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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu120100
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Assinale a alternativa correta em relação à quimioprofilaxia das meningites, de acordo com as recomendações vigentes do Ministério da Saúde.
  1. ANão há indicação de quimioprofilaxia para os contatos nos casos de meningite pneumocócica.
  2. BQuando há indicação, no caso de profissionais de saúde, a quimioprofilaxia é recomendada para todos que tiveram qualquer tipo de contato com o caso índice.
  3. CA quimioprofilaxia, quando indicada, não é recomendada para contatos com cartão vacinal em dia conforme o Programa Nacional de Imunizações.
  4. DNo caso de contatos domiciliares, a quimioprofilaxia, quando indicada, deve ser feita sempre com rifampicina via oral de 12/12 horas por 2 dias.
  5. EA quimioprofilaxia também está indicada para o paciente no momento da alta, caso o seu tratamento tenha sido realizado com ceftriaxone.
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GabaritoA — Não há indicação de quimioprofilaxia para os contatos nos casos de meningite pneumocócica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quimioprofilaxia das meningites bacterianas

Gabarito: letra A. A quimioprofilaxia para contatos de casos de meningite bacteriana é indicada apenas para as etiologias meningocócica (Neisseria meningitidis) e por Haemophilus influenzae tipo B — não há recomendação para contatos de casos de meningite pneumocócica (Streptococcus pneumoniae), conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. É exatamente essa ausência de indicação que a alternativa A afirma corretamente.

A quimioprofilaxia é uma medida de prevenção secundária: administra-se um antibiótico a pessoas que tiveram contato próximo com um caso índice, com o objetivo de eliminar a colonização nasofaríngea do agente e, assim, interromper a cadeia de transmissão. Ela não trata a doença — trata a colonização assintomática dos comunicantes. Por isso, só faz sentido quando o agente tem potencial de transmissão pessoa a pessoa por gotículas respiratórias e quando a colonização é um passo relevante na patogênese, o que ocorre com o meningococo e o Haemophilus influenzae tipo B, mas não com o pneumococo.

A lógica por trás dessa distinção é epidemiológica. No caso do pneumococo, a colonização nasofaríngea é extremamente comum na população (especialmente em crianças), e a transmissão de pessoa a pessoa é menos relevante para o surgimento de casos secundários — a maioria dos casos de doença pneumocócica invasiva decorre de disseminação endógena a partir da própria colonização, frequentemente associada a fatores de risco individuais (imunossupressão, asplenia, idade extrema). Assim, quimioprofilaxia em massa de contatos teria baixo impacto e alto custo, além de risco de seleção de resistência bacteriana. Já no meningococo e no Hib, os casos secundários em contatos íntimos são bem documentados, e a quimioprofilaxia reduz significativamente esse risco.

Na prática, quando há indicação (meningococo ou Hib), a droga de escolha é a rifampicina, com esquemas que variam conforme a idade e o agente. Para meningococo, o esquema clássico é rifampicina VO de 12/12 horas por 2 dias; para Hib, o esquema é mais longo (4 dias). Existem alternativas como ceftriaxona (dose única) e ciprofloxacino (dose única, apenas para adultos). O momento ideal é iniciar a profilaxia nas primeiras 24–48 horas após a exposição. Para profissionais de saúde, a recomendação é restrita: só se indica quando houve exposição direta a secreções respiratórias sem uso de EPI (ex.: intubação, aspiração, respiração boca a boca) — não para qualquer contato. E o próprio paciente, na alta, deve receber quimioprofilaxia se o tratamento não foi feito com ceftriaxona (que já erradica a colonização).

A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: o candidato tende a aplicar a regra da quimioprofilaxia (válida para meningococo e Hib) a todas as meningites bacterianas, incluindo a pneumocócica. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo alternativas que descrevem corretamente a conduta para as etiologias com indicação, mas que se tornam incorretas quando aplicadas ao contexto geral ou à pneumocócica. Guarde a fronteira: quimioprofilaxia para contatos = meningococo e Hib; pneumococo = não indicada.

