Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2026

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu120098
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Davi Luiz, 8 anos, previamente saudável, com queixa de febre e dor de garganta há 1 dia, sem outras queixas, é atendido no pronto-socorro infantil. Ao exame, criança em bom estado geral, com hiperemia de orofaringe, presença de placas purulentas em amígdalas e petéquias em palato. É indicado tratamento com penicilina benzatina via intramuscular dose única e mãe é orientada sobre o quadro e as suas possíveis complicações.Assinale a alternativa correta em relação a essa doença.
  1. ADentre os critérios diagnósticos maiores da febre reumática, complicação não supurativa dessa doença, estão a artralgia, a cardite e a coreia.
  2. BUm dos exames indicados para confirmação etiológica da doença aguda é a dosagem de antiestreptolisina O (ASLO).
  3. CO abscesso retrofaríngeo e a adenite cervical bacteriana são complicações supurativas dessa doença.
  4. DAlém da penicilina benzatina, outra opção terapêutica para dessa doença inclui a amoxicilina via oral por 7 dias.
  5. EEsta doença é frequente em crianças menores de 3 anos de idade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O abscesso retrofaríngeo e a adenite cervical bacteriana são complicações supurativas dessa doença.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Faringite estreptocócica e suas complicações

Gabarito: letra C. O abscesso retrofaríngeo e a adenite cervical bacteriana são, de fato, complicações supurativas da faringite estreptocócica, pois resultam da disseminação direta da infecção para estruturas contíguas. As complicações não supurativas, como a febre reumática e a glomerulonefrite, são mediadas imunologicamente e não por invasão bacteriana direta.

A faringite estreptocócica é uma infecção das vias aéreas superiores causada pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo β-hemolítico do grupo A). O quadro clássico, como o apresentado pelo paciente — início súbito, febre, dor de garganta intensa, hiperemia de orofaringe, exsudato purulento nas amígdalas e petéquias no palato —, ocorre em apenas cerca de 20% das crianças infectadas. A transmissão se dá por gotículas respiratórias, e o período de incubação varia de 2 a 5 dias.

A importância do diagnóstico e tratamento adequados reside justamente na prevenção das complicações. Elas se dividem em dois grandes grupos, com mecanismos fisiopatológicos distintos:

  • Complicações supurativas: decorrem da invasão bacteriana direta e da disseminação para estruturas adjacentes. Incluem abscesso peritonsilar, abscesso retrofaríngeo, adenite cervical (linfadenite) supurativa, otite média, mastoidite e sinusite.

  • Complicações não supurativas: são mediadas por mecanismos imunológicos, resultando de reação cruzada entre antígenos bacterianos e tecidos do hospedeiro. Incluem febre reumática aguda, glomerulonefrite difusa aguda, coreia de Sydenham, artrite reacional e PANDAS (desordem neuropsiquiátrica autoimune pediátrica).

O tratamento de escolha para faringite estreptocócica é a penicilina benzatina em dose única intramuscular, que garante níveis séricos adequados por tempo suficiente para erradicar o estreptococo e prevenir a febre reumática. Alternativas orais incluem amoxicilina por 10 dias ou cefalosporinas de primeira geração, também por 10 dias. O tratamento deve ser iniciado em até 9 dias do início dos sintomas para ser eficaz na prevenção da febre reumática.

A febre reumática, principal complicação não supurativa, manifesta-se em média 2 a 3 semanas após a faringite estreptocócica e é diagnosticada pelos Critérios de Jones, que incluem manifestações maiores (cardite, artrite, coreia, eritema marginado e nódulos subcutâneos) e menores (artralgia, febre, elevação de provas de atividade inflamatória, entre outros). É importante notar que a artralgia é um critério menor, não maior, e que a artrite (não artralgia) é o critério maior.

A confirmação etiológica da infecção estreptocócica aguda é feita preferencialmente pela cultura de swab de orofaringe (padrão-ouro) ou por testes rápidos de detecção de antígeno. A dosagem de ASLO (antiestreptolisina O) é um teste sorológico que detecta anticorpos contra a estreptolisina O, mas é útil principalmente para o diagnóstico retrospectivo de infecção estreptocócica em casos de suspeita de febre reumática ou glomerulonefrite, não para confirmação da faringite aguda, pois os anticorpos levam semanas para se elevar.

