Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — VUNESP 2026
Medicina›Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina
Código
vu120044
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral e/ou Área de Cirurgia Básica - Especialidades: Cirurgia Plástica
Paciente do sexo masculino, de 25 anos, vítima de ferimento penetrante por arma branca em zona II do pescoço (entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula), é admitido no pronto-socorro com hematoma expansivo em região cervical anterior, disfonia, enfisema subcutâneo e saturação de 88% em ar ambiente.Diante do quadro, assinale a alternativa que apresenta corretamente o conjunto de estruturas anatômicas com maior risco de ter sido lesado.
AArtérias vertebrais, veias jugulares e troncos nervosos cervicais.
BTraqueia, laringe e artérias carótidas.
CEsôfago, ducto torácico e parênquima pulmonar.
DFaringe, medula espinhal e arco aórtico.
EVeias subclávias, brônquios principais e nervo frênico.
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GabaritoB — Traqueia, laringe e artérias carótidas.
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Trauma cervical penetrante: zonas do pescoço e estruturas em risco
Gabarito: letra B. O ferimento em zona II do pescoço (entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula) coloca em maior risco a traqueia, a laringe e as artérias carótidas, estruturas que ocupam exatamente essa faixa anatômica — e os sinais clínicos do paciente (disfonia, enfisema subcutâneo, saturação de 88%) são a tradução fisiopatológica dessa lesão. A classificação em zonas do triângulo anterior do pescoço, descrita por Monson et al., é o critério que direciona a suspeita de lesão: cada zona tem um conjunto de estruturas vulneráveis, e a zona II é a que concentra as vias aéreas e os grandes vasos cervicais.
O trauma cervical penetrante é uma emergência cirúrgica de alta letalidade, e a anatomia topográfica do pescoço é o que permite ao médico prever quais estruturas foram atingidas antes mesmo da exploração. O pescoço é dividido em dois grandes triângulos — anterior e posterior — e o triângulo anterior é subdividido em três zonas horizontais, numeradas de I a III, de baixo para cima. A zona I vai das clavículas até a cartilagem cricoide; a zona II, da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula; e a zona III, do ângulo da mandíbula até a base do crânio. Essa divisão não é arbitrária: ela reflete a posição das estruturas nobres e orienta a conduta — lesões em zona II, por serem de acesso cirúrgico mais fácil, são classicamente submetidas à exploração cirúrgica imediata, enquanto zonas I e III, de difícil acesso, exigem avaliação diagnóstica complementar (angiotomografia, endoscopia, etc.).
Na zona II, as estruturas em maior risco são exatamente as que a alternativa B aponta: a traqueia e a laringe, que formam a via aérea anterior, e as artérias carótidas, que correm lateralmente dentro da bainha carotídea, junto com a veia jugular interna e o nervo vago. O quadro clínico do paciente é a confirmação clínica dessa anatomia: a disfonia (rouquidão) indica lesão laríngea, o enfisema subcutâneo (ar nos tecidos) indica solução de continuidade na via aérea — traqueia ou laringe — e a saturação de 88% reflete o comprometimento ventilatório. O hematoma expansivo em região cervical anterior é o sinal clássico de lesão arterial, sobretudo da carótida, e pode comprimir a via aérea, levando à obstrução — daí a urgência do controle cirúrgico.
A tabela abaixo resume as estruturas de cada zona, conforme a classificação clássica:
Carótidas e vertebrais, veias jugulares, esôfago, traqueia, laringe, medula espinhal
Zona III
Ângulo da mandíbula até a base do crânio
Carótidas e vertebrais distais, faringe, medula espinhal
A pegadinha central desta questão é a troca de zona: as alternativas incorretas misturam estruturas de zonas diferentes ou de regiões vizinhas (tórax, mediastino, pulmões), que não são as mais prováveis em um ferimento restrito à zona II. O candidato que não domina a topografia das zonas tende a escolher uma alternativa que agrupa estruturas nobres de qualquer região, sem perceber que a pergunta é específica: "qual conjunto tem maior risco de ter sido lesado" em uma zona determinada. A resposta correta é a que contém as estruturas que anatomicamente ocupam a zona II e cuja lesão explica os sinais clínicos apresentados.
Guarde a correspondência zona × estrutura: é exatamente nela que as alternativas se dividem — a letra B é a única que respeita a anatomia da zona II e amarra os sinais clínicos às estruturas lesadas.
Zonas do pescoço (trauma penetrante)
1Zona I (clavícula → cricoide)
Vasos torácicos e mediastino
Pulmões e ducto torácico
Traqueia e esôfago proximais
2Zona II (cricoide → mandíbula)
Traqueia e laringe
Artérias carótidas
Veias jugulares e esôfago
3Zona III (mandíbula → base do crânio)
Carótidas e vertebrais distais
Faringe
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Alternativa A — ❌ Incorreta
As artérias vertebrais e as veias jugulares estão, de fato, na zona II, mas os troncos nervosos cervicais não são o conjunto de maior risco diante do quadro clínico apresentado. O paciente tem disfonia, enfisema subcutâneo e hipoxemia — sinais de lesão de via aérea e de vaso arterial de grande calibre, não de lesão nervosa. Além disso, as artérias vertebrais, por sua localização profunda, são menos frequentemente atingidas que as carótidas em ferimentos anteriores. A alternativa erra ao priorizar estruturas que não explicam o quadro e ao omitir as vias aéreas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A zona II (cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula) contém a traqueia, a laringe e as artérias carótidas — exatamente o conjunto da alternativa. A disfonia aponta lesão laríngea; o enfisema subcutâneo e a saturação de 88% indicam lesão traqueal com escape de ar; o hematoma expansivo sugere lesão arterial, provavelmente carotídea. É o conjunto com maior risco de lesão nessa zona e o que melhor explica a apresentação clínica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O esôfago está na zona II, mas o ducto torácico e o parênquima pulmonar são estruturas da zona I e do tórax, não da zona II. O ducto torácico ascende pelo mediastino e drena no ângulo venoso esquerdo, na base do pescoço (zona I); os pulmões estão no tórax. A alternativa mistura estruturas de regiões diferentes e não explica os sinais de via aérea do paciente. Lesão esofágica poderia ocorrer, mas não é o conjunto de maior risco diante do quadro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A faringe é estrutura da zona III (acima do ângulo da mandíbula), e o arco aórtico é uma estrutura torácica, não cervical. A medula espinhal está presente em todas as zonas, mas o paciente não apresenta déficit neurológico descrito. A alternativa erra ao incluir estruturas de outras regiões e ao não contemplar as vias aéreas e os grandes vasos cervicais, que são o foco do quadro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As veias subclávias e os brônquios principais são estruturas da zona I e do tórax, não da zona II. O nervo frênico tem trajeto cervical, mas não é o conjunto de maior risco diante dos sinais de via aérea e de hemorragia. A alternativa mistura estruturas de regiões diferentes e não explica a disfonia, o enfisema subcutâneo ou a hipoxemia.
A regra de ouro para a prova: decore a correspondência zona × estrutura — zona I (tórax/mediastino), zona II (vias aéreas e carótidas), zona III (faringe e carótidas distais) — e amarre os sinais clínicos às estruturas. O quadro clínico é o espelho da anatomia: disfonia = laringe, enfisema = traqueia, hematoma expansivo = carótida.