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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu120061
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral e/ou Área de Cirurgia Básica - Especialidades: Cirurgia Plástica
Paciente de 52 anos, com histórico de intubação orotraqueal prolongada há quatro meses durante internação por pneumonia, retorna ao serviço de pneumologia com dispneia progressiva e estridor. A broncoscopia confirma estenose traqueal circunferencial no terço médio da traqueia, com redução de 60% do lúmen.Considerando o diagnóstico de estenose traqueal pós-intubação, assinale a alternativa correta.
  1. AOs sintomas geralmente surgem apenas quando há obstrução superior a 80% do lúmen traqueal.
  2. BO tratamento cirúrgico com traqueoplastia deve ser realizado imediatamente na fase aguda da doença.
  3. CA estenose pós-intubação representa a causa mais comum de estenose traqueal adquirida em adultos.
  4. DO tubo em T de Montgomery é contraindicado tanto no pré-operatório como no pós-operatório de cirurgia de reconstrução traqueal.
  5. EAs doenças autoimunes, como a granulomatose com poliangeíte, são causas mais frequentes que a intubação.
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GabaritoC — A estenose pós-intubação representa a causa mais comum de estenose traqueal adquirida em adultos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estenose traqueal pós-intubação

Gabarito: letra C. A estenose traqueal pós-intubação é a causa mais comum de estenose traqueal adquirida em adultos, superando causas congênitas, traumáticas e autoimunes. O contexto clínico do paciente — intubação orotraqueal prolongada há quatro meses, seguida de dispneia progressiva e estridor — é o cenário clássico dessa complicação, que se desenvolve por isquemia e fibrose da mucosa traqueal na região do balonete do tubo.

A estenose traqueal é uma condição caracterizada pelo estreitamento do lúmen da traqueia, que pode ser congênita ou adquirida. Entre as adquiridas, a pós-intubação é a mais frequente, respondendo por cerca de 90% dos casos em adultos. O mecanismo fisiopatológico envolve a pressão exercida pelo balonete do tubo endotraqueal contra a parede traqueal, que compromete a perfusão sanguínea local. Isso leva a isquemia, ulceração e, posteriormente, à cicatrização com formação de tecido fibroso e estenose circunferencial. O quadro clínico típico inclui dispneia progressiva, estridor, tosse e, em casos graves, insuficiência respiratória. Os sintomas geralmente se manifestam quando a obstrução atinge cerca de 50% a 75% do lúmen, e não apenas acima de 80%, como afirma a alternativa A. O diagnóstico é confirmado por broncoscopia, que permite visualizar a estenose e avaliar sua extensão e grau de obstrução.

O tratamento da estenose traqueal pós-intubação depende da gravidade, extensão e localização da lesão. Em casos leves a moderados, pode-se optar por broncoscopia intervencionista com dilatação, laser ou colocação de stent. Em casos graves ou refratários, a traqueoplastia cirúrgica com ressecção e anastomose término-terminal é o tratamento de escolha. O tubo em T de Montgomery é um dispositivo utilizado para manter a via aérea pérvia em casos de estenose complexa, podendo ser usado tanto no pré-operatório quanto no pós-operatório de cirurgias de reconstrução traqueal, como suporte temporário ou definitivo. As doenças autoimunes, como a granulomatose com poliangeíte, são causas menos frequentes de estenose traqueal adquirida em comparação com a intubação.

A distinção crucial que separa as alternativas é o conhecimento da epidemiologia e do manejo da estenose traqueal pós-intubação. A banca explora a confusão entre a causa mais comum (intubação) e outras causas menos frequentes (autoimunes), além de testar o conhecimento sobre o momento dos sintomas e o papel do tubo em T de Montgomery. Guarde esses pontos: a intubação é a causa mais comum, os sintomas surgem com obstrução de 50-75%, a cirurgia é eletiva e o tubo em T é útil tanto no pré quanto no pós-operatório.

