Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu120042
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral e/ou Área de Cirurgia Básica - Especialidades: Cirurgia Plástica
Com a publicação da Resolução CFM no 2.429/2025, houve atualização nos critérios para indicação de cirurgia bariátrica e metabólica no Brasil. Um paciente de 28 anos, com IMC de 32 kg/m2 e diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 há oito anos, em uso de insulina, sem outras comorbidades associadas, busca avaliação para cirurgia, após falha de tratamento clínico para obesidade por seis meses.
De acordo com as novas diretrizes, qual é a conduta mais adequada para esse caso?
AIndicar cirurgia, pois se preenche critério de IMC entre 30 e 35 kg/m2 associado a diabetes mellitus tipo 2.
BContraindicar a cirurgia, pois o paciente tem IMC abaixo de 35 kg/m² e menos de dez anos de diagnóstico de diabetes.
CContraindicar a cirurgia, pois a idade inferior a 30 anos é fator de exclusão para procedimento cirúrgico.
DIndicar tratamento clínico por mais dois anos antes de reconsiderar a cirurgia, devido ao tempo insuficiente de acompanhamento endocrinológico.
EIndicar a cirurgia apenas se houver associação com pelo menos mais duas comorbidades, como HAS e dislipidemia.
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GabaritoA — Indicar cirurgia, pois se preenche critério de IMC entre 30 e 35 kg/m² associado a diabetes mellitus tipo 2.
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Cirurgia bariátrica e metabólica: critérios da Resolução CFM 2.429/2025
Gabarito: letra A. A Resolução CFM 2.429/2025 ampliou os critérios para cirurgia bariátrica e metabólica, passando a indicar o procedimento para pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m² quando há diabetes mellitus tipo 2 (DM2) de difícil controle, mesmo sem outras comorbidades. O paciente do caso — 28 anos, IMC 32 kg/m², DM2 há 8 anos em uso de insulina e falha do tratamento clínico por 6 meses — preenche exatamente esse critério, tornando a cirurgia indicada.
A cirurgia bariátrica e metabólica é o tratamento cirúrgico da obesidade que, além de promover perda de peso, atua diretamente no controle metabólico, especialmente do diabetes tipo 2. Historicamente, os critérios de indicação eram mais restritivos: IMC ≥ 40 kg/m², ou IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades graves. A atualização de 2025, no entanto, reconheceu que pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m² e DM2 de difícil controle — mesmo sem outras comorbidades — podem se beneficiar do procedimento, desde que haja falha documentada do tratamento clínico.
O racional por trás dessa ampliação é o crescente corpo de evidências mostrando que a cirurgia metabólica é superior ao tratamento clínico no controle glicêmico de pacientes diabéticos com obesidade grau I, com altas taxas de remissão do diabetes e melhora de desfechos cardiovasculares. A presença de DM2 de longa data (8 anos) e o uso de insulina indicam doença mais avançada e de maior risco, o que reforça a indicação cirúrgica nesse cenário.
Na prática, o paciente do caso já tentou tratamento clínico por 6 meses sem sucesso, tem DM2 há 8 anos e usa insulina — um quadro de difícil controle. A idade de 28 anos não é contraindicação, e a ausência de outras comorbidades não impede a indicação, pois o próprio DM2 é a comorbidade que justifica o procedimento nessa faixa de IMC. O que a banca explora aqui é justamente a atualização dos critérios: o candidato que memorizou os critérios antigos (IMC ≥ 35 com comorbidade) tenderia a contraindicar, mas a nova resolução ampliou a indicação.
Guarde o critério decisivo: IMC 30–35 + DM2 de difícil controle + falha do tratamento clínico = cirurgia indicada, independentemente de outras comorbidades. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Cirurgia bariátrica (CFM 2.429/2025)
1Critérios de indicação
IMC ≥ 40
IMC ≥ 35 + comorbidades
IMC 30–35 + DM2 difícil controle
falha do tratamento clínico
independente de outras comorbidades
2Requisitos do caso
IMC 32 (30–35)
DM2 há 8 anos, uso de insulina
Falha clínica por 6 meses
Idade 28 não exclui
3Critérios antigos (não valem mais)
IMC ≥ 35 obrigatório
Exigir múltiplas comorbidades
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente tem IMC de 32 kg/m² (entre 30 e 35) e DM2 há 8 anos em uso de insulina, com falha do tratamento clínico por 6 meses. A Resolução CFM 2.429/2025 passou a indicar cirurgia metabólica para pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m² associado a DM2 de difícil controle, mesmo sem outras comorbidades. Todos os requisitos estão preenchidos: faixa de IMC, presença de DM2, falha do tratamento clínico e ausência de contraindicações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o IMC abaixo de 35 kg/m² contraindica a cirurgia, o que contraria a atualização de 2025. O erro está em aplicar o critério antigo (IMC ≥ 35 com comorbidade) como se fosse o único válido. A nova resolução ampliou a indicação para IMC entre 30 e 35 quando há DM2 de difícil controle — exatamente o caso do paciente. O tempo de diagnóstico de 8 anos também não é fator de exclusão; ao contrário, diabetes de longa data com uso de insulina reforça a indicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A idade inferior a 30 anos não é fator de exclusão para cirurgia bariátrica. A resolução não estabelece idade mínima de 30 anos como critério de elegibilidade; o que se avalia é a presença de indicação clínica (IMC + comorbidades + falha do tratamento clínico) e a ausência de contraindicações. O paciente de 28 anos pode, sim, ser submetido ao procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O paciente já tem falha do tratamento clínico documentada por 6 meses, o que é suficiente para considerar a indicação cirúrgica. Não há necessidade de aguardar mais dois anos de acompanhamento endocrinológico. A resolução exige falha do tratamento clínico, mas não estabelece um prazo mínimo de 2 anos; 6 meses de tentativa sem sucesso, com DM2 de difícil controle, já justificam a avaliação cirúrgica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa exige a presença de pelo menos mais duas comorbidades (HAS e dislipidemia) além do DM2, o que não é o critério da resolução. Para IMC entre 30 e 35 kg/m², a presença isolada de DM2 de difícil controle já é suficiente para indicar a cirurgia metabólica. A exigência de múltiplas comorbidades é um distrator que não corresponde à atualização de 2025.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a atualização dos critérios: o candidato que memorizou os critérios antigos (IMC ≥ 35 com comorbidade) tende a marcar a alternativa B, que contraindicaria a cirurgia. A pegadinha está em aplicar a regra desatualizada como se fosse a vigente. A Resolução CFM 2.429/2025 ampliou a indicação para IMC 30–35 com DM2 de difícil controle, mesmo sem outras comorbidades. Fique atento: quando a questão menciona uma resolução recente, os critérios antigos podem não valer mais.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de cirurgia bariátrica, memorize os critérios da resolução mais recente do CFM: IMC ≥ 40 (qualquer caso) ou IMC ≥ 35 com comorbidades, ou IMC 30–35 com DM2 de difícil controle e falha do tratamento clínico. A presença de DM2 é o fator que "abre a porta" para a cirurgia em IMC mais baixo. Na dúvida, verifique se a questão menciona uma atualização normativa — isso muda tudo.