Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
A polipose adenomatosa familiar (FAP) é uma síndrome de câncer hereditário.Sobre essa condição, assinale a alternativa correta.
AA apresentação típica envolve o desenvolvimento de 10 a 50 pólipos adenomatosos no cólon, que surgem tipicamente em torno dos 30 anos de idade.
BA quimioprofilaxia com AINEs ou inibidores de COX-2 pode levar à regressão dos pólipos, mas não substitui a necessidade de colectomia profilática.
CEm pacientes submetidos a proctocolectomia total, a principal causa de mortalidade por câncer é o GIST de duodeno.
DA maioria dos casos esporádicos de FAP é causada por mutações de novo no gene MSH6, que segue um padrão de herança recessivo.
EO rastreamento para familiares de primeiro grau deve ser iniciado aos 40 anos, por meio de colonoscopia a cada cinco anos.
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GabaritoB — A quimioprofilaxia com AINEs ou inibidores de COX-2 pode levar à regressão dos pólipos, mas não substitui a necessidade de colectomia profilática.
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Polipose Adenomatosa Familiar (FAP)
Gabarito: letra B. A quimioprofilaxia com AINEs ou inibidores de COX-2 pode levar à regressão dos pólipos, mas não substitui a necessidade de colectomia profilática. A FAP clássica é causada por mutação autossômica dominante no gene APC, com centenas a milhares de pólipos que começam na adolescência, levando ao câncer no início da vida adulta — por isso a colectomia profilática é o pilar do tratamento, e os AINEs são apenas adjuvantes.
A polipose adenomatosa familiar (FAP) é uma síndrome de predisposição hereditária ao câncer colorretal, responsável por cerca de 1% de todos os casos. A forma clássica é causada por uma mutação autossômica dominante no gene APC (adenomatous polyposis coli), um gene supressor tumoral. O fenótipo é dramático: o paciente desenvolve centenas a milhares de pólipos adenomatosos no cólon, que começam a se formar durante a adolescência. Sem intervenção, o risco de câncer colorretal é praticamente de 100% até os 40-50 anos, pois a progressão adenoma-carcinoma é inevitável nesse cenário.
O tratamento de escolha é a colectomia profilática, realizada idealmente no final da adolescência ou início da vida adulta, antes da transformação maligna. A quimioprofilaxia com AINEs (como sulindaco) ou inibidores de COX-2 (como celecoxibe) demonstrou capacidade de reduzir o número e o tamanho dos pólipos, mas esse efeito é reversível e incompleto — não elimina o risco de câncer. Por isso, os AINEs são considerados terapia adjuvante ou ponte para a cirurgia, jamais substitutos da colectomia. Essa é a distinção central que a alternativa B captura corretamente.
É importante diferenciar a FAP de outras síndromes hereditárias. A FAP atenuada (AFAP) apresenta menos pólipos (10-100) e início mais tardio. A polipose associada ao gene MYH (MAP) é recessiva e simula a AFAP. Já a síndrome de Lynch (HNPCC) é a forma não poliposa, causada por mutações em genes de reparo do DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2), com herança dominante e poucos pólipos. A banca explora justamente essas confusões: trocar o gene APC por MSH6, o número de pólipos, a idade de início e o padrão de herança.
A pegadinha desta questão está em cada distrator: a alternativa A subestima o número de pólipos (10-50 é o espectro da AFAP, não da FAP clássica) e atrasa a idade de início; a C troca a principal causa de morte pós-proctocolectomia (que é o adenocarcinoma de duodeno/ampola, não GIST); a D atribui a FAP a um gene de reparo com herança recessiva (confundindo com a síndrome de Lynch); e a E atrasa o início do rastreamento familiar (deve começar na adolescência, não aos 40 anos). Guarde esses quatro erros: eles são o mapa completo da questão.
