Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu120084
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Miguel, 2 anos, é atendido no plantão do pronto-socorro infantil com quadro súbito de urticária associada a edema de lábios e presença de sibilância e desconforto respiratório após o consumo de doce de amendoim, sendo feita a hipótese diagnóstica de anafilaxia.Assinale a alternativa correta em relação a essa condição.
AOs principais desencadeantes de anafilaxia na faixa etária pediátrica são os medicamentos.
BA presença de urticária e/ou angioedema é frequente nos casos de anafilaxia, mas não é obrigatória para o seu diagnóstico.
CAs manifestações clínicas dos casos de anafilaxia raramente têm início nos primeiros 30 minutos do contato com o desencadeante.
DO tratamento da anafilaxia no pronto-socorro infantil deve realizado preferencialmente com adrenalina via endovenosa.
EO uso de corticoides sistêmicos está indicado para todos os casos concomitante ao uso da adrenalina.
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GabaritoB — A presença de urticária e/ou angioedema é frequente nos casos de anafilaxia, mas não é obrigatória para o seu diagnóstico.
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Anafilaxia na Pediatria: diagnóstico e manejo
Gabarito: letra B. Na anafilaxia, as manifestações cutâneas (urticária e/ou angioedema) são as mais frequentes, ocorrendo em 80–90% dos casos, mas não são obrigatórias para o diagnóstico — a definição exige acometimento rápido de via aérea, respiração ou circulação, "geralmente (porém nem sempre) associada a mudanças de pele e mucosa". O caso de Miguel ilustra bem o quadro: urticária + edema de lábios + sibilância após ingestão de amendoim, configurando anafilaxia por alimento, o desencadeante mais comum na faixa etária pediátrica.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal, de início rápido, mediada por IgE (na maioria dos casos), que envolve a liberação de mediadores de mastócitos e basófilos. O diagnóstico é essencialmente clínico e deve ser feito prontamente, sem aguardar exames complementares. Os critérios diagnósticos mais aceitos (propostos pela OMS em 2021) exigem o envolvimento de, pelo menos, dois sistemas orgânicos — ou um único sistema em contexto de exposição a alérgeno conhecido —, sendo o comprometimento respiratório e/ou cardiovascular o que define a gravidade. A pele é o órgão mais frequentemente acometido (80–90%), mas sua ausência não exclui o diagnóstico, especialmente em quadros que evoluem rapidamente com hipotensão ou broncoespasmo.
Na prática, o reconhecimento precoce é crucial: o atraso na administração de adrenalina é um dos principais preditores de gravidade e mortalidade. O tratamento de primeira linha é a adrenalina intramuscular (IM), na face anterolateral da coxa (músculo vasto lateral), na dose de 0,15 mg para crianças de 6 meses a 6 anos (como Miguel, de 2 anos), podendo ser repetida a cada 5–15 minutos se necessário. A via endovenosa é reservada para casos refratários, sob monitorização, por apresentar maior risco de eventos adversos (arritmias). Anti-histamínicos e corticoides são medicações adjuvantes, que não devem ser usadas isoladamente nem substituir a adrenalina — os corticoides não têm benefício comprovado na fase aguda, sendo utilizados na tentativa de prevenir a reação bifásica.
A banca explora, nesta questão, os principais pontos de confusão no manejo da anafilaxia: a epidemiologia dos desencadeantes na infância, a obrigatoriedade (ou não) das manifestações cutâneas, o tempo de início dos sintomas, a via de administração da adrenalina e o papel dos corticoides. A alternativa correta é a que reconhece a frequência, mas não a obrigatoriedade, das manifestações cutâneas — um conceito central da definição atual de anafilaxia.
Anafilaxia na pediatria
1Diagnóstico (clínico)
Início rápido (minutos a horas)
Via aérea, respiração ou circulação
Pele: frequente (80–90%), mas não obrigatória
2Desencadeantes
Alimentos (mais comum na infância)
Medicamentos (mais comum em adultos)
3Tratamento
Adrenalina IM (1ª linha)
Face anterolateral da coxa
0,15 mg (6 meses–6 anos)
Repetir a cada 5–15 min
Adrenalina EV (refratários)
Maior risco de arritmias
Adjuvantes
Anti-histamínicos
Corticoides (não substituem adrenalina)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os principais desencadeantes de anafilaxia na faixa etária pediátrica são os medicamentos. Errado: em crianças, os alimentos são as maiores causas de procura a serviços de emergência por reações alérgicas ou anafiláticas. O próprio caso de Miguel (doce de amendoim) ilustra o desencadeante alimentar. Os medicamentos são causa importante em adultos e em ambiente hospitalar, mas não lideram na pediatria.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença de urticária e/ou angioedema é frequente (80–90% dos casos), mas não é obrigatória para o diagnóstico de anafilaxia. A definição atual exige acometimento rápido de via aérea, respiração ou circulação, "geralmente (porém nem sempre) associada a mudanças de pele e mucosa". Ou seja, um paciente pode apresentar anafilaxia sem manifestações cutâneas, especialmente se o quadro evolui rapidamente com hipotensão ou broncoespasmo. É exatamente o que a alternativa afirma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que as manifestações clínicas raramente têm início nos primeiros 30 minutos do contato com o desencadeante. Errado: a anafilaxia é, por definição, uma reação de início rápido — os sintomas costumam aparecer em minutos a poucas horas após a exposição. Em casos graves, pode evoluir para evento fatal em apenas 5 minutos após medicação endovenosa. A afirmação inverte a cronologia típica da reação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Recomenda adrenalina via endovenosa como tratamento preferencial no pronto-socorro. Errado: a via de escolha é a intramuscular (IM), na face anterolateral da coxa, por ser mais segura e eficaz. A via endovenosa é reservada para casos refratários, sob monitorização contínua, por apresentar maior risco de arritmias e eventos adversos (30% dos pacientes tratados por via EV apresentam eventos adversos, contra apenas 3% por via IM).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que corticoides sistêmicos estão indicados para todos os casos, concomitantemente à adrenalina. Errado: os corticoides não são primeira linha e não têm benefício comprovado na fase aguda da anafilaxia. São considerados adjuvantes, com uso opcional, na tentativa de prevenir a reação bifásica tardia. A adrenalina é o único tratamento que reverte o quadro agudo; anti-histamínicos e corticoides não devem substituí-la nem ser usados isoladamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "frequente" e "obrigatório" — a urticária/angioedema ocorre em 80–90% dos casos, mas sua ausência não exclui anafilaxia. Além disso, inverte a via de administração da adrenalina (IM é a correta, não EV) e o papel dos corticoides (adjuvantes, não primeira linha). Fique atento: em pediatria, o desencadeante mais comum é o alimento, não o medicamento.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de anafilaxia, memorize o tripé: (1) diagnóstico clínico — início rápido + acometimento de via aérea/respiração/circulação, com ou sem pele; (2) tratamento — adrenalina IM na coxa, dose 0,15 mg (6 meses–6 anos), repetir a cada 5–15 min; (3) adjuvantes — anti-histamínicos e corticoides não substituem a adrenalina. Na dúvida entre vias, lembre: IM é a regra; EV é exceção para refratários.