Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu120099
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Recém-nascido de mulher que vive com HIV, atualmente com 39 semanas de gestação, será recepcionado no plantão da neonatologia. A gestante apresenta documentos e exames que demonstram que ela tem o diagnóstico da doença há 5 anos, estando em uso de terapia antirretroviral desde então e mantendo carga viral indetectável desde o início do tratamento (incluindo a última carga viral, realizada no 3o trimestre da gestação).Considerando as recomendações vigentes do Ministério da Saúde para a prevenção da transmissão vertical do HIV, assinale a alternativa que apresenta as medidas preventivas indicadas neste caso.
AParto cesárea obrigatório; profilaxia com zidovudina por 28 dias; amamentação contraindicada.
BEscolha de via de parto de acordo com indicação obstétrica; profilaxia com zidovudina por 28 dias; amamentação contraindicada.
CEscolha de via de parto de acordo com indicação obstétrica; profilaxia com zidovudina + lamivudina + raltegravir por 28 dias; amamentação liberada.
DParto cesárea obrigatório; profilaxia com zidovudina + lamivudina + raltegravir por 28 dias; amamentação contraindicada.
EEscolha de via de parto de acordo com indicação obstétrica; profilaxia com zidovudina por 28 dias; amamentação liberada.
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GabaritoB — Escolha de via de parto de acordo com indicação obstétrica; profilaxia com zidovudina por 28 dias; amamentação contraindicada.
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Prevenção da transmissão vertical do HIV: conduta no recém-nascido
Gabarito: letra B. Em gestante com HIV em uso regular de TARV e carga viral indetectável, a via de parto deve ser decidida por indicação obstétrica (não há indicação de cesárea eletiva por HIV), o recém-nascido deve receber profilaxia com zidovudina (AZT) por 28 dias, e a amamentação é contraindicada em qualquer situação. Essa é a recomendação vigente do Ministério da Saúde para prevenção da transmissão vertical do HIV.
A transmissão vertical do HIV pode ocorrer durante a gestação, no trabalho de parto e parto, e após o nascimento, principalmente pelo aleitamento materno. Sem intervenções, o risco de transmissão é de cerca de 25%; com as medidas preventivas adequadas, esse risco cai para 1–2%. As principais intervenções são: uso de TARV combinada na gestação, cesariana eletiva quando indicada (apenas se carga viral ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida), quimioprofilaxia com AZT na parturiente (quando a carga viral não é indetectável) e no recém-nascido, e a não amamentação.
No caso apresentado, a gestante tem carga viral indetectável desde o início do tratamento, incluindo a última dosagem no 3º trimestre. Nessa situação, o Ministério da Saúde recomenda que a via de parto seja definida por indicação obstétrica, pois a cesariana eletiva não reduz adicionalmente o risco de transmissão quando a carga viral é indetectável. O recém-nascido deve receber profilaxia com zidovudina (AZT) por 28 dias, independentemente da carga viral materna. A amamentação é sempre contraindicada, mesmo com carga viral indetectável, pois o HIV pode ser transmitido pelo leite materno.
A profilaxia com três antirretrovirais (AZT + lamivudina + raltegravir) é reservada para situações de maior risco, como carga viral materna desconhecida ou detectável, ou quando o recém-nascido apresenta fatores de risco adicionais. No caso de carga viral indetectável, a profilaxia com AZT isolado é suficiente.
A pegadinha da banca está em confundir a indicação de cesariana eletiva (que só se aplica a cargas virais ≥ 1.000 cópias/mL) com a situação de carga viral indetectável, e em sugerir que a amamentação poderia ser liberada em algum cenário — o que nunca é recomendado.
Prevenção da transmissão vertical do HIV
1Via de parto
CV indetectável → indicação obstétrica
CV ≥ 1.000 ou desconhecida → cesárea eletiva
2Profilaxia no RN
CV indetectável → AZT por 28 dias
Alto risco → AZT + lamivudina + raltegravir
3Amamentação
Sempre contraindicada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o parto cesárea é obrigatório. Isso está errado: com carga viral indetectável, a via de parto é definida por indicação obstétrica. A cesariana eletiva é indicada apenas quando a carga viral é ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida. A profilaxia com AZT por 28 dias e a contraindicação da amamentação estão corretas, mas o erro na via de parto torna a alternativa incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reflete exatamente a recomendação do Ministério da Saúde para gestante com HIV e carga viral indetectável: via de parto por indicação obstétrica, profilaxia com AZT por 28 dias no recém-nascido e amamentação contraindicada. Todos os três componentes estão corretos e alinhados com a conduta vigente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a amamentação é liberada. A amamentação é sempre contraindicada em mães vivendo com HIV, independentemente da carga viral, pois o HIV pode ser transmitido pelo leite materno. Além disso, a profilaxia com três antirretrovirais (AZT + lamivudina + raltegravir) não é indicada para recém-nascidos de mães com carga viral indetectável — nesse caso, apenas AZT é suficiente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que o parto cesárea é obrigatório. Com carga viral indetectável, a via de parto é definida por indicação obstétrica. A profilaxia com três antirretrovirais também não é indicada nesse cenário, e a amamentação contraindicada está correta, mas os dois primeiros erros tornam a alternativa incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a amamentação é liberada. A amamentação é sempre contraindicada em mães vivendo com HIV, mesmo com carga viral indetectável. A via de parto por indicação obstétrica e a profilaxia com AZT por 28 dias estão corretas, mas o erro na amamentação torna a alternativa incorreta.