Característica
FAP Clássica
FAP Atenuada (AFAP)
Síndrome de Lynch (HNPCC)
MAP (associada ao MYH)
Gene
APC
APC
MLH1, MSH2, MSH6, PMS2
MYH
Herança
Autossômica dominante
Autossômica dominante
Autossômica dominante
Autossômica recessiva
Número de pólipos
Centenas a milhares
10–100
Poucos (ou ausentes)
10–100
Idade de início
Adolescência
Idade adulta
Idade adulta
Idade adulta
Risco de câncer colorretal
~100% até 40–50 anos
Alto
~70–80%
Alto
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a FAP típica envolve 10 a 50 pólipos que surgem por volta dos 30 anos. Isso descreve a FAP atenuada (AFAP), não a forma clássica. Na FAP clássica, o paciente desenvolve centenas a milhares de pólipos, que começam a se formar durante a adolescência (não aos 30 anos). O número de 10-50 pólipos é o critério diagnóstico para suspeitar de polipose e encaminhar para teste genético, mas não é a apresentação típica da FAP clássica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A quimioprofilaxia com AINEs ou inibidores de COX-2 pode levar à regressão dos pólipos, mas não substitui a necessidade de colectomia profilática. Estudos demonstraram que sulindaco e celecoxibe reduzem o número e o tamanho dos pólipos em pacientes com FAP, mas o efeito é reversível (os pólipos voltam após a suspensão) e não elimina o risco de câncer. A colectomia profilática permanece o padrão-ouro, pois é a única medida que reduz drasticamente a mortalidade por câncer colorretal nesses pacientes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que, após proctocolectomia total, a principal causa de mortalidade por câncer é o GIST de duodeno. O erro é duplo: (1) a principal causa de morte por câncer após proctocolectomia é o adenocarcinoma de duodeno e região ampular (parte do espectro de tumores extracolônicos da FAP), não GIST; (2) GIST (tumor estromal gastrointestinal) não é uma neoplasia característica da FAP. A FAP predispõe a adenomas e adenocarcinomas no trato gastrointestinal superior, especialmente duodeno.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a maioria dos casos esporádicos de FAP é causada por mutações de novo no gene MSH6, com herança recessiva. Três erros: (1) a FAP é causada por mutação no gene APC, não MSH6; (2) a herança é autossômica dominante, não recessiva; (3) MSH6 é um gene de reparo do DNA associado à síndrome de Lynch (HNPCC), que é uma síndrome não poliposa. A confusão entre FAP e síndrome de Lynch é clássica em provas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o rastreamento para familiares de primeiro grau deve começar aos 40 anos, com colonoscopia a cada 5 anos. O rastreamento deve começar na adolescência (por volta dos 10-12 anos, ou 10-15 anos antes da idade do diagnóstico mais precoce na família), com sigmoidoscopia ou colonoscopia anual. Começar aos 40 anos seria tarde demais, pois muitos pacientes já teriam desenvolvido câncer. O rastreamento precoce é essencial para identificar pólipos antes da transformação maligna.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura características de diferentes síndromes hereditárias para confundir. A alternativa D troca o gene APC (FAP) pelo MSH6 (síndrome de Lynch) e inverte o padrão de herança (dominante → recessivo). A alternativa A usa o número de pólipos da FAP atenuada (10-50) como se fosse da FAP clássica (centenas a milhares). Identifique o gene e o padrão de herança: FAP = APC, dominante; Lynch = MLH1/MSH2/MSH6, dominante; MAP = MYH, recessivo. Com esse mapa, você elimina os distratores com segurança.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de síndromes hereditárias de câncer colorretal, monte uma tabela mental com: gene, herança, número de pólipos, idade de início e risco de câncer. FAP clássica: APC, dominante, >100 pólipos, adolescência, risco ~100%. FAP atenuada: APC, dominante, 10-100 pólipos, idade adulta, risco alto. Síndrome de Lynch: MLH1/MSH2/MSH6, dominante, poucos pólipos, idade adulta, risco ~70-80%. MAP: MYH, recessiva, 10-100 pólipos, idade adulta, risco alto. Essa tabela resolve a maioria das questões sobre o tema.