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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu120020
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente de 28 anos, vítima de trauma abdominal fechado com pneumoperitônio, é submetido a laparotomia exploradora. Durante o procedimento, após a manobra de Kocher, identifica-se uma lesão transversal completa da segunda porção do duodeno, acometendo aproximadamente 20% da circunferência, sem comprometimento da região ampolar. Não há outras lesões associadas, e o paciente mantém-se hemodinamicamente estável.Qual é a conduta cirúrgica mais adequada?
  1. ADrenagem simples do espaço retroperitoneal.
  2. BSutura primária em dois planos com omentoplastia.
  3. CDerivação gástrica com exclusão duodenal (procedimento de Berne).
  4. DDuodenojejunostomia com loop em Y de Roux.
  5. EDuodenorrafia primária associada a jejunostomia de alimentação.
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GabaritoB — Sutura primária em dois planos com omentoplastia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma duodenal: conduta cirúrgica

Gabarito: letra B. Em lesão transversal completa da segunda porção do duodeno acometendo cerca de 20% da circunferência, sem comprometimento ampolar e em paciente estável, a conduta mais adequada é a sutura primária em dois planos com omentoplastia — a lesão é pequena, recente e sem contaminação extensa, permitindo reparo primário seguro. As demais opções são procedimentos de maior porte, reservados para lesões extensas, com perda tecidual ou comprometimento da papila.

O trauma duodenal é uma das lesões mais desafiadoras da cirurgia do trauma, pois o duodeno é um órgão retroperitoneal, de difícil acesso, com irrigação segmentar e em contato íntimo com o pâncreas e a via biliar. A decisão cirúrgica depende de três fatores principais: o tamanho da lesão, a presença de lesões associadas (especialmente pancreáticas e da ampola de Vater) e a estabilidade hemodinâmica do paciente. A classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) gradua as lesões duodenais de I a V, e a conduta é guiada por essa graduação, mas também pela avaliação intraoperatória do cirurgião.

Para lesões pequenas (até 50% da circunferência), recentes, com bordas viáveis e sem contaminação significativa, o reparo primário é a regra. A sutura deve ser feita em dois planos: um plano interno contínuo ou em pontos separados com fio absorvível, e um plano externo seromuscular. A omentoplastia (fixação de um retalho de omento sobre a sutura) reforça a linha de anastomose, trazendo vascularização adicional e ajudando a conter possíveis vazamentos. Esse reforço é particularmente importante no duodeno, onde a pressão intraluminal é alta e a cicatrização pode ser comprometida pela presença de suco gástrico, biliar e pancreático.

A drenagem do retroperitônio é um adjuvante importante, mas a drenagem simples isolada (alternativa A) não trata a lesão — apenas permite o escoamento de eventual vazamento, o que é insuficiente e associado a alta morbidade. Já os procedimentos de exclusão (alternativa C), derivação (alternativa D) ou a associação com jejunostomia (alternativa E) são reservados para lesões maiores, com perda tecidual extensa, retardo no diagnóstico (> 24h), contaminação grave ou lesões associadas do pâncreas e da ampola. Nesses casos, a sutura primária isolada teria alto risco de deiscência, e a exclusão duodenal (procedimento de Berne) ou a duodenojunostomia em Y de Roux são opções mais seguras.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de ser uma lesão "completa" (transversal), ela acomete apenas 20% da circunferência — ou seja, é uma lesão pequena, passível de reparo primário. O termo "completa" pode induzir o candidato a pensar em lesão extensa, mas o percentual de circunferência acometida é o dado decisivo. Além disso, a ausência de comprometimento da região ampolar e a estabilidade hemodinâmica reforçam a segurança do reparo primário. Guarde o critério: lesão pequena (< 50% da circunferência) + bordas viáveis + sem lesão ampolar + paciente estável = sutura primária com omentoplastia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A drenagem simples do retroperitônio é um adjuvante, não um tratamento definitivo. Deixar uma lesão duodenal aberta apenas com dreno resulta em fístula duodenal de alto débito, com alta morbimortalidade. A drenagem pode ser associada ao reparo primário, mas nunca o substitui.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sutura primária em dois planos com omentoplastia é a conduta clássica para lesões duodenais pequenas (< 50% da circunferência), recentes, com bordas viáveis e sem comprometimento ampolar. O duplo plano de sutura (interno e externo) e o reforço com omento garantem maior segurança contra deiscência, especialmente nessa região de alto fluxo de secreções digestivas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A derivação gástrica com exclusão duodenal (procedimento de Berne) é indicada para lesões duodenais complexas, como as que acometem mais de 50% da circunferência, com perda tecidual, retardo diagnóstico ou contaminação grave. Nesta questão, a lesão é pequena (20%) e o paciente estável, tornando o procedimento desproporcional e mais mórbido que o necessário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A duodenojejunostomia com loop em Y de Roux é uma derivação indicada para lesões extensas ou com perda tecidual que impeça a aproximação das bordas. Para uma lesão de apenas 20% da circunferência, a anastomose primária é perfeitamente possível, e a derivação seria um overtreatment, com maior risco de complicações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A duodenorrafia primária associada a jejunostomia de alimentação é uma opção válida em alguns serviços, mas a jejunostomia não é necessária em lesões pequenas e recentes, em que a recuperação do trânsito intestinal é rápida. A omentoplastia (alternativa B) é o reforço mais consagrado e suficiente; a jejunostomia adiciona morbidade sem benefício claro neste cenário.

Gabarito: letra B — sutura primária em dois planos com omentoplastia é a conduta mais adequada para lesão duodenal pequena, sem comprometimento ampolar, em paciente estável.

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