A faringite estreptocócica é mais comum em crianças em idade escolar (5 a 15 anos) e rara em menores de 3 anos, que, quando infectados, costumam apresentar manifestações atípicas, como rinite serosa, febre baixa e irritabilidade, sem o quadro clássico de faringite exsudativa.

A distinção entre complicações supurativas e não supurativas é o eixo central desta questão. Guarde o critério: supurativa = invasão bacteriana direta (pus, abscesso, adenite); não supurativa = resposta imunológica (febre reumática, glomerulonefrite). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Complicação

Mecanismo

Exemplos

Supurativas

Invasão bacteriana direta (formação de pus)

Abscesso retrofaríngeo, adenite cervical bacteriana, abscesso peritonsilar, otite média, mastoidite, sinusite

Não supurativas

Resposta imunológica (reação cruzada)

Febre reumática, glomerulonefrite difusa aguda, coreia de Sydenham, artrite reacional, PANDAS

Complicações da faringite estreptocócica
  • 1Supurativas (invasão bacteriana direta)
    • Abscesso peritonsilar
    • Abscesso retrofaríngeo
    • Adenite cervical
    • Otite média
    • Mastoidite
    • Sinusite
  • 2Não supurativas (resposta imunológica)
    • Febre reumática
    • Glomerulonefrite
    • Coreia de Sydenham
    • Artrite reacional
    • PANDAS
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em incluir a artralgia entre os critérios maiores da febre reumática. Nos Critérios de Jones, os critérios maiores são: cardite, artrite (poliartrite), coreia, eritema marginado e nódulos subcutâneos. A artralgia (dor articular sem sinais inflamatórios objetivos) é um critério menor, juntamente com febre, elevação de provas de fase aguda (VHS, PCR) e intervalo PR prolongado no ECG. A banca troca "artrite" por "artralgia" — um erro sutil, mas que muda completamente a classificação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dosagem de ASLO não é o exame indicado para confirmação etiológica da faringite estreptocócica aguda. O ASLO é um anticorpo que se eleva apenas 1 a 3 semanas após a infecção, sendo útil para diagnóstico retrospectivo em suspeita de complicações não supurativas (febre reumática, glomerulonefrite). Para confirmar a infecção aguda, o exame de escolha é a cultura de orofaringe ou o teste rápido de detecção de antígeno (que tem alta especificidade).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O abscesso retrofaríngeo e a adenite cervical bacteriana são complicações supurativas da faringite estreptocócica. As complicações supurativas resultam da disseminação direta da infecção para estruturas contíguas, incluindo abscesso peritonsilar, abscesso retrofaríngeo, adenite cervical supurativa, otite média, mastoidite e sinusite. O mecanismo é a invasão bacteriana local, com formação de pus, ao contrário das complicações não supurativas (febre reumática, glomerulonefrite), que são mediadas imunologicamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A amoxicilina é uma opção terapêutica válida para faringite estreptocócica, porém o tempo de tratamento é de 10 dias, não 7. A duração de 10 dias é necessária para garantir a erradicação do estreptococo e a prevenção da febre reumática. Esquemas mais curtos (como 5-7 dias) podem ser usados com algumas cefalosporinas ou macrolídeos, mas não com amoxicilina. A alternativa erra ao reduzir o tempo de tratamento para 7 dias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A faringite estreptocócica é rara em crianças menores de 3 anos. A doença é mais comum em crianças em idade escolar (5 a 15 anos) e adolescentes. Em menores de 3 anos, quando ocorre, costuma se manifestar de forma atípica, com rinite serosa, febre baixa, irritabilidade e adenite cervical, sem o quadro clássico de faringite exsudativa com petéquias. A alternativa inverte a epidemiologia da doença.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os critérios maiores e menores da febre reumática (alternativa A) e entre as complicações supurativas e não supurativas (alternativa C). No primeiro caso, troca "artrite" por "artralgia"; no segundo, apresenta corretamente as supurativas. Fique atento: artralgia é critério menor; artrite é critério maior. E lembre: supurativa = invasão bacteriana direta (pus); não supurativa = resposta imunológica.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar as complicações da faringite estreptocócica, monte dois grupos mentais: SUPURATIVAS (abscesso peritonsilar, abscesso retrofaríngeo, adenite cervical, otite média, mastoidite, sinusite) e NÃO SUPURATIVAS (febre reumática, glomerulonefrite, coreia de Sydenham, artrite reacional, PANDAS). Na prova, identifique o mecanismo: se há pus ou invasão local, é supurativa; se há resposta imune, é não supurativa.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu120098