Estenose traqueal pós-intubação
  • 1Epidemiologia
    • Causa mais comum em adultos (~90%)
    • Supera autoimunes, traumáticas e congênitas
  • 2Fisiopatologia
    • Pressão do balonete → isquemia
    • Ulceração → fibrose → estenose
  • 3Quadro clínico
    • Dispneia progressiva e estridor
    • Sintomas com obstrução de 50–75%
  • 4Tratamento
    • Fase aguda: broncoscopia (dilatação, laser, stent)
    • Eletivo: traqueoplastia com ressecção e anastomose
    • Tubo em T de Montgomery: pré e pós-operatório
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os sintomas surgem apenas quando há obstrução superior a 80% do lúmen traqueal. Na prática, os sintomas como dispneia e estridor geralmente aparecem quando a obstrução atinge cerca de 50% a 75% do lúmen. A obstrução de 80% ou mais já representa um grau crítico, frequentemente associado a insuficiência respiratória iminente, mas não é o limiar para o início dos sintomas. A banca troca o limiar real (50-75%) por um valor mais alto (80%), o que levaria a um diagnóstico tardio e perigoso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento cirúrgico com traqueoplastia deve ser realizado imediatamente na fase aguda da doença. Na fase aguda, a prioridade é o controle da inflamação e a estabilização clínica, muitas vezes com broncoscopia intervencionista (dilatação, laser, stent) ou até mesmo traqueostomia. A traqueoplastia cirúrgica é um procedimento eletivo, realizado após a resolução do processo inflamatório agudo e quando a estenose está estabilizada, geralmente semanas a meses após a extubação. A cirurgia imediata na fase aguda aumenta o risco de complicações, como deiscência de anastomose e recidiva da estenose.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A estenose traqueal pós-intubação é, de fato, a causa mais comum de estenose traqueal adquirida em adultos. Isso se deve à alta frequência de intubação orotraqueal em unidades de terapia intensiva e ao mecanismo de lesão por pressão do balonete, que leva a isquemia e fibrose. Estudos mostram que a intubação prolongada é responsável por cerca de 90% dos casos de estenose traqueal adquirida, superando causas traumáticas, infecciosas e autoimunes. O paciente do enunciado, com histórico de intubação prolongada, se encaixa perfeitamente nesse perfil.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o tubo em T de Montgomery é contraindicado tanto no pré-operatório quanto no pós-operatório de cirurgia de reconstrução traqueal. Na verdade, o tubo em T de Montgomery é um dispositivo amplamente utilizado para manter a via aérea pérvia em casos de estenose traqueal complexa. Ele pode ser usado no pré-operatório como suporte temporário para estabilizar o paciente até a cirurgia, e no pós-operatório como stent para manter o lúmen traqueal aberto durante a cicatrização da anastomose. Portanto, a alternativa inverte completamente a indicação do dispositivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que as doenças autoimunes, como a granulomatose com poliangeíte, são causas mais frequentes que a intubação. Isso é falso. A granulomatose com poliangeíte (antiga granulomatose de Wegener) é uma causa rara de estenose traqueal, embora possa acometer a via aérea. A intubação orotraqueal prolongada é, de longe, a causa mais comum de estenose traqueal adquirida em adultos, sendo responsável pela grande maioria dos casos. A banca tenta confundir o candidato ao apresentar uma causa menos frequente como se fosse mais comum.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a epidemiologia e o manejo da estenose traqueal. Aqui, ela troca a causa mais comum (intubação) por uma menos comum (autoimune), inverte o limiar de sintomas (80% em vez de 50-75%) e contraindica o tubo em T de Montgomery, que na verdade é indicado. Fique atento a essas inversões clássicas.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de estenose traqueal, memorize os pontos-chave: causa mais comum em adultos = pós-intubação; sintomas com obstrução de 50-75%; tratamento cirúrgico é eletivo, não imediato; tubo em T de Montgomery é útil no pré e pós-operatório. Esses são os pilares que a banca costuma explorar.

Gabarito: letra C

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