Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu120089
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
No alojamento conjunto, é avaliado o recém-nascido (RN) de Anna Júlia, nascido de parto vaginal, com 37 semanas e 3 dias de idade gestacional, sem intercorrências. No momento, RN com 36 horas de vida e, durante o exame físico, é constatada icterícia presente até os joelhos. Coletada bilirrubina total neste momento, com resultado de 13 mg/dL. Tipagem materna e do RN ambas A+.Com o auxílio do gráfico da Sociedade Brasileira de Pediatria, assinale a alternativa que indica o risco deste RN e a conduta indicada relacionada à icterícia neonatal.
ABaixo risco; sem indicação de fototerapia.
BBaixo risco; com indicação de fototerapia.
CMédio risco; sem indicação de fototerapia.
DMédio risco; com indicação de fototerapia.
EAlto risco; com indicação de fototerapia.
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GabaritoD — Médio risco; com indicação de fototerapia.
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Icterícia neonatal: avaliação de risco e conduta
Gabarito: letra D. O recém-nascido (RN) com 36 horas de vida, icterícia até os joelhos e bilirrubina total (BT) de 13 mg/dL encontra-se na zona de médio risco e com indicação de fototerapia, conforme a tabela de conduta da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para RN com mais de 35 semanas. A conduta é baseada na idade em horas e no valor da BT, e não apenas na extensão clínica da icterícia.
A icterícia neonatal é a expressão clínica da hiperbilirrubinemia, condição frequente no período neonatal e a principal causa de reinternação de RN a termo saudável. A progressão da icterícia é cefalocaudal: começa na face e vai descendo pelo tronco e membros. A avaliação clínica pela extensão da icterícia (regra de Kramer) é útil para estimar o nível de bilirrubina, mas a conduta deve ser baseada no valor da BT e na idade do RN em horas, conforme as tabelas da SBP. A complicação mais grave é o querníctero, uma encefalopatia bilirrubínica com sequelas neurológicas permanentes, o que justifica a importância da fototerapia precoce.
A tabela de conduta da SBP para RN com mais de 35 semanas estabelece os seguintes limiares para fototerapia:
Idade (horas)
Considerar fototerapia se BT
Fototerapia se BT
Exsanguinotransfusão se BT
< 24 horas
–
–
–
25-48 horas
≥ 12
≥ 15
≥ 20
49-72 horas
≥ 15
≥ 18
≥ 25
> 72 horas
≥ 17
–
–
No caso do enunciado, o RN tem 36 horas de vida (faixa de 25-48 horas) e BT de 13 mg/dL. Pela tabela, esse valor está entre 12 e 15, ou seja, na faixa de "considerar fototerapia", o que caracteriza médio risco e indica a necessidade de fototerapia. A alternativa D é a única que combina corretamente esses dois elementos.
A avaliação de risco também considera fatores como icterícia nas primeiras 24 horas, doença hemolítica, idade gestacional de 35-36 semanas, dificuldade de aleitamento, perda de peso > 7%, irmão com icterícia tratada, descendência asiática, cefalo-hematoma, deficiência de G6PD e BT na zona de alto risco. No caso, o RN tem 37 semanas e 3 dias (fora do fator de risco de 35-36 semanas), não apresenta sinais de alerta como icterícia precoce, e a tipagem sanguínea A+ não indica incompatibilidade ABO (mãe e RN ambos A+). Portanto, o risco é médio, não alto.
A pegadinha desta questão está em associar a extensão clínica da icterícia (até os joelhos, que estima BT em torno de 12-15 mg/dL) diretamente ao risco, sem considerar a idade em horas. O candidato que apenas olha a extensão pode achar que é baixo risco, mas a tabela de conduta é o que define a necessidade de fototerapia. Além disso, a faixa de "considerar fototerapia" (BT ≥ 12) já indica médio risco, não baixo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o RN é de baixo risco e sem indicação de fototerapia. O erro está em classificar como baixo risco um RN com BT de 13 mg/dL na faixa de 25-48 horas, que pela tabela da SBP está na zona de "considerar fototerapia" (≥ 12). A conduta correta é iniciar fototerapia, não apenas observar.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma baixo risco, mas com indicação de fototerapia. Há uma contradição: se há indicação de fototerapia, o risco não é baixo. A classificação de risco e a conduta devem ser coerentes. O RN com BT de 13 mg/dL na faixa de 25-48 horas é de médio risco, não baixo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma médio risco, mas sem indicação de fototerapia. O erro está na conduta: com BT de 13 mg/dL na faixa de 25-48 horas, a tabela da SBP indica "considerar fototerapia" (≥ 12), o que significa que a fototerapia deve ser iniciada. Não é uma conduta de observação apenas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma médio risco e com indicação de fototerapia. Esta é a combinação correta: RN com 36 horas (faixa 25-48h) e BT de 13 mg/dL (≥ 12) está na zona de "considerar fototerapia", o que caracteriza médio risco e indica a necessidade de fototerapia. A conduta está alinhada com a tabela da SBP.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma alto risco e com indicação de fototerapia. O erro está na classificação de risco: o RN não apresenta fatores de alto risco (como icterícia nas primeiras 24 horas, doença hemolítica, IG 35-36 semanas, etc.). A BT de 13 mg/dL na faixa de 25-48 horas é de médio risco, não alto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a extensão clínica da icterícia (regra de Kramer) e a tabela de conduta baseada na idade e na BT. O candidato pode achar que icterícia até os joelhos (BT ~12-15) é baixo risco, mas a tabela da SBP define que, com 36 horas e BT ≥ 12, já há indicação de fototerapia (médio risco). Lembre-se: a conduta é sempre baseada na idade em horas e no valor da BT, não apenas na extensão clínica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de icterícia neonatal, decore a tabela de conduta da SBP: nas primeiras 24h, qualquer icterícia é alerta; de 25-48h, fototerapia se BT ≥ 15 (considerar se ≥ 12); de 49-72h, fototerapia se BT ≥ 18 (considerar se ≥ 15); após 72h, fototerapia se BT ≥ 17. Grave os limiares e a faixa etária — é o que a banca cobra.