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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu120019
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente de 35 anos, vítima de acidente automobilístico com compressão abdominal pelo volante, é admitido no pronto-socorro. Apresenta-se hemodinamicamente estável (PA: 110 × 70 mmHg), porém com dor epigástrica importante e amilase igual a 480 U/L. A tomografia de abdome com contraste evidencia laceração no corpo pancreático (grau II da AAST), sem extravasamento de contraste ou lesão do ducto pancreático principal, e líquido peripancreático discreto. Não há outras lesões associadas.Qual é a conduta inicial mais adequada?
  1. ARealizar laparotomia exploradora imediata devido à presença de laceração pancreática e líquido peripancreático.
  2. BMonitorar o paciente com reposição volêmica e solicitar controle de imagem para avaliação da evolução do quadro.
  3. CAdministrar antibioticoterapia profilática e indicar cirurgia se houver aumento do leucograma em 24 horas.
  4. DImplementar analgesia e liberar dieta via oral, uma vez que não há sinais de necrose pancreática.
  5. ERealizar drenagem percutânea do líquido peripancreático e manter observação.
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GabaritoB — Monitorar o paciente com reposição volêmica e solicitar controle de imagem para avaliação da evolução do quadro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma pancreático: conduta no paciente estável com lesão grau II

Gabarito: letra B. Em paciente hemodinamicamente estável com laceração pancreática grau II da AAST, sem lesão do ducto pancreático principal e sem extravasamento de contraste, a conduta inicial é o tratamento não operatório, com monitorização, reposição volêmica e controle de imagem para avaliar a evolução. A cirurgia imediata é reservada para instabilidade hemodinâmica ou sinais de lesão ductal, e a drenagem percutânea não é indicada de rotina nesse cenário.

O trauma pancreático é uma lesão relativamente rara, ocorrendo em cerca de 1–2% dos traumas abdominais fechados, mas com morbimortalidade significativa, principalmente quando há lesão do ducto pancreático principal. O mecanismo clássico é a compressão abdominal contra a coluna vertebral, como ocorre no trauma por volante em acidentes automobilísticos — exatamente o caso do enunciado. A classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) gradua as lesões de I a V, sendo o grau II caracterizado por laceração sem envolvimento do ducto principal. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para avaliação e graduação, permitindo identificar sinais de lesão ductal, como extravasamento de contraste ou descontinuidade do parênquima.

A decisão entre tratamento operatório e não operatório no trauma pancreático depende de três fatores principais: estabilidade hemodinâmica, presença de lesão do ducto pancreático principal e presença de outras lesões associadas. Pacientes hemodinamicamente estáveis, com lesões de graus I e II sem comprometimento ductal, são candidatos ao tratamento não operatório, que consiste em monitorização em unidade de terapia intensiva, reposição volêmica criteriosa, analgesia e acompanhamento com exames de imagem seriados. A amilase elevada (480 U/L) é um marcador de lesão pancreática, mas não define por si só a conduta — o que importa é a integridade do ducto e a estabilidade clínica.

A principal complicação a ser monitorada é a pancreatite pós-traumática e a formação de pseudocisto ou abscesso. Por isso, o controle de imagem é fundamental para avaliar a evolução da lesão. A antibioticoterapia profilática não é indicada de rotina no trauma pancreático sem sinais de infecção, e a decisão de operar não deve ser baseada apenas no leucograma em 24 horas. A drenagem percutânea é reservada para coleções infectadas ou sintomáticas que não resolvem com tratamento clínico, não sendo a conduta inicial. A dieta via oral deve ser reintroduzida gradualmente, conforme a tolerância e a melhora clínica, não imediatamente.

A pegadinha desta questão está em associar a presença de laceração pancreática e líquido peripancreático à necessidade de cirurgia imediata. Na verdade, a estabilidade hemodinâmica e a ausência de lesão ductal são os fatores que permitem o tratamento não operatório, mesmo com líquido peripancreático discreto. O candidato que memoriza que "trauma de pâncreas = cirurgia" erra a questão, pois a abordagem moderna é cada vez mais conservadora em pacientes selecionados.

  1. 1Avaliar estabilidade hemodinâmica
  2. 2TC com contraste (graduar lesão)
  3. 3Sem lesão ductal → não operatório
  4. 4Monitorização + reposição volêmica
  5. 5Controle de imagem seriado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A laparotomia exploradora imediata não é indicada apenas pela presença de laceração pancreática e líquido peripancreático. O paciente está hemodinamicamente estável, sem sinais de lesão ductal ou extravasamento de contraste, o que o torna candidato ao tratamento não operatório. A cirurgia imediata é reservada para instabilidade hemodinâmica, lesão do ducto principal ou outras lesões que exijam intervenção.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta inicial mais adequada é o tratamento não operatório, com monitorização, reposição volêmica e controle de imagem para avaliar a evolução. O paciente está estável, com lesão grau II sem comprometimento ductal, o que permite abordagem conservadora. O acompanhamento com TC seriada é essencial para detectar complicações como pseudocisto ou abscesso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A antibioticoterapia profilática não é indicada de rotina no trauma pancreático sem sinais de infecção. Além disso, a decisão de operar não deve ser baseada apenas no aumento do leucograma em 24 horas, mas sim na evolução clínica, nos achados de imagem e na presença de complicações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Liberar dieta via oral imediatamente não é adequado. O paciente deve permanecer em jejum inicialmente, com reposição volêmica e analgesia, e a dieta deve ser reintroduzida gradualmente conforme a tolerância e a melhora clínica. A ausência de necrose não autoriza liberação imediata da dieta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A drenagem percutânea do líquido peripancreático não é a conduta inicial. Ela é reservada para coleções infectadas ou sintomáticas que não resolvem com tratamento clínico. No caso, o líquido é discreto e não há indicação de drenagem de rotina.

Gabarito: letra B

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