Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu120077
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral e/ou Área de Cirurgia Básica - Especialidades: Cirurgia Plástica
Paciente de 52 anos, HIV negativo, apresenta lesão ulcerada de 3 cm no canal anal, acometendo a linha pectínea. A biópsia revela carcinoma de células escamosas bem diferenciado. A ressonância magnética mostra linfonodos ilíacos internos aumentados.Qual é a conduta inicial mais adequada?
ARessecção local ampla transanal.
BQuimiorradiação combinada com 5-FU e mitomicina C.
CAmputação abdominoperineal do reto.
DLinfadenectomia inguinal bilateral.
EBraquiterapia exclusiva.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Quimiorradiação combinada com 5-FU e mitomicina C.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Câncer Anal: Tratamento com Quimiorradiação
Gabarito: letra B. O carcinoma de células escamosas do canal anal, mesmo com linfonodos pélvicos comprometidos, tem como tratamento padrão inicial a quimiorradiação combinada com 5-FU e mitomicina C, que é curativa na maioria dos casos e evita cirurgia mutiladora com colostomia permanente. Essa conduta é baseada no princípio de que o câncer anal é uma das poucas neoplasias sólidas curáveis sem ressecção cirúrgica, conforme a literatura médica sobre o tema.
O câncer anal é uma neoplasia maligna incomum, fortemente associada à infecção pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente os tipos 16 e 18, que inativam os genes supressores de tumor TP53 e RB1 por meio das proteínas virais E6 e E7. É mais comum em indivíduos com HIV e naqueles que praticam relações sexuais anais receptivas, devido à baixa imunidade do hospedeiro e ao aumento da transmissão do HPV. O condiloma acuminado é uma lesão precursora desse câncer. A histologia típica é de carcinoma de células escamosas (CCE), com lâminas de células queratinizadas hiperproliferativas.
O diagnóstico é feito por biópsia da lesão suspeita, e a avaliação para disseminação distante inclui TC de tórax, abdome e pelve. Atenção especial deve ser dada ao exame dos linfonodos inguinais, pois são locais comuns de disseminação precoce. No caso apresentado, a ressonância magnética mostra linfonodos ilíacos internos aumentados, indicando comprometimento linfonodal pélvico, o que reforça a necessidade de tratamento sistêmico combinado com radioterapia.
O tratamento do câncer anal é um dos poucos exemplos em oncologia em que uma neoplasia sólida pode ser curada sem ressecção cirúrgica. Para lesões iniciais e muito pequenas, a excisão completa pode ser suficiente. Entretanto, na maioria dos casos, a modalidade curativa padrão consiste em quimioterapia combinada com 5-FU e mitomicina, juntamente com radioterapia. Esse esquema apresenta toxicidades significativas em curto prazo, que devem ser tratadas de forma agressiva. Esse tratamento pode evitar a necessidade de uma cirurgia de grande porte que resultaria em colostomia permanente. Mais de 70% dos casos podem ser curados com quimiorradiação. A recidiva da doença é geralmente tratada com excisão cirúrgica (se for local) ou quimioterapia sistêmica (se for distante).
A distinção crucial é entre o câncer anal e o adenocarcinoma de reto. Enquanto o câncer anal é tratado primariamente com quimiorradiação, o adenocarcinoma de reto é tratado cirurgicamente com excisão total do mesorreto (TME), frequentemente precedida por neoadjuvância. A localização do tumor em relação à linha pectínea é fundamental: tumores acima dela (reto) têm abordagem cirúrgica, enquanto tumores que a acometem (canal anal) são tratados com quimiorradiação. A pegadinha da banca é justamente confundir o tratamento do câncer anal com o do reto, oferecendo opções cirúrgicas como a amputação abdominoperineal, que é reservada para recidivas ou casos específicos.
Guarde a fronteira entre câncer anal e câncer de reto: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de linfonodos ilíacos internos aumentados não contraindica a quimiorradiação, pois essa modalidade trata tanto o tumor primário quanto as cadeias linfonodais regionais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ressecção local ampla transanal é indicada apenas para lesões iniciais e muito pequenas, geralmente T1N0 bem diferenciadas, sem comprometimento linfonodal. No caso apresentado, há linfonodos ilíacos internos aumentados, o que contraindica essa abordagem conservadora. A ressecção local não trata a doença linfonodal pélvica e não é o padrão para tumores de 3 cm com linfonodos comprometidos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A quimiorradiação combinada com 5-FU e mitomicina C é o tratamento padrão para o carcinoma de células escamosas do canal anal, mesmo com comprometimento linfonodal regional. Essa modalidade é curativa em mais de 70% dos casos e evita a necessidade de cirurgia mutiladora com colostomia permanente. O esquema trata tanto o tumor primário quanto as cadeias linfonodais pélvicas, sendo a conduta inicial mais adequada para o caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A amputação abdominoperineal do reto é uma cirurgia radical que resulta em colostomia permanente e é reservada para recidivas após quimiorradiação ou para casos específicos em que a quimiorradiação não é possível ou falhou. Não é a conduta inicial para o câncer anal, pois a quimiorradiação é curativa na maioria dos casos e evita a mutilação. Essa alternativa confunde o tratamento do câncer anal com o do adenocarcinoma de reto baixo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A linfadenectomia inguinal bilateral é uma abordagem cirúrgica para o tratamento de linfonodos metastáticos, mas não é a conduta inicial no câncer anal. O tratamento padrão é a quimiorradiação, que trata tanto o tumor primário quanto as cadeias linfonodais regionais, incluindo as inguinais e pélvicas. A linfadenectomia isolada não trata o tumor primário e não é recomendada como primeira linha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A braquiterapia exclusiva não é o tratamento padrão para o câncer anal. A modalidade curativa padrão é a quimiorradiação combinada, que associa quimioterapia com 5-FU e mitomicina C à radioterapia externa. A braquiterapia pode ser usada como reforço (boost) em alguns casos, mas não como tratamento exclusivo, especialmente com comprometimento linfonodal pélvico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo opções cirúrgicas (ressecção local, amputação abdominoperineal, linfadenectomia) que são típicas do tratamento do câncer de reto, não do câncer anal. A palavra-chave é a localização: a lesão acomete a linha pectínea, o que define o canal anal e, portanto, o tratamento com quimiorradiação. Lembre-se: câncer anal = quimiorradiação; câncer de reto = cirurgia (TME).
PEGA ESSA DICA!
Para questões de oncologia cirúrgica, identifique primeiro a localização exata do tumor e o estadiamento linfonodal. No câncer anal, a presença de linfonodos regionais comprometidos não contraindica a quimiorradiação, pois essa modalidade trata tanto o tumor primário quanto as cadeias linfonodais. Memorize o esquema: 5-FU + mitomicina C + radioterapia = tratamento padrão do câncer anal.