Critério

Meningococo (N. meningitidis)

Haemophilus influenzae tipo B (Hib)

Pneumococo (S. pneumoniae)

Indicação de quimioprofilaxia para contatos

Sim

Sim

Não

Esquema clássico com rifampicina

12/12h por 2 dias

12/12h por 4 dias

Alternativas terapêuticas

Ceftriaxona (dose única); Ciprofloxacino (dose única, adultos)

Ceftriaxona (dose única)

Quimioprofilaxia para o paciente na alta

Indicada se tratamento não foi com ceftriaxona

Indicada se tratamento não foi com ceftriaxona

Quimioprofilaxia meningites
  • 1Indicada
    • Meningococo (rifampicina 2 dias)
    • Hib (rifampicina 4 dias)
    • Profissional com exposição sem EPI
    • Paciente na alta (se não usou ceftriaxona)
  • 2Não indicada
    • Pneumococo
    • Contato rotineiro com EPI
    • Paciente tratado com ceftriaxona
    • Contato vacinado (vacina não exclui)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta porque a quimioprofilaxia para contatos não está indicada nos casos de meningite pneumocócica. O Streptococcus pneumoniae não é um agente para o qual se recomenda profilaxia de comunicantes, pois a transmissão pessoa a pessoa e os casos secundários são menos relevantes do que no meningococo e no Hib. As diretrizes do Ministério da Saúde restringem a quimioprofilaxia a essas duas etiologias.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a quimioprofilaxia é recomendada para todos os profissionais de saúde que tiveram qualquer tipo de contato com o caso índice. A recomendação é restrita: só se indica quando houve exposição direta a secreções respiratórias sem uso de EPI, como em procedimentos de intubação traqueal, aspiração de secreções ou respiração boca a boca. O contato rotineiro no atendimento, com precauções adequadas, não exige quimioprofilaxia. A palavra "qualquer" torna a alternativa incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a quimioprofilaxia não é recomendada para contatos com cartão vacinal em dia. Isso é falso: o estado vacinal não exclui a indicação de quimioprofilaxia. A vacina protege contra a doença, mas não elimina a colonização nasofaríngea; portanto, mesmo contatos vacinados devem receber a profilaxia quando indicada. A vacinação é uma medida complementar, não substitutiva, da quimioprofilaxia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a quimioprofilaxia para contatos domiciliares deve ser feita sempre com rifampicina VO de 12/12 horas por 2 dias. Embora a rifampicina seja a droga de escolha, o esquema varia conforme o agente etiológico: para meningococo, o esquema é de 2 dias; para Hib, o esquema é de 4 dias. Além disso, existem alternativas (ceftriaxona dose única, ciprofloxacino dose única para adultos), e a escolha pode recair sobre elas em situações específicas (ex.: contraindicação à rifampicina). A palavra "sempre" torna a alternativa incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a lógica da recomendação. A quimioprofilaxia para o paciente na alta está indicada quando o tratamento não foi realizado com ceftriaxona, pois essa cefalosporina de terceira geração já erradica a colonização nasofaríngea do meningococo e do Hib. Se o paciente foi tratado com ceftriaxona, não há necessidade de quimioprofilaxia adicional na alta. A alternativa afirma exatamente o contrário, tornando-a incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a generalização indevida da quimioprofilaxia para todas as meningites bacterianas. O candidato que memoriza "meningite = quimioprofilaxia" tende a marcar a alternativa E (que parece lógica, mas inverte a regra) ou a B (que generaliza a indicação para profissionais de saúde). A chave é lembrar que a profilaxia de contatos só se aplica a meningococo e Hib, e que a indicação para profissionais de saúde exige exposição sem EPI. Com esse filtro, a alternativa A salta aos olhos como a única correta.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental: quem recebe quimioprofilaxia? (1) Contatos íntimos/domiciliares de casos de meningococo ou Hib; (2) profissionais de saúde com exposição direta a secreções sem EPI; (3) o próprio paciente na alta, se não tratado com ceftriaxona. Quem não recebe? Contatos de casos de meningite pneumocócica, e profissionais com contato rotineiro protegido. Na prova, desconfie de alternativas com "sempre", "todos" ou "qualquer" — elas costumam esconder a exceção.

Gabarito: letra A

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