Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu120081
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Kauan, 6 anos, sexo masculino, é trazido em consulta de encaixe no consultório devido a história de dor em quadril, coxa e joelho esquerdos persistentes há cerca de 2 semanas. A dor piora durante atividades físicas e melhora em repouso. Ao exame, há limitação da abdução e da rotação interna do quadril esquerdo. Nega febre ou outras queixas. Realizadas ultrassonografia e radiografia de quadris, que evidenciaram presença de derrame articular associado a assimetria e aumento da densidade da cabeça do fêmur à esquerda.Qual é a principal hipótese diagnóstica para Kauan?
AEpifisiólise femoral proximal.
BSinovite transitória do quadril.
CArtrite séptica do quadril.
DDoença de Legg-Calvé-Perthes.
EDoença de Osgood-Schlatter.
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GabaritoD — Doença de Legg-Calvé-Perthes.
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Quadril doloroso na infância: diagnóstico diferencial
Gabarito: letra D. O quadro clínico de Kauan — criança de 6 anos, dor em quadril/coxa/joelho esquerdos há 2 semanas, piora com atividade e melhora com repouso, limitação de abdução e rotação interna, com radiografia mostrando aumento da densidade da cabeça femoral — é clássico da Doença de Legg-Calvé-Perthes. A faixa etária (4–10 anos) e o achado radiológico de aumento da densidade da cabeça do fêmur são os elementos-chave que afastam as demais hipóteses.
A dor no quadril em crianças é um desafio diagnóstico frequente na pediatria, e a chave está em correlacionar a idade da criança com a apresentação clínica e os achados de imagem. As principais causas de claudicação e dor no quadril variam conforme a faixa etária: dos 4 aos 10 anos, as causas mais comuns são sinovite transitória, doença de Legg-Calvé-Perthes e artrites infecciosas. Já dos 10 anos ao final da adolescência, a epifisiólise proximal do fêmur torna-se a principal suspeita. Essa distribuição etária é o primeiro filtro para o diagnóstico.
A Doença de Legg-Calvé-Perthes é uma osteocondrose da cabeça femoral, caracterizada por necrose avascular idiopática do núcleo de ossificação da epífise proximal do fêmur. Acomete principalmente meninos entre 4 e 8 anos, e a apresentação típica inclui dor insidiosa no quadril, coxa ou joelho (dor referida), claudicação e limitação da abdução e rotação interna do quadril. A radiografia inicial pode ser normal, mas com a evolução surgem os achados de aumento da densidade da cabeça femoral, que é o sinal precoce mais característico, como ocorreu no caso de Kauan. A ultrassonografia pode evidenciar derrame articular, que também está presente, mas é um achado inespecífico.
O diagnóstico diferencial mais importante é com a sinovite transitória do quadril, que é a causa mais frequente de dor no quadril em crianças de 3 a 10 anos. No entanto, a sinovite transitória tem início agudo, frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores, e o derrame articular é o achado predominante, sem alterações na densidade óssea. A artrite séptica, por sua vez, cursa com febre alta, impotência funcional e comprometimento sistêmico, com critérios de Kocher positivos (febre > 38°C, incapacidade de deambular, leucocitose > 12.000 e VHS > 40 mm/h). A epifisiólise femoral proximal ocorre em adolescentes (10–16 anos), tipicamente obesos, com dor no quadril e joelho, mas a radiografia mostra deslizamento da epífise, não aumento de densidade. A doença de Osgood-Schlatter é uma osteocondrose da tuberosidade anterior da tíbia, causando dor no joelho, não no quadril.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a dor referida no joelho é comum na patologia do quadril em crianças, e que o aumento da densidade da cabeça femoral na radiografia é o achado que define a doença de Legg-Calvé-Perthes, diferenciando-a da sinovite transitória, que teria apenas derrame articular sem alteração óssea. A ausência de febre e o curso subagudo (2 semanas) também ajudam a excluir artrite séptica.
