Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu120030
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral - Especialidade: Cirurgia do Trauma
Paciente de 78 anos, com histórico de hipertensão arterial, diabetes e insuficiência cardíaca, é admitido por dor abdominal súbita e diarreia hemorrágica. A colonoscopia evidencia ulcerações e edema segmentar no cólon esquerdo, compatíveis com colite isquêmica.Sobre essa condição, é correto afirmar que
Ao risco de colite isquêmica é semelhante entre pacientes submetidos a reparo endovascular e cirúrgico aberto de aneurisma da aorta abdominal.
Bela é mais comum em homens do que em mulheres.
Co envolvimento do cólon direito está associado a pior prognóstico devido à maior probabilidade de infarto transmural.
Da maioria dos casos resulta de oclusão arterial aguda por trombose ou embolia.
Eo tratamento cirúrgico é necessário na maioria dos casos, independentemente da extensão.
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GabaritoC — o envolvimento do cólon direito está associado a pior prognóstico devido à maior probabilidade de infarto transmural.
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Colite isquêmica
Gabarito: letra C. O envolvimento do cólon direito na colite isquêmica está associado a pior prognóstico, pois essa região tem circulação colateral mais pobre, o que aumenta a probabilidade de infarto transmural e complicações como perfuração e peritonite. Essa é uma das características prognósticas mais importantes da doença, e é exatamente o que a alternativa correta afirma.
A colite isquêmica é uma condição que resulta da redução do fluxo sanguíneo para o cólon, levando a isquemia e, potencialmente, necrose da mucosa intestinal. Ela é mais comum em idosos, com fatores de risco como hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca e doença aterosclerótica — todos presentes no paciente do enunciado. O quadro clássico é de dor abdominal súbita, frequentemente em cólica, seguida de diarreia hemorrágica ou sangramento retal. A colonoscopia, como no caso, revela ulcerações e edema segmentar, tipicamente no cólon esquerdo, que é a região mais afetada.
A fisiopatologia da colite isquêmica é complexa e envolve diferentes mecanismos. Na maioria dos casos, a causa é uma isquemia não oclusiva, ou seja, uma redução do fluxo sanguíneo sem que haja uma oclusão arterial completa. Isso ocorre em situações de baixo débito cardíaco, choque, sepse, ou uso de drogas vasoconstritoras. A oclusão arterial aguda por trombose ou embolia é uma causa menos comum, responsável por uma minoria dos casos, mas geralmente leva a um quadro mais grave e extenso. A distinção entre esses mecanismos é fundamental para o manejo clínico.
A apresentação clínica e o prognóstico variam conforme a extensão e a gravidade da isquemia. A doença pode ser classificada em formas transitória (reversível), crônica (estenose) e gangrenosa (infarto transmural). A forma transitória é a mais comum e geralmente tem bom prognóstico com tratamento conservador. A forma gangrenosa, por outro lado, é uma emergência cirúrgica, com alta mortalidade. O envolvimento do cólon direito é um marcador de mau prognóstico, pois essa região tem uma circulação colateral menos desenvolvida em comparação ao cólon esquerdo, o que a torna mais vulnerável à isquemia grave e ao infarto transmural.
A distribuição anatômica da colite isquêmica é um ponto-chave. O cólon esquerdo, especialmente a junção esplênica (ângulo esplênico), é o local mais comumente afetado, pois é uma "zona de fronteira" entre os territórios das artérias mesentérica superior e inferior, com circulação colateral mais precária. O cólon direito, irrigado pela artéria mesentérica superior, também pode ser afetado, mas seu envolvimento isolado ou extenso é menos comum e indica um comprometimento mais grave do fluxo sanguíneo, frequentemente associado a oclusão vascular proximal ou a baixo débito cardíaco severo. Por isso, o envolvimento do cólon direito é um fator de pior prognóstico.
A banca explora a confusão entre os mecanismos fisiopatológicos e a epidemiologia da doença. O candidato pode ser levado a pensar que a oclusão arterial aguda é a causa mais comum, quando na verdade a isquemia não oclusiva predomina. Da mesma forma, a distribuição por sexo e a necessidade de tratamento cirúrgico são pontos que exigem conhecimento específico. A alternativa correta, ao destacar o pior prognóstico do envolvimento do cólon direito, aborda um aspecto prognóstico crucial e bem estabelecido na literatura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao afirmar que a maioria dos casos resulta de oclusão arterial aguda (alternativa D). Na realidade, a maioria dos casos de colite isquêmica é de natureza não oclusiva, decorrente de baixo fluxo sanguíneo (choque, insuficiência cardíaca, sepse). A oclusão arterial aguda é uma causa menos frequente, mas mais grave. Fique atento a essa inversão de frequência, que é uma armadilha clássica.
Colite isquêmica
1Fisiopatologia
Oclusão arterial aguda (minoria)
Isquemia não oclusiva (maioria)
Baixo débito cardíaco
Choque/sepse
Vasopressores
2Localização
Cólon esquerdo (mais comum)
Ângulo esplênico
Cólon direito (pior prognóstico)
Circulação colateral pobre
Infarto transmural
3Formas
Transitória (reversível)
Crônica (estenose)
Gangrenosa (emergência)
4Tratamento
Conservador (maioria)
Cirúrgico (casos graves)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o risco de colite isquêmica é semelhante entre reparo endovascular e cirúrgico aberto de aneurisma de aorta abdominal. Isso está errado. O reparo endovascular (EVAR) está associado a um menor risco de colite isquêmica em comparação com a cirurgia aberta. A cirurgia aberta envolve maior manipulação e clampagem da aorta, o que pode comprometer o fluxo sanguíneo para o cólon, especialmente a artéria mesentérica inferior. O EVAR, por ser menos invasivo, preserva melhor a circulação colateral, reduzindo o risco dessa complicação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a colite isquêmica é mais comum em homens do que em mulheres. Isso está errado. A colite isquêmica é mais comum em mulheres, especialmente após a menopausa. A razão exata não é totalmente compreendida, mas pode estar relacionada a diferenças hormonais e à maior prevalência de certos fatores de risco em mulheres idosas. A banca inverte a distribuição por sexo, uma pegadinha comum.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o envolvimento do cólon direito está associado a pior prognóstico devido à maior probabilidade de infarto transmural. Isso está correto. O cólon direito tem uma circulação colateral mais pobre em comparação ao cólon esquerdo, tornando-o mais vulnerável à isquemia grave. O envolvimento do cólon direito, especialmente quando extenso, está associado a maior taxa de infarto transmural, perfuração e necessidade de cirurgia de emergência, resultando em pior prognóstico. Essa é uma característica prognóstica bem estabelecida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a maioria dos casos resulta de oclusão arterial aguda por trombose ou embolia. Isso está errado. A maioria dos casos de colite isquêmica é de natureza não oclusiva, resultante de baixo fluxo sanguíneo (hipoperfusão) devido a condições como choque, insuficiência cardíaca, sepse ou uso de vasopressores. A oclusão arterial aguda é uma causa menos comum, mas geralmente leva a um quadro mais grave e extenso. A banca inverte a frequência dos mecanismos fisiopatológicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento cirúrgico é necessário na maioria dos casos, independentemente da extensão. Isso está errado. A maioria dos casos de colite isquêmica é transitória e reversível, sendo tratada de forma conservadora com suporte clínico, hidratação, repouso intestinal e antibioticoterapia quando indicada. O tratamento cirúrgico é reservado para casos graves, como infarto transmural, perfuração, peritonite ou falha do tratamento clínico. A extensão da doença é um fator importante na decisão, mas a maioria dos casos não requer cirurgia.