Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu120047
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral e/ou Área de Cirurgia Básica - Especialidades: Cirurgia Plástica
Paciente do sexo masculino, de 22 anos, vítima de ferimento penetrante por arma branca em hipocôndrio direito, chega à emergência em regular estado geral, taquicárdico (FC: 118 bpm), hipotenso (PA: 90 × 60 mmHg), descorado (+/4+) e referindo dor abdominal intensa. A palpação abdominal revela dor difusa com defesa voluntária.Assinale a alternativa que apresenta corretamente a melhor conduta inicial para esse paciente.
ARealizar lavado peritoneal diagnóstico (LPD) para definir a necessidade de intervenção cirúrgica.
BSolicitar tomografia computadorizada de abdome para identificar lesões específicas e planejar a abordagem.
CEncaminhar para ultrassonografia abdominal (FAST) para avaliar a presença de líquido livre.
DRealizar associação de FAST e LPD para aumentar a acurácia diagnóstica.
EIndicar laparotomia exploradora de urgência.
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GabaritoE — Indicar laparotomia exploradora de urgência.
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Trauma abdominal penetrante: indicação de laparotomia
Gabarito: letra E. O paciente apresenta ferimento penetrante por arma branca em abdome com instabilidade hemodinâmica (FC 118 bpm, PA 90×60 mmHg) e sinais de irritação peritoneal (dor difusa com defesa voluntária) — critérios clássicos que indicam laparotomia exploradora de urgência, sem necessidade de exames de imagem prévios. A conduta se baseia nos princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support) e nas diretrizes de trauma abdominal penetrante.
O trauma abdominal penetrante é uma das situações mais críticas na emergência cirúrgica. A decisão entre operar imediatamente ou realizar exames complementares depende fundamentalmente do status hemodinâmico do paciente e da presença de sinais de peritonite. No caso apresentado, o paciente tem taquicardia (FC 118 bpm), hipotensão (PA 90×60 mmHg), palidez (descorado +/4+) e dor abdominal intensa com defesa voluntária à palpação — um quadro que traduz instabilidade hemodinâmica e provável irritação peritoneal, indicando sangramento intra-abdominal ativo ou contaminação da cavidade.
A regra de ouro no trauma penetrante é: paciente instável ou com sinais de peritonite → laparotomia imediata. Realizar exames de imagem (TC, FAST, LPD) nesse cenário atrasa a intervenção cirúrgica e aumenta a morbimortalidade. O lavado peritoneal diagnóstico (LPD) e o FAST são ferramentas úteis no trauma contuso ou no paciente estável, mas não têm papel na decisão de operar um paciente instável com ferimento penetrante. A tomografia computadorizada, embora excelente para avaliar lesões específicas, exige estabilidade hemodinâmica e tempo — que este paciente não tem.
A distinção crucial é entre trauma contuso e trauma penetrante. No contuso, a tendência é o tratamento não operatório em lesões de vísceras parenquimatosas (baço, fígado) quando o paciente está estável. No penetrante, a regra é o tratamento cirúrgico, com pouquíssimas exceções validadas para conduta não operatória — e mesmo essas exigem estabilidade hemodinâmica e ausência de sinais de peritonite. O paciente da questão não se enquadra em nenhuma exceção: está instável e com defesa voluntária, o que torna a laparotomia a única conduta correta.
A banca explora exatamente a confusão entre os exames complementares disponíveis no trauma e a indicação cirúrgica. O candidato que decora os métodos diagnósticos (FAST, LPD, TC) mas não domina o algoritmo de decisão acaba escolhendo uma alternativa que atrasa o tratamento. A pergunta é direta: qual a melhor conduta inicial? A resposta é operar. Guarde o critério: instabilidade hemodinâmica ou irritação peritoneal em trauma penetrante = laparotomia imediata.
1Avaliar hemodinâmica
2Instável ou peritonite?
3[+] Laparotomia imediata
4Estável e sem peritonite?
5Exames complementares
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O lavado peritoneal diagnóstico (LPD) é um exame que pesquisa líquido livre (sangue, bile, conteúdo intestinal) na cavidade peritoneal, mas é um método invasivo e demorado, indicado principalmente no trauma contuso com dúvida diagnóstica ou quando não há disponibilidade de outros métodos. No paciente instável com ferimento penetrante, realizar LPD atrasa a laparotomia e não muda a conduta — a indicação cirúrgica já está estabelecida pelos sinais clínicos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de abdome é excelente para identificar lesões específicas e planejar a abordagem, mas exige estabilidade hemodinâmica. O paciente está hipotenso e taquicárdico — levá-lo à TC nesse estado é perigoso, pois o exame demanda tempo e o paciente pode deteriorar durante o transporte ou o procedimento. A TC é reservada para pacientes estáveis, nos quais se cogita tratamento não operatório.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O FAST (Focused Assessment with Sonography in Trauma) é um exame à beira do leito que avalia a presença de líquido livre (hemoperitônio) na cavidade abdominal. É rápido e não invasivo, mas não é a conduta inicial neste caso: o paciente já tem indicação clínica clara de laparotomia (instabilidade + irritação peritoneal). O FAST poderia ser útil em um paciente instável com trauma contuso para confirmar hemoperitônio, mas no trauma penetrante com esses sinais, a laparotomia não deve ser adiada por nenhum exame.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A associação de FAST e LPD poderia aumentar a acurácia diagnóstica em cenários de dúvida, mas não se aplica a este paciente. Ambos os exames são desnecessários quando a indicação cirúrgica é evidente pelos critérios clínicos. Realizar exames complementares nesse contexto é perda de tempo e expõe o paciente a risco adicional. A conduta correta é a laparotomia imediata.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A laparotomia exploradora de urgência é a conduta inicial correta. O paciente preenche dois critérios clássicos de indicação cirúrgica no trauma abdominal penetrante: instabilidade hemodinâmica (FC 118 bpm, PA 90×60 mmHg, descorado) e sinais de irritação peritoneal (dor difusa com defesa voluntária). Nesse cenário, qualquer exame complementar é contraindicado por atrasar a intervenção. A cirurgia deve ser imediata para controlar o sangramento e tratar as lesões de vísceras.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato escolher um exame complementar (FAST, LPD, TC) em vez da cirurgia. A armadilha é confundir o papel dos métodos diagnósticos no trauma contuso estável com a conduta no trauma penetrante instável. No contuso estável, os exames guiam o tratamento não operatório; no penetrante instável, a laparotomia é imediata. Memorize: instabilidade ou peritonite = operar, sem exames.
PEGA ESSA DICA!
Na prova de cirurgia, quando o paciente tem trauma penetrante abdominal e está instável ou com sinais de peritonite, a resposta é sempre laparotomia. Os exames de imagem (FAST, TC, LPD) são para o paciente estável ou para o trauma contuso. Se a alternativa trouxer um exame complementar como conduta inicial nesse cenário, descarte-a imediatamente.