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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2026

MedicinaUrologia
Código
vu120066
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral e/ou Área de Cirurgia Básica - Especialidades: Cirurgia Plástica
Homem de 32 anos chega ao pronto-socorro referindo ereção persistente e não dolorosa há horas, iniciada após trauma perineal durante acidente de moto. Ao exame, observa-se priapismo com rigidez parcial, palpação dolorosa à base do pênis e equimose perineal. Foi realizada aspiração de sangue do corpo cavernoso, que se apresentou vermelho-vivo e com gasometria compatível com sangue arterializado.Qual é a conduta diagnóstica e terapêutica mais adequada para esse caso?
  1. AInjeção intracavernosa de fenilefrina e aspiração, tratando como priapismo isquêmico.
  2. BAngiotomografia de pelve para identificar fístula arterial e embolização seletiva.
  3. CRealização de shunt cavernoso-esponjoso distal imediato.
  4. DAdministração de analgésicos e observação, pois é um priapismo de alta vazão com resolução espontânea frequente.
  5. EExploração cirúrgica urgente com ligadura da artéria pudenda interna.
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GabaritoB — Angiotomografia de pelve para identificar fístula arterial e embolização seletiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Priapismo: alto fluxo versus baixo fluxo

Gabarito: letra B. O quadro descrito — priapismo não doloroso após trauma perineal, com sangue aspirado vermelho-vivo e gasometria arterializada — é a apresentação clássica do priapismo de alto fluxo (não isquêmico), causado por fístula entre a artéria cavernosa e o corpo cavernoso. Nesses casos, a conduta diagnóstica é a angiotomografia de pelve (ou arteriografia) para identificar a fístula, e o tratamento de escolha é a embolização arterial seletiva, conforme a literatura urológica.

O priapismo é definido como uma ereção prolongada, geralmente dolorosa, não associada a estímulo erótico. A fisiopatologia divide a condição em dois grandes grupos, e é essa divisão que decide toda a conduta. No priapismo de baixo fluxo (isquêmico), há obstrução da drenagem venosa dos corpos cavernosos, levando a um sangue hipóxico, escuro, com gasometria compatível com acidose e hipóxia — é uma emergência urológica que exige descompressão imediata. No priapismo de alto fluxo (não isquêmico), o problema é o oposto: há um aumento anômalo do fluxo arterial para o corpo cavernoso, geralmente por uma fístula entre a artéria cavernosa e o corpo cavernoso, decorrente de trauma perineal fechado (como o acidente de moto do enunciado). O sangue que mantém a ereção é arterial, com alta concentração de oxigênio, o que explica a cor vermelho-viva e a gasometria arterializada na aspiração.

A distinção clínica é fundamental: o priapismo de alto fluxo tipicamente não é doloroso (ou é pouco doloroso), o pênis apresenta rigidez parcial, e o paciente frequentemente relata trauma perineal recente. Já o priapismo isquêmico é intensamente doloroso, com corpo cavernoso túrgido e rígido. A gasometria do sangue aspirado é o exame que confirma o diagnóstico: no alto fluxo, o sangue é vermelho-vivo, com PO2 elevada e pH normal; no baixo fluxo, o sangue é escuro, com PO2 baixa, PCO2 elevada e pH ácido. O ultrassom com Doppler peniano também auxilia, mostrando fluxo arterial preservado ou aumentado no alto fluxo e fluxo ausente ou diminuído no baixo fluxo.

O manejo difere radicalmente entre os dois tipos. No priapismo de alto fluxo, não é uma emergência: muitos casos têm resolução espontânea, e a conduta inicial pode ser expectante, com analgesia e observação. Se o priapismo persistir, o tratamento de escolha é a embolização arterial seletiva, precedida de exame de imagem (angiotomografia ou arteriografia) para localizar a fístula. Já no priapismo isquêmico, o tratamento é emergencial e escalonado: aspiração do sangue do corpo cavernoso, injeção de alfa-adrenérgico (fenilefrina) e, se necessário, shunts cirúrgicos (cavernoso-esponjoso).

