiva

Aspiração, irrigação, fenilefrina; shunts se refratário

Priapismo
  • 1Baixo fluxo (isquêmico)
    • Emergência urológica
    • Sangue venoso (hipóxico, acidótico)
    • Dor intensa, rigidez total
    • Tratamento: aspiração + fenilefrina
  • 2Alto fluxo (não isquêmico)
    • Fístula arteriocavernosa (trauma perineal)
    • Sangue arterializado (vermelho-vivo)
    • Pouca dor, rigidez parcial
    • Diagnóstico: angiotomografia
    • Tratamento: embolização seletiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A injeção intracavernosa de fenilefrina e a aspiração são o tratamento do priapismo isquêmico (baixo fluxo), no qual há sangue venoso estagnado. No caso, o sangue aspirado é vermelho-vivo e arterializado, indicando alto fluxo — a conduta de aspiração com alfa-agonista não trata a fístula arterial e não é a primeira escolha. A banca troca o tratamento de um tipo pelo outro.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão a conduta no priapismo de alto fluxo: a angiotomografia de pelve é o exame que identifica a fístula arteriocavernosa, e a embolização arterial seletiva é o tratamento de escolha quando o priapismo persiste, por ocluir a fístula preservando a função erétil. É a conduta diagnóstica e terapêutica mais adequada para o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O shunt cavernoso-esponjoso distal é um procedimento cirúrgico indicado para o priapismo isquêmico refratário ao tratamento clínico, com o objetivo de criar uma via de drenagem para o sangue venoso estagnado. No priapismo de alto fluxo, não há estase venosa — há excesso de fluxo arterial —, portanto o shunt não tem indicação e não é a conduta imediata.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A observação com analgésicos pode ser considerada em alguns casos de priapismo de alto fluxo, pois há possibilidade de resolução espontânea. No entanto, a alternativa erra ao afirmar que essa resolução é "frequente" e ao omitir a investigação diagnóstica (angiotomografia) e o tratamento definitivo (embolização) quando o priapismo persiste. A conduta adequada não é apenas observar, mas confirmar o diagnóstico e planejar a intervenção se necessário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ligadura da artéria pudenda interna é uma conduta mutilante e não é o tratamento padrão para o priapismo de alto fluxo. A embolização arterial seletiva é preferível, pois oclui seletivamente a fístula, preservando a vascularização peniana e a função erétil. A ligadura cirúrgica direta da artéria pudenda interna não é indicada como primeira opção.

Gabarito: letra B

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