Quadril doloroso na infância
14–10 anos
Sinovite transitória
Início agudo
Pós-infecção viral
Derrame articular
Legg-Calvé-Perthes
Início insidioso
Aumento da densidade da cabeça femoral
Artrite séptica
Febre alta
Critérios de Kocher
210–16 anos
Epifisiólise femoral proximal
Deslizamento da epífise
Obesidade
3Dor referida no joelho
Comum na patologia do quadril
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A epifisiólise femoral proximal (EFP) é uma condição que acomete adolescentes, tipicamente entre 10 e 16 anos, frequentemente obesos ou em estirão de crescimento. A dor é no quadril e/ou joelho, mas a radiografia mostra deslizamento da epífise femoral proximal em relação ao colo, não aumento da densidade da cabeça femoral. A idade de Kauan (6 anos) e o achado radiológico de aumento de densidade são incompatíveis com EFP.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A sinovite transitória do quadril é a causa mais comum de dor no quadril em crianças de 3 a 10 anos, mas tem início agudo, frequentemente após infecção de vias aéreas superiores, e o derrame articular é o achado predominante, sem alterações na densidade óssea. A dor de Kauan é persistente há 2 semanas, e a radiografia mostra aumento da densidade da cabeça femoral, o que não ocorre na sinovite transitória, que é autolimitada e sem sequelas ósseas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A artrite séptica do quadril é uma emergência, caracterizada por febre alta (> 38,5°C), dor intensa, impotência funcional e comprometimento sistêmico. Os critérios de Kocher (febre > 38°C, incapacidade de deambular, leucocitose > 12.000 e VHS > 40 mm/h) ajudam a diferenciar da sinovite transitória. Kauan nega febre e não apresenta sinais sistêmicos, o que torna a artrite séptica improvável. Além disso, a radiografia na artrite séptica mostra alargamento do espaço articular e edema de tecidos moles, não aumento da densidade da cabeça femoral.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença de Legg-Calvé-Perthes é uma osteocondrose da cabeça femoral, que acomete principalmente meninos entre 4 e 8 anos. A apresentação típica inclui dor insidiosa no quadril, coxa ou joelho (dor referida), claudicação e limitação da abdução e rotação interna do quadril. A radiografia inicial pode ser normal, mas com a evolução surge o aumento da densidade da cabeça femoral, que é o sinal precoce mais característico. A ultrassonografia pode evidenciar derrame articular, como no caso de Kauan. A idade, o sexo, a apresentação clínica e os achados de imagem são todos compatíveis com o diagnóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A doença de Osgood-Schlatter é uma osteocondrose da tuberosidade anterior da tíbia, que causa dor e edema no joelho, tipicamente em adolescentes ativos durante o estirão de crescimento. Não há envolvimento do quadril, e a radiografia mostraria alterações na tuberosidade tibial, não na cabeça femoral. A dor referida no joelho de Kauan é decorrente da patologia do quadril, não de uma doença primária do joelho.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a dor referida no joelho, que é comum na patologia do quadril em crianças, para confundir com doenças primárias do joelho, como a doença de Osgood-Schlatter. Além disso, a ausência de febre e o derrame articular na ultrassonografia podem levar ao diagnóstico de sinovite transitória, mas o aumento da densidade da cabeça femoral na radiografia é o achado que define a doença de Legg-Calvé-Perthes. Fique atento: na sinovite transitória, a radiografia é normal ou mostra apenas derrame articular, sem alteração óssea.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as causas de dor no quadril em crianças, use a idade como primeiro filtro: 4–10 anos → sinovite transitória, Perthes ou artrite séptica; > 10 anos → epifisiólise. Depois, avalie a presença de febre (artrite séptica), o início dos sintomas (agudo na sinovite, insidioso no Perthes) e os achados radiológicos (aumento de densidade no Perthes, deslizamento na epifisiólise).