A pegadinha central desta questão é justamente a inversão dos protocolos: o candidato que reconhece apenas o priapismo isquêmico (mais comum e mais cobrado) aplica o tratamento de baixo fluxo a um caso de alto fluxo, ou subestima a necessidade de investigação. A chave está nos detalhes do enunciado: trauma perineal, ausência de dor intensa, rigidez parcial e sangue arterializado na aspiração — todos apontam para o alto fluxo. Guarde essa fronteira: dor intensa + sangue escuro = baixo fluxo (emergência); trauma + sangue vermelho-vivo = alto fluxo (não emergência, embolização). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Critério

Priapismo de Alto Fluxo (Não Isquêmico)

Priapismo de Baixo Fluxo (Isquêmico)

Causa típica

Fístula arteriocavernosa (trauma perineal fechado)

Obstrução da drenagem venosa (idiopática, fármacos, doenças hematológicas)

Dor

Ausente ou pouco doloroso

Intensamente doloroso

Rigidez peniana

Parcial

Túrgida e rígida

Sangue aspirado

Vermelho-vivo (arterializado)

Escuro (hipóxico)

Gasometria

PO₂ elevada, pH normal

PO₂ baixa, PCO₂ elevada, pH ácido

Urgência

Não é emergência (pode ter resolução espontânea)

Emergência urológica

Diagnóstico

Angiotomografia/arteriografia (identificar fístula)

Clínico + gasometria (confirmação)

Tratamento

Embolização arterial seletiva

Escalonado: aspiração → fenilefrina → shunt cirúrgico

Priapismo
  • 1Baixo fluxo (isquêmico)
    • Dor intensa
    • Sangue escuro
    • Emergência
    • Tratamento: fenilefrina, shunt
  • 2Alto fluxo (não isquêmico)
    • Trauma perineal
    • Pouca dor
    • Sangue vermelho-vivo
    • Tratamento: angiotomografia, embolização
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A injeção intracavernosa de fenilefrina e a aspiração são o tratamento do priapismo isquêmico (baixo fluxo), não do alto fluxo. No caso descrito, o sangue arterializado e a ausência de dor intensa indicam alto fluxo, no qual a fenilefrina não tem papel e a aspiração não é a conduta de primeira linha. Aplicar o protocolo isquêmico aqui seria um erro de manejo, pois a fisiopatologia é completamente diferente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A angiotomografia de pelve é o exame de imagem indicado para identificar a fístula arterial que causa o priapismo de alto fluxo, e a embolização seletiva é o tratamento de escolha quando o priapismo persiste. O enunciado traz todos os elementos do alto fluxo: trauma perineal, ereção não dolorosa, rigidez parcial e sangue arterializado na aspiração. A alternativa espelha exatamente a conduta diagnóstica e terapêutica recomendada pela literatura para esse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O shunt cavernoso-esponjoso distal (como o shunt de Winter) é um procedimento cirúrgico indicado para o priapismo isquêmico refratário, quando a aspiração e os alfa-adrenérgicos falham. No priapismo de alto fluxo, não há indicação de shunt, pois o problema não é a drenagem venosa obstruída, mas sim o excesso de fluxo arterial. Realizar um shunt nesse contexto seria um erro terapêutico grave.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa está parcialmente correta ao reconhecer que o priapismo de alto fluxo pode ter resolução espontânea, mas erra ao afirmar que a conduta é apenas analgésicos e observação. Embora a observação inicial seja aceitável em alguns casos, a conduta diagnóstica adequada inclui a investigação por imagem (angiotomografia) para confirmar a fístula, e a embolização seletiva é indicada se o priapismo persistir. A alternativa simplifica demais o manejo, omitindo a necessidade de diagnóstico e tratamento definitivo quando não há resolução espontânea.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A exploração cirúrgica urgente com ligadura da artéria pudenda interna é uma conduta agressiva e desnecessária no priapismo de alto fluxo. A ligadura arterial não é o tratamento de escolha, pois pode levar a disfunção erétil permanente. O tratamento preferencial é a embolização arterial seletiva, que é menos invasiva e preserva a função erétil. Além disso, o priapismo de alto fluxo não é uma emergência que exija cirurgia imediata.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os dois tipos de priapismo. O candidato que memoriza apenas o priapismo isquêmico (mais comum) tende a escolher a alternativa A (fenilefrina) ou C (shunt), que são condutas do baixo fluxo. A chave está nos sinais do enunciado: trauma perineal, ausência de dor intensa e sangue arterializado — tudo indica alto fluxo, cujo tratamento é a embolização seletiva. Fique atento a esses detalhes para não cair na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os dois tipos na prova, monte um quadro mental rápido: baixo fluxo = dor intensa, sangue escuro, emergência, fenilefrina/shunt; alto fluxo = trauma, pouca dor, sangue vermelho-vivo, angiotomografia/embolização. Se o enunciado trouxer "trauma perineal" e "sangue arterializado", a resposta quase sempre será embolização seletiva.

Gabarito